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Estado de Minas DICAS DE PORTUGUÊS

O dólar dispara, desafiando a língua portuguesa

Confira dicas de como tratar a verdinha sem assaltar a gramática


postado em 04/12/2019 04:00


O limite
E o dólar, hem? O preço disparou. A verdinha criou asas e voa, voa, voa. Onde vai pousar? Ninguém sabe. O céu o limite. Enquanto isso, nós, neste país tropical, botamos a barba de molho, mantemos os ouvidos atentos e os olhos abertos.

É aí que a porca torce o rabo. O noticiário não para de falar no assunto. Não raro dá um baita susto na gente. Fala em “preço caro”. Bobeia. Caro e barato estão subentendidos na palavra.

O preço é alto ou baixo. O bem ou o serviço, caro ou barato.

Compare: O dólar está caro. O preço do dólar está alto. Passagens de avião domésticas são muito caras. O preço das passagens de avião domésticas é alto. O ovo é barato. O preço do ovo é baixo.


Notícia triste
Oba! A moçada programou um baile funk em Paraisópolis. Amigos convidaram amigos. Havia jovens de outros bairros. A festa corria solta. De repente, a polícia apareceu. E, com ela, pancadas, gás, perseguição. Muitos correram. Não sabiam que a rua era sem saída. Nove morreram pisoteados. E daí? Fica por isso mesmo? É o que todos perguntam. Com a palavra, o governador.


Paradoxo
O nome da cidade remete ao éden. Paraisópolis se forma de duas palavras. Ambas greguinhas da silva. Uma: paraíso. A polissílaba quer dizer lugar de delícias e prazeres. A outra: pólis, que significa cidade. É a mesma que aparece em Petrópolis (cidade de Pedro), Teresópolis (cidade de Teresa), Anápolis (cidade de Ana). E, claro, Paraisópolis, cidade do paraíso.


A razão
Paraíso tem acento no i. Paraisópolis o transfere para o o. Por quê? A razão é simples como andar pra frente. O acento é dedo-duro. Denuncia a sílaba tônica. Onde aparece, lá está a fortona. Daí por que costumamos brincar com três palavras escritas do mesmo jeitinho. Mas o acento (ou a falta de acento) lhes muda o significado – sabia, sábia, sabiá.


Questão de gosto
“O Lula prefere o Bolsonaro do que eu”, disse Ciro Gomes em entrevista na GloboNews. O cearense não mede palavras. Fala sem pensar nas consequências. A língua colabora. Diz o que ele quer dizer. Mas ela não leva desaforo pra casa. E Ciro a agrediu.

Desrespeitou a regência do verbo preferir. A gente prefere uma coisa a outra, uma pessoa a outra. O homem que disputou a Presidência da República em 2018 mereceria banda de música e tapete vermelho se tivesse dito: O Lula prefere Bolsonaro a mim. Eu prefiro teatro a cinema. Os alunos preferem falar a escrever.


Leitor pergunta
Sempre tratei alface e mascote como palavras masculinas. Mas, outro dia, li que ambas são femininas. Verdade? Estou em estado de choque até agora.
. Celi Graciosa, Erexim

Acredite. Alface e mascote são ilustres senhoras. Femininas, não abrem mão da saia, do batom e do salto alto nem a pedido dos deuses do Olimpo: Gosto muito da alface americana. Soube que a alface acalma. O tatu-bola foi a mascote da Copa do Mundo de 2014. Não deu sorte. Pela primeira vez, o Brasil amargou sete gols na rede. Cruz-credo! Valha-nos, Deus!


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