Essa é a pergunta mais idiota que alguém poderia fazer em um momento de conflito. Tão ilógica que só poderia sair da boca de um ser apartado das relações humanas, como algum inteligentinho, politizado, militante ou coisa do tipo. Não há lado que justifique atrocidades.
Claro que a guerra, esse estado primitivo da humanidade, não é assunto para acadêmicos. Ela mostra o terror daquilo que somos quando as palavras, elemento que distingue o homem de outros seres, não dão conta de resolver as questões. Por isso que o conflito armado é a morte da linguagem.
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O único embate que vale a pena é aquele travado entre civilização e barbárie. Sem se arriscar ao terreno das análises políticas e conjunturais a respeito do Oriente Médio, nós, ocidentais, devemos nos recolher à insignificância daqueles que só observam e torcer para que o conflito termine, o quanto antes.
Desde Thomas Hobbes percebemos que o homem é o lobo do homem, e seu estado natural é programado para repelir qualquer outro ser que não seja ele mesmo. Por isso, precisamos da cultura, das leis, da sociedade e de outros tantos mecanismos que nos impedem de ser quem somos: um bicho cruel pronto a atacar.
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Na ânsia de erguer uma divisória clara entre mal e bem nos esquecemos que, dentro nós, essas duas dimensões éticas convivem, dependendo do momento, sobressaindo ora a bondade, ora a maldade. Não existe uma linha tão clara para diferenciar uma coisa de outra.
A única certeza é a de que o senhor da guerra não gosta de crianças. Também não tolera civis, idosos, doentes, mulheres ou qualquer outro incapaz de apontar uma arma ao seu semelhante. A questão não é ser “pró” ou “contra”, mas relembrar que esse estado primitivo é capaz de determinar nossas ações, em casa, no trabalho, no trânsito, no estádio de futebol e no almoço de domingo.
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Todo aquele, ou aquela, que justifica um ato terrorista com a pretensão de estar “ao lado do bem” deve ser evitado. Não há ciência política que justifique a morte de uma criança, não há economia que tente se reerguer a partir da dizimação de pessoas, não há fronteira capaz dar sentido à dor daqueles que choram seus entes queridos.
Enquanto tomamos nosso café da tarde, em meio aos vídeos compartilhados e a opinião de entendedores que analisam de binóculo, a vida, em um campo de batalha, se desvela em toda sua crueldade, bem diferente daquilo que acostumamos chamar de rotina.
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Enfim, a guerra não é mesmo assunto para intelectuais.