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Estado de Minas

HIT


postado em 27/06/2019 04:00



O escritor português autografou 310 livros em 2h45min(foto: Daniel Bianchini/Divulgação)
O escritor português autografou 310 livros em 2h45min (foto: Daniel Bianchini/Divulgação)



NO PALÁCIO DAS ARTES
A NOITE DE VALTER HUGO MÃE

Poucas vezes a expressão dobrar quarteirão pôde ser tão bem adaptada, anteontem, no hall do Grande Teatro do Palácio das Artes. Para se acomodar e esperar com paciência por autógrafos e fotos, fãs fizeram longa fila, que dava voltas. Em 2h45min, Valter autografou 310 livros, entre eles o recém-lançado As mais belas coisas do mundo. Simpático e gente boníssima, o escritor ainda teve tempo para fazer fotos e trocar algumas palavras com os fãs. Muitos ainda entregaram livros. Aliás, a doação de obras é cena rotineira por onde Valter passa. Só que desta vez foram tantos, que foi preciso comprar mais uma mala para levar todo o material para Portugal.

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Antes dos autógrafos, o português, convidado do projeto Sempre um Papo, foi recebido por Afonso Borges, no Grande Teatro do Palácio das Artes. O encontro foi aberto por Celso Adolfo, um dos artistas mineiros preferidos de Valter, que cantou três canções. Renegado, da plateia, também fez uma intervenção musical (Black star), aplaudida por todos.

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Entre os temas abordados, Valter elogiou Chico Buarque, a quem se referiu como genial. “O Chico é o futuro. No futuro, quando se pensar sobre essa época, vai se pensar sobre o Chico, o que ele compôs, o que ele diz. No futuro, quem vai dizer sobre nós 
é o Chico”, afirmou. “Acho normal e legítimo que possamos discordar do Chico Buarque. Discordei muito do Saramago, que era comunista convicto e eu não sou comunista, mas sempre conversamos de boa- fé. Por isso, nunca passou pela minha cabeça destituir Saramago de dignidade por eu discordar. Parece-me insuportável que se possa destituir dignidade de Chico Buarque por não concordar com ele”, falou em defesa do compositor brasileiro, que é rechaçado por suas opiniões políticas.

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O escritor também elogiou outros grandes nomes da música brasileira, de Caetano Veloso a Elza Soares, passando por Gilberto Gil e 
Milton Nascimento. “Vocês têm a sorte de viver em um país com constelação de estrelas vivas, o que não acontece em muitos lugares do mundo.” Para Valter Hugo Mãe, o Brasil conseguiu definir uma cultura de esplendor raro. “A arte brasileira ressoa em todo o mundo. Em Tóquio, por exemplo, é impossível não ouvir samba ou bossa nova. Os japoneses são fascinados pelo som brasileiro mesmo que não entendam nada, apreciam e conhecem a obra dos grandes autores brasileiros”, disse.

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Bem-humorado, ele ainda atendeu ao pedido de uma das fãs e cantou um trecho do fado O meu amor vai embora, do Madredeus. Por problemas nas cordas vocais, Valter abandonou o grupo Governo, que atuou por algum tempo. “Achava lindo dizer o Governo ao vivo ou então, se desse errado, o concerto do Governo foi uma merda”, contou, levantando risos da plateia.

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