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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Mangabeira não desenhou um galo - na verdade, trata-se de um corvo

O Atlético é o único time do mundo, em qualquer esporte, do sumô à queimada, que por duas vezes sai de um torneio ao mesmo tempo eliminado e invicto


02/10/2021 04:00 - atualizado 01/10/2021 23:33

Massa atleticana viu time ser eliminado no empate com o Palmeiras, mas agora quer o Brasileiro
Massa atleticana viu time ser eliminado no empate com o Palmeiras, mas agora quer o Brasileiro (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

O que fez o atleticano em outras vidas? Que pecado é esse que pagamos a tanto tempo em parcelas infinitas e que parece a fatura do meu cartão? Tamanho é o nosso azar, que fico a supor que o tal Mangabeira, chargista dos anos 30, não desenhou um galo – na verdade, trata-se de um corvo.

O Atlético é o único time do mundo, em qualquer esporte, do remo ao vôlei, do sumô à queimada, que por duas vezes sai de um torneio ao mesmo tempo eliminado e invicto. Em 1978 o raio caiu no Mineirão na final de 77. Agora o raio caiu de novo no mesmo lugar.

Por esse motivo não ando de avião. Os destemidos sempre me vêm com suas estatísticas, a provar que o doido sou eu, afinal, de Buenos Aires a Fortaleza vou sempre de carro, visto que o ser humano é bípede, às vezes quadrúpede, de qualquer maneira concebido para ter os pés no chão. No fim da numerália, digo apenas que sou atleticano, e que estamos em litígio com as estatísticas desde sempre e que raios caem sim no mesmo lugar – e comumente sobre as nossas cabeças.

O Atlético não tomou um único gol em setembro, quando jogou seis vezes – até tomar o único gol capaz de tirá-lo da final da Libertadores. Nathan Silva não erra – até errar bizonhamente no único lance fatal em 180 minutos. O “gol qualificado” é uma invenção para beneficiar o time que ataca – mas, ao contrário da lógica e da estatística, dessa vez premiou a retranca e o antijogo. Só penso no corvo de Edgar Allan Poe: “Nevermore”.

Meu filho chorava e dizia: “Nãããão, de novo nãããão!”. Tentei explicar a ele a beleza que se sucede: a gente cresce e, de repentemente, não chora mais nas derrotas, apenas nas vitórias. É uma incrível lição de vida, e blábláblá. Ele: “Eu nunca mais quero ver o Nathaaaaan! Vargas pé torto desgraçado!”. Pedi que ficasse calmo, que futebol não era pra isso, que um jogo é só um jogo. Desliguei o telefone e, com meu chassi de frango, fui brigar com um palmeirense que tinha entrado no nosso consulado pra fazer foto com a bandeira do Galo, porco dos infernos.

Pois bem, segue a vida – oh vida, oh ceús, oh azar. Hoje tem essa peleja com o Internacional, difícil e de certa forma decisiva, porque é a medida certa de como vamos reagir ao revés. Na quarta-feira não queria saber de Atlético, na quinta pensei: “Bem...”, na sexta já estava completamente abduzido pela tabela do Brasileirão. Vamo que vamo! Nossa revanche é não desistir.

O negócio é olhar a vida com positividade. Diego Costa, por exemplo, com certeza está com sorte no amor, porque no jogo tem dado um azar danado – primeiro machucou na primeira partida contra o Palmeiras, depois veio esse baculejo da PF por causa da jogatina. O melhor a fazer é deixá-lo, por ora, na companhia de sua consorte.

Vamo que vamo! Aqui é Galo, porra. Na quarta-feira o Francisco já acordou vestido de Galo, coitado, mora em São Paulo, e nessas horas palmeirense brota do asfalto. Quero ver é esse pessoal vestir a camisa do Palmeiras depois de entregar a paçoca pro Flamengo. Mas chega disso! Bora nóis, ganhar o Brasileiro, que no fundo é muito mais importante do que a Libertadores e o Mundial.

A propósito, o último jogo do Brasileirão vai se dar exatamente 50 anos depois do título de 1971 – no mesmíssimo dia, 19 de dezembro, salvo alguma alteração sempre possível. Seremos campeões antes disso, para que ninguém diga que ficamos 50 anos sem ganhar.



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