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Estado de Minas FERNANDO CALMON

Celular sobre rodas

Sem ninguém ao volante, ainda estará limitado a serviços em percursos restritos e dentro de perímetro de cerca eletrônica


postado em 19/10/2019 04:00

A Ford prometeu lançar seu primeiro modelo 100% autônomo em 2021, nos Estados Unidos(foto: Ford/Divulgação)
A Ford prometeu lançar seu primeiro modelo 100% autônomo em 2021, nos Estados Unidos (foto: Ford/Divulgação)

 
 
Se há um tema que provoca muitas dúvidas e, às vezes, discussões acaloradas é a condução autônoma. Dividida em cinco níveis, dos quais os três primeiros já apontam para uma tecnologia praticamente dominada e os dois últimos ainda por definir prazos, este recurso vai se incorporar ao dia a dia inexoravelmente. O problema é saber quando, de que forma e por quanto.
 
O atual Nível 3 de autonomia está disponível em, pelo menos, três modelos no exterior: Tesla 3, Cadillac CT6 e Audi A8. Vários outros fabricantes dispõem de tecnologia semelhante, mas relutam em oferecer: temem o mau uso do recurso. Na Europa não é possível, ainda, homologar um veículo desse tipo para rodar em estradas e ruas de livre trânsito. Já os EUA liberaram, mesmo depois de alguns acidentes.
 
O risco do Nível 3 é a possibilidade de burlar o sistema, que se desliga automaticamente dependendo de certos fatores, entre eles velocidade, número de faixas de rolamento, sinalização horizontal e vertical e vias expressas. No Tesla, por exemplo, há uma zona cinzenta entre os Níveis 2 e 3. Basta, por exemplo, um leve encostar de mão ou perna no volante para o carro seguir em frente de forma autônoma.

Os EUA argumentam que muitas vidas foram poupadas em acidentes evitados, apesar de imperfeições, uso abusivo e mortes. O Nível 4, totalmente autônomo, se mantém em testes. Mas, quando alcançar homologação, entre 2020 e 2021, o preço será muito alto. Sem ninguém ao volante, ainda estará limitado a serviços em percursos restritos e dentro de perímetro de cerca eletrônica.
Algumas empresas, como a fabricante alemã de equipamentos ZF, afirmam que antes de 2030 a tecnologia não estará madura para o chamado robô-táxi de livre circulação. A Ford também argumenta existir um otimismo exagerado com os prazos. A Waymo, subsidiária do Google para automação veicular, segue em frente com os testes, porém, visa ao uso comercial no transporte de pessoas e bens.
 
Interessante são as apostas em conectividade, via rede celular 5G, capazes de reduzir a frequência de acidentes por uma fração do custo de um veículo totalmente autônomo. Essa alternativa vai se expandir logo que a comunicação pelo ar, até 20 vezes mais rápida que a 4G atual, for sendo implantada ao redor do mundo. Conhecida pela sigla em inglês C-V2X (veículo conectado a tudo via celular), permitirá interações bastante eficientes a fim de antecipar situações de perigo que o próprio motorista ou o carro poderão evitar.
 
A empresa iniciante (startup) israelense Waycare é uma das especialistas nisso. Em vez de investir em caríssimos equipamentos para que o motorista esqueça o volante – se tiver dinheiro suficiente para adquirir um automóvel autônomo de Nível 4 – ela trabalha com os administradores de trânsito. Estes poderão analisar, em tempo real ou bem próximo a isso, as situações de risco e avisar aos motoristas no intuito de evitar colisões.
 
Quanto ao Nível 5, quando se eliminarão volante e pedais nos autônomos, é algo tão caro que ninguém, hoje, consegue calcular com o mínimo de exatidão o seu preço. Muito melhor investir no que está à mão: um telefone celular ultrarrápido sobre rodas.
 
alta roda
 
CONFIRMADO o investimento de R$ 220 milhões da PSA, em sua fábrica de Porto Real (RJ), para produção de modelos compactos e médios-compactos sob a nova arquitetura modular CMP. Argentina já garantiu a fabricação, em 2020, do novo Peugeot 208 e também o 2008. Fontes da coluna indicam que, no Brasil, começará pela nova geração do Citroën C3, em 2021.

PROGRAMA IncentivAuto, do governo paulista, aprovado pela Assembleia Legislativa, poderá ser o último ainda sob as regras que devem mudar com a reforma tributária nacional. Incentivos são moderados: 2,5% de isenção do ICMS para cada R$ 1 bilhão investido e mínimo de 400 novos empregos diretos. Pode ajudar nessa fase inicial de recuperação econômica do país.

CIVIC Touring só desaponta pelo preço alto, pois, continua a impressionar no uso urbano e em estradas pela dirigibilidade de alto nível. Motor turbo (173cv) garante bom desempenho sem consumo exagerado, embora o câmbio CVT imponha limites. Freio de autoimobilização eletromecânico (auto-hold) é extremamente útil no para e anda do trânsito.

ALTERNATIVAS como gás (natural ou biogás) podem ajudar na diminuição de emissões em ônibus e caminhões, explicitadas na feira do setor, Fenatran, em São Paulo. Cummins, Scania e Iveco oferecem essa solução. Mercedes-Benz aposta no óleo vegetal (HVO), utilizável de imediato. VW desenvolve aplicações elétricas para entregas urbanas, mas preço muito elevado atrapalha. 

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