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De olho no novo Cruzeiro, não nos esqueçamos da memória celeste

Amanhã, um novo presidente será eleito para dar continuidade ao mais difícil capítulo da história do único gigante de Minas Gerais


postado em 20/05/2020 04:00

(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press %u2013 17/1/20 )
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press %u2013 17/1/20 )

 
O pênalti carece de ser sempre batido no ângulo, próximo à junção onde a coruja costuma repousar em dias sem jogos. O quadrado imaginário, nos cantos superiores do retângulo de 7,32 metros de largura e 2,44 de altura, precisa ser o destino inequívoco da bola. Não deveria ser dada ao jogador, jamais, a opção de chutá-la em outra parte do gol nesse tiro penal. Ademais, tal responsabilidade deveria recair não sobre o atleta, mas, sim, nos ombros do mandatário do clube. Porque o ato de converter um pênalti, quiçá decisivo, trata-se de um instante sublime. Não cabe erro ao ponto de abrir qualquer hipótese física, geométrica ou sobrenatural de o goleiro chegar até ela antes de lamber a rede.
 
Aprendi isso com um presidente do Cruzeiro Esporte Clube. E lembrei ao pensar que amanhã, 21 de maio de 2020, os conselheiros irão eleger o próximo comandante dessa instituição centenária. Um momento no qual, infelizmente, nós, torcedores, reais financiadores, não teremos o direito de votar.
Resta-nos a esperança de uma nova gestão pautada na transparência, no compromisso pela mudança real do estatuto e com a capacidade técnica de dar prosseguimento à caminhada de retorno do único gigante do futebol mineiro ao local de onde nunca deveria ter saído.
 
Do lado de cá, fica o pedido para nós, torcedores, não transformarmos cartolas em mitos ou ídolos de estimação. A lição foi dura demais e escancarou como a maléfica validação popular dada à gestão Wagner Nonato Pires Machado de Sá garantiu a cortina de fumaça para operarem a sangria no clube.
Ao novo presidente, eleito amanhã, o desejo de “boa sorte”, mas embalado numa caixa enorme de “olhos atentos” de uma Nação Azul nem um pouco disposta a conceder brechas à falta de lisura.
 
Mas às vésperas de o Cruzeiro iniciar um novo capítulo de sua história política, faço também uma ode à memória. No final de 2019, na terra arrasada do rebaixamento e da pré-insolvência financeira e moral, mesmo poucos, nós fomos para a batalha das ruas. Bradamos o grito de revolta e sofrimento. Demos à sede o nome da “assassinada por desgosto” Salomé. Exigimos coragem para que fosse rapidamente extirpado o câncer em estágio avançado que estava a carcomer o Cruzeiro.
 
Quem gostaria de ser presidente em meio àquela pandemia de mau-caratismo? Coube a Dalai Rocha zelar por um semimorto. Os tumores resistiram até o último foguete das manifestações, mas a primeira missão confiada pelas arquibancadas ao novo comandante estava cumprida.
 
O mesmo presidente que teve a humildade de dizer: “Me ajudem”. Escancarando o corpo doente para que um Conselho Gestor pudesse atuar. Muitas foram as costuras para afastar diferenças e aproximar forças em prol de um movimento único para tentar salvar o clube da iminente destruição. Alguns empresários chegaram a propor a bancarrota, numa falta de tato de um elefante numa loja de cristais. Poucos aceitaram o desafio. Outros, mesmo nos bastidores, foram decisivos, como na “vaquinha” feita para pagar a consultoria da Kroll.
 
Os poucos meses do Conselho Gestor foram de muita entrega e poucos erros, que não devem ser negligenciados. Do próprio Dalai não se apagará o fato de ter sido parte de um Conselho Paquiderme Deliberativo, do qual houve ausência de proatividade para impedir o alastramento do câncer. Porém, disso, levarei como lembrança a hombridade dele em pedir perdão por ter demorado a agir.
 
Dalai Rocha não será o maior presidente da história do Cruzeiro. Mas nenhum roteiro é construído apenas nos ápices ou desfechos de glória. A originalidade de um enredo perfeito muitas vezes está na virada épica, na reversão do drama, nas cenas capazes de evitar fins tristes ou precoces.
Portanto, presidente Dalai Rocha, nessa minha última crônica antes de termos um novo mandatário eleito para dar continuidade a essa caminhada, me permita corrigi-lo. O mais importante pode até ser a batida do pênalti no ângulo. Mas o inesquecível é pegar a bola para a cobrança quando ninguém tinha a coragem de assim fazer.
Obrigado!

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