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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Em meu coração atleticano cabem mais times. Mas sem exagerar

Galo incondicional, tenho simpatia por equipes como o Vasco, Bahia, Palmeiras e até pelo nosso América


31/07/2021 04:00 - atualizado 31/07/2021 08:28

Pelo Brasileiro e pela Copa do Brasil, o Atlético atropelou o Bahia: que assim seja no novo confronto de quarta-feira (foto: RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS)
Pelo Brasileiro e pela Copa do Brasil, o Atlético atropelou o Bahia: que assim seja no novo confronto de quarta-feira (foto: RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS)
Não sei se o caro leitor cultiva, como eu, este péssimo sentimento, vil e desprezível, capaz de corroer as entranhas como um câncer silencioso. Devia ter aprendido com os Devotos do Ódio, a banda punk do Recife que tratou de arrancar a tempo o tumor, transformando-se tão somente nos Devotos, sabe-se lá de quê.

Como não aprendo, lá está este devoto de São Victor a destilar o seu veneno logo no comecinho do filme: “Eu odeio o Flamengo”. E pensado dirimir qualquer dúvida, ainda repito a infâmia: “Eu odeio o Flamengo”.

Bem, “Lutar, Lutar, Lutar” foi filmado em 2014, por esses tempos o ódio não era assim tão odioso, não havia um Gabinete do Ódio, e os Devotos estavam autorizados a devotar sem constrangimento, visto que se podia odiar mais ou menos à vontade.

Em 2021, ultrapassados os 550 mil mortos pela pandemia, incendiados a Amazônia e o Pantanal, vê-se a que desastre monumental a instituição do ódio foi capaz de nos levar. Hoje, eu teria dito outra coisa: eu detesto o Flamengo, eu repilo, eu abomino, tenho horror e aversão.
 
É curiosa a relação do torcedor com os outros times. Por razões de Flamengo, desde cedo me tornei um pouco vascaíno. Contribuiu para isso, decisivamente, ter sido o Vasco o time do meu pai quando criança, motivo pelo qual ele havia desenhado um grande escudo no quartinho de lenha da casa da minha avó, em Araxá. Além de que, eu tinha um primo carioca e vascaíno meio torcedor do Galo, o que me obrigava à contrapartida solidária. Ademais, quem conhece a histórica luta do Vasco contra o racismo será inevitavelmente um pouco vascaíno.

Eu sigo as ordens do partido – no caso, a Galoucura. De modo que sou Grêmio, Coritiba, Vasco (“Vascão, Galão, torcida de irmão!”), Palmeiras (“União sinistra, que ninguém segura, Mancha Verde e Galoucura!”), Bahia, Santa Cruz e Ceará. Desses todos, guardo com orgulho e carinho duas camisas, a do Vasco de 1976 e a do Bahia de 1988.

Junto com as três do Caraíva Futebol Clube, são as únicas intrusas entre as 90 camisas do Atlético da minha coleção. Quer dizer, tenho uma do Borussia e duas do Estudiantes – mas essas eu contabilizo entre as 90 do Galão.

Sem querer cometer um sincericídio, confesso também uma certa simpatia pelo América, o nosso arquifreguês, onde joguei futsal por quase uma década (sem nunca ter ganhado do Galo, sempre importante ressaltar).

Houve ainda uma fase em que tomei gosto pelo Botafogo, veja você. Meu amigo Luiz, somado aos Moreira Salles, acrescido de um cunhado e um sobrinho, computada a Beth Carvalho, fazia da torcida deles, na minha visão, a que possuía o maior número de gente fina por metro quadrado – fato que até hoje me chama a atenção, especialmente pela presença do Pará (do Boteco do Pará), do Adnet, do Felipe Neto e do Chico César. Por razões de Carlos Eugênio Simon, passei a odiar o Botafogo a partir de 2007.

Ops, passei a repelir, e de forma crescente, à medida em que se tornaram uma pedra na nossa chuteira.

Nesse intricado jogo das relações com os outros times, perdi o fio da meada sobre a opção pelo Bahia – jamais seria Vitória, não me cai bem a camisa rubro-negra, horrorosa. Talvez seja uma influência de Caetano. Ou não. Talvez o Gilberto Gil, que, dizem, só mandou aquele abraço pra torcida do Flamengo porque, sendo meio Fluminense, estaria apenas a tirar uma onda com os derrotados na final do Carioca de 1969.

Seja como for, tenho lá o meu manto azul e vermelho, safra 88 – “quem não amou a elegância sutil de Bobô?”, perguntou Caetano, melhor ainda na voz da Bethânia, outra a torcer pelo Bahia e simpatizar com o Fluminense, que repilo desde a virada de mesa e abomino a partir de 2012, por motivos de CBFlu.

Com Botafogo e Goiás na série B, e o Criciúma na C, temi que o Bahia viesse a se transformar em carrasco preferencial a partir deste certame, despertando o Bolsonaro que há dentro de mim, pleno de ascos e maledicências.

Ainda bem que metemos neles uma baciada de gols, 3 a 0 outro dia, 2 a 0 na quarta passada, de modo que a recíproca não deve ser verdadeira, mas a gente segue podendo gostar deles.

Bora Bahêa, minha porra, tomar mais sacolada semana que vem! Assim, evita de a camisa do Bobô se juntar às da selecinha da CBF, engolidas pela garganta profunda de alguma gaveta secreta, corroídas por traças antifascistas.

Antes do Bahia, tem o Aflético do Paraguai, amanhã. Todo cuidado é pouco com esse misterioso Aflético. É um time que fez do Tiago Nunes um grande técnico, e do Terans, um grande jogador. Merece ser estudado – pela Nasa. No mais, honremos os amigos da Império Alviverde! Como manda o partido.

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