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Estado de Minas BOLA MÚNDI

Seleção precisa de Neymar... e vice-versa

"Venha o título ou não no domingo, o melhor aprendizado que esta Copa América pode nos trazer é que a Seleção não é refém de ninguém"


postado em 04/07/2019 04:00


>> fredericoteixeira.mg@diariosassociados.com.br

O que não faz uma vitória sobre a Argentina... Seja entre torcedores, dirigentes, ex-jogadores ou profissionais da imprensa, não foram poucos os que passaram das críticas severas à euforia em relação à Seleção Brasileira em um intervalo de poucas horas. Sim, ganhar é bom. E dos hermanos, melhor ainda. Mas é preciso frieza para analisar o momento da equipe comandada por Tite e, principalmente, as perspectivas de futuro.

Garantida na final da Copa América, domingo, no Maracanã (o adversário seria definido após o fechamento da coluna), a Seleção Brasileira completará no sábado um ano de invencibilidade. A última derrota foi o fatídico 2 a 1 para a Bélgica, em 6 de julho de 2018, nas quartas de final da Copa da Rússia. Dali em diante, em que pese o baixo nível de alguns adversários como El Salvador, Honduras, Arábia Saudita, Camarões e Catar, foram 15 partidas, com 12 vitórias e apenas três empates (aproveitamento de 86,7%). E com um ‘detalhe’: seja por contusões ou “confusões”, Neymar só esteve presente em sete destes duelos.

Até mesmo por isso, muitos têm bradado que “o Brasil fica melhor sem Neymar”. Nem tanto, gente. Analiso tal pensamento quase como um devaneio. Mais correto seria dizer que a Seleção joga mais coletivamente, não necessariamente melhor... É fato que a “Neymardependência” atrapalhou a equipe em alguns momentos, mas a Seleção precisa de Neymar. E vice-versa.

Venha o título ou não no domingo, o melhor aprendizado que esta Copa América nos deixa é que a Seleção não é refém de ninguém. Cabe a Tite fazer com que seu maior craque se adapte a esta equipe mais “operária” – e não o contrário –, mas sem perder seu brilho próprio. Só aí poderemos começar a visualizar a busca do hexa em 2022, no Catar. É bom lembrar que, no pós-Copa, só encaramos uma Seleção europeia (3x1 na República Tcheca). É pouco. A equipe de Tite ainda precisa de testes mais cascudos, mas o caminho já está traçado. Só é preciso que não nos deixemos perder na euforia desenfreada nem no velho complexo de vira-latas.

Façanha sim!
Por pouco, a Copa Ouro da Concacaf não teve um finalista inédito. Apenas a 102ª colocada no ranking da Fifa, a Seleção do Haiti vendeu caro a derrota de 1 a 0 para o México (18º), na prorrogação, após um pênalti infantil. De toda forma, foi a melhor campanha do pequeno país caribenho em toda a história da competição, que havia vencido todos seus adversários até então (Ilhas Bermudas, Nicarágua, Costa Rica e Canadá). Um verdadeiro feito para uma nação que ainda tenta se recuperar da devastação promovida pelo terremoto que assolou o país em 2010. Em tempo: Estados Unidos e Jamaica disputavam na madrugada de hoje a outra semifinal. A decisão será no domingo.

Quanta diferença
Estados Unidos e Holanda farão domingo a final do Mundial Feminino, na França. Enquanto as holandesas chegam pela primeira vez à decisão, as norte-americanas não só são tricampeãs como foram ao pódio em todas as outras edições (vice em 2011 e 3º em 1995, 2003 e 2007). E ainda têm quatro ouros olímpicos... A receita para tanto sucesso? Investimento na educação, com liga universitária forte, estrutura profissional para as atletas, campeonatos adotando o modelo de franquias, exposição na mídia, investimento de grandes empresas, adesão crescente de público. Enquanto isso, sem apoio ou qualquer estrutura, o Brasil só foi vice-mundial em 2007 e prata olímpica em Atenas’2004 e Pequim’2008 pela dedicação de abnegadas e de fenômenos individuais como Sissi, Kátia Cilene, Pretinha, Formiga, Cristiane e Marta...

Confronto antecipado
As oitavas de final da Copa das Nações Africanas começam amanhã e já terão um duelo entre dois possíveis candidatos ao título: Nigéria e Camarões, que medem forças no sábado. O motivo foi a vitória de Madagascar sobre os nigerianos, que, classificados antecipadamente, pagaram o preço da prepotência ao escalarem um time misto. Outra disputa entre ‘gigantes’ será Gana x Tunísia, na segunda-feira. Únicos com 100% de aproveitamento, Egito, Argélia e Marrocos terão adversários teoricamente mais frágeis (África do Sul, Guiné e Benin, respectivamente). Senegal e Costa do Marfim correm por fora. As quartas de final já serão disputadas a partir de quarta-feira.

Até que enfim
Depois de 18 meses, enfim o Tottenham anunciou reforço para sua equipe! E em dose dupla: o atacante Jack Clarke, de apenas 18 anos, e o meia Ndombele, de 22. Enquanto a promessa inglesa ainda não defenderá a equipe (seguirá no Leeds United, para ganhar experiência), o francês chega com a responsa de ser a contratação mais cara da história do clube: 60 milhões de euros (R$ 260mi). Ao contrário do que possa parecer, os Hotspurs não estavam punidos de contratar. A diretoria do clube optou por voltar todos os recursos para a construção do moderníssimo estádio. Mesmo assim o time foi vice-campeão da Champions. O último reforço, em janeiro de 2018, havia sido o brasileiro Lucas Moura. Imagine se fosse aqui no Brasil...
 
(foto: Peter Endig/AFP - 6/3/19)
(foto: Peter Endig/AFP - 6/3/19)
 
De olho
Smith Rowe
Comparado ao belga De Bruyne, o armador inglês Smith Rowe (foto), que completa 19 anos ainda este mês, é uma aposta da nova geração do English Team. Habilidoso e veloz, também pode atuar como atacante. Criado na base do Arsenal, onde chegou aos 10 anos, teve as primeiras chances no time de cima na pré-temporada do ano passado (com direito a gol e assistência), sendo o primeiro atleta nascido no ano 2000 a atuar pelo clube. Também jogou algumas partidas da Liga Europa, mas, sem muito espaço, acabou emprestado ao RB Leipizig até junho de 2020. Na seleção desde o Sub-16, foi vice Europeu e Campeão Mundial Sub-17 em 2017.


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