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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

O Cruzeiro é o Cristo da vez

Se não queremos nos deixar crucificar, vencer o São Paulo é o primeiro passo nessa cruzada


postado em 16/10/2019 04:00

A torcida celeste estará novamente no Mineirão empurrando o time em mais um jogo decisivo para o futuro do Cruzeiro na temporada(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 21/9/19)
A torcida celeste estará novamente no Mineirão empurrando o time em mais um jogo decisivo para o futuro do Cruzeiro na temporada (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 21/9/19)


Quando as podridões cultivadas pelo antro instalado no cerne da instituição Cruzeiro Esporte Clube vieram à tona, em nível nacional, graças à polêmica e necessária reportagem do programa Fantástico, houve uma catarse. Fregueses flamenguistas babaram delírios de vingança. Atleticanos de Lourdes riram pateticamente de seus próprios traumas. Nós, torcedores cruzeirenses, por amor, ficamos estarrecidos.

Um alucinado por esse clube e, ao mesmo tempo, um experiente e cansado jornalista acostumado com os (lindos e podres) meandros da nossa profissão, fiquei parte agradecido pela função cidadã do jornalismo e parte reticente em engolir que tudo aquilo (10 minutos no mais caro espaço da TV brasileira) havia sido motivado pelo quilate do “furo da notícia”.

Senti ódio dos denunciados e pelo fato de o clube estar à mercê – há anos – de diretorias irresponsáveis e de um Conselho Paquiderme Deliberativo omisso. Mesmo evitando fazer juízo de valor, passei a sonhar com uma limpeza imediata e coletiva dentro da instituição Cruzeiro, que, por si só, não tinha (e não tem) culpa alguma dos atos desses parasitas.

Nesse tempo, fui procurado por um jornalista ligado ao Fantástico. Ele me pediu para que eu “defendesse” os repórteres que assinaram a tal reportagem, pois, segundo ele, era “minha obrigação”. A resposta que dei a ele foi a mesma que me move também em relação aos dirigentes denunciados: me desculpe, mas NÃO sou de passar pano. Muito menos para jornalista que se acha Deus ou dirigente de futebol que se finge de Jesus Cristo. A minha obrigação é com o meu amor verdadeiro pelo Cruzeiro.

No último final de semana, quando uma nova e necessária denúncia foi publicada no programa Esporte Espetacular, a jornalista que assina a “reportagem” lança no seu Twitter pessoal, ávida para seus seguidores assistirem às novas falcatruas do “DEPARTAMENTO jurídico do Cruzeiro”. O honesto da parte dela teria sido escrever sobre o que realmente diz a investigação: as irregularidades apuradas (pela Polícia Federal) sobre o “DIRETOR jurídico do Cruzeiro”. Tanto ela quanto qualquer profissional de mídia sabem que a instituição Cruzeiro Esporte Clube é vítima e não autora das barbáries financeiras e gerenciais cometidas por dirigentes e conselheiros-funcionários.

Mas toda essa análise (que um dia ainda deve ser feita sobre a influência do dinheiro, da publicidade e da falta de democracia na mídia), no dia de hoje, não vale absolutamente nada, pois vivemos uma catarse coletiva causada pelo nosso desempenho medonho dentro das quatro linhas. Não há o que negar: o Cruzeiro se tornou o Cristo da vez.

Hoje, nós cruzeirenses formamos uma ilha isolada de 9 milhões de cabulosos num mar onde todos os outros torcedores brasileiros babam fel à espera de uma queda nossa. Totalmente previsível... Ou você não vibrou quando Corinthians, Palmeiras, Grêmio ou Inter, clubes multicampeões como nós, tombaram?

O Cruzeiro se tornou o Cristo da vez a ser pregado na cruz, para delírio de uma multidão insana de rivais e de cronistas de mesa redonda. O roteiro para isso segue sendo traçado: pilhagem financeira e moral do clube; denúncias jornalísticas reveladoras e fundamentais, mas sem o cuidado de separar CPFs do CNPJ da instituição usurpada; má gestão historicamente crônica; omissão nas fiscalizações e deliberações; desvio de investimentos e consequentes atrasos de salários; troca constante de treinadores e de filosofia de jogo; divisões no grupo de profissionais; e até a dupla “azar e VAR”.

Se isso que nos move não se chamasse Cruzeiro Esporte Clube e não tivesse uma história centenária de lisura (sem estuprador como troféu, sem rede de televisão como formadora de caixa/torcida e sem racista como santo), sentaríamos agora e nos deixaríamos ser crucificados.

Mas sim, companheiro, quem estará no campo na noite de hoje é a instituição Cruzeiro Esporte Clube e não os que tentaram destruí-la. Vamos ao Mineirão empurrar a Academia Celeste porque não construímos nossa história em cima de milagres. E por mais que bater o São Paulo num campeonato de pontos corridos possa parecer um, venceremos por uma questão sagrada diferente. Venceremos por nossa camisa.

 
 


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