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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Injúria racial e barbárie não passarão

Atlético de Lourdes e Cruzeiro precisam assumir a responsabilidade por criar e alimentar seus monstros fora de campo


postado em 13/11/2019 04:00 / atualizado em 12/11/2019 21:52

A confusão nas cadeiras do Mineirão depois do clássico Cruzeiro x Atlético só acabou depois da intervenção policial(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
A confusão nas cadeiras do Mineirão depois do clássico Cruzeiro x Atlético só acabou depois da intervenção policial (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


A nota de repúdio do Cruzeiro ressoou imediatamente. Nela, em tamanho garrafal, a foto do bárbaro e imbecil cruzeirense que lançou um balde de gelo contra a Turma do Sapatênis. Veio acompanhada de uma convocação para a Nação Azul ajudar a identificá-lo e entregá-lo à polícia. Por sua vez, o Atlético de Lourdes também soltou comunicado expondo a cara de sua nova leva de canalhas preconceituosos que cuspiram e proferiram injúrias raciais contra um trabalhador do estádio. Com facilidade extrema para identificarem os criminosos, os entregaram para as autoridades. A Minas Arena, por sua vez, saiu em defesa do seu funcionário agredido e publicamente exigiu da diretoria do clube visitante uma reparação – no mínimo – moral.
 
Não! Você não está sonhando ou eu estive em outro planeta enquanto o Mineirão se tornava uma pocilga no último domingo. Isso tudo aí realmente não aconteceu. Trata-se apenas de um ilusório final digno, o qual gostaria muito que fossem as atitudes reais dos clubes e da administradora do estádio.
 
Cruzeiro, Atlético de Lourdes e Minas Arena generalizaram não a culpa, mas a omissão. Soltaram comunicados genéricos, de forma velada ou direta, se isentando da barbárie de um lado e de preconceito racial (e destruição do patrimônio por uma manada de playboys) do outro, como se não fossem responsáveis por criar e alimentar seus monstros.
 
Para passadores de pano, que amam dizer “não se pode generalizar”, “o clube se posicionou sim depois do ocorrido”, um refresco na memória seletiva. Qual fato marcou o último jogo entre Cruzeiro e Atlético de Lourdes em 2018? Certamente não foi o 0 a 0 daquele 16 de setembro. Nem o Cruzeiro com time todo reserva, se guardando para o confronto contra o Boca Juniors. Definitivamente, não! Assim como as cenas das injúrias raciais do domingo passado, naquele jogo vídeos amadores mostraram claramente o rosto de diversos torcedores do Atlético de Lourdes gritando que  “o Bolsonaro vai matar veado”.
 
O que o clube de parte da elite de BH fez em relação àquilo? O mesmo que agora: absolutamente nada de real ou efetivo. Apenas uma nota cheia de firulas do marketing. Mas, vindo de onde instigadores da homofobia se vestem de cordeirinho letrado, não é de assustar ninguém.
 
Voltando à partida do domingo passado, se dentro de campo assistimos ao Cruzeiro perder a oportunidade de arrancar rumo ao “Bi Flanetion” sobre um adversário pequeno, que abdicou do futebol para se armar na retranca, fora das quatro linhas o clube celeste se portou (quase) igual ao preto e branco. Quase, porque para estrumes humanos que proferem injúrias raciais não pode haver possibilidade de isonomia de culpa. São a escória da humanidade (assim como quem os defende, como fez um boçal ex-político atleticano).
 
Quem esteve na parte externa do Mineirão, minutos após o apito final do árbitro, presenciou um campo de guerra entre integrantes de duas torcidas do Cruzeiro. Foi a explosão do caldeirão que fervia desde a decisão de aprovar a volta das organizadas Máfia Azul e Pavilhão Independente exatamente no jogo contra o ex-rival regional. O que se viu foi a barbárie. Uma caça entre animais.
 
Se nesse caso também virão dizer “não se pode generalizar”, “nem todo mundo das organizadas participou disso”, “o clube não tem culpa”, reitero: qual deveria ter sido o papel do Cruzeiro? Será mesmo que tinha razão em se eximir de culpa? Para mim, no mínimo, precisa explicar o porquê de ingressos do setor amarelo (exatamente onde ficam as duas organizadas) estarem aos montes nas mãos de cambistas, e, no versos deles, escrito “de cortesia” (com o preço de R$ 0,00).
 
Esperneiem os torcedores, inclusive os isentões que destilam homofobia e relativizam injúrias raciais, mas fora de campo o que se viu foi um fiasco protagonizado por dois clubes omissos, cartolas e passadores de pano, que, juntos, formaram escretes tenebrosos, dando números finais à pífia partida: Cruzeiro Barbárie Clube 0 x 0 Atlético Injúria Racial Mineiro.
 


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