Jornal Estado de Minas

COMPORTAMENTO E SAÚDE MENTAL

Orgulho gay, orientação sexual, respeito e ponto

Mão direita fechada, com o pulso pintado nas cores da bandeira LGBTQIAPN+, para cima, demonstrando a determinação em lutar por espaço, dignidade e respeito (foto: Freepik )


O mês do orgulho gay e os vários eventos, como a parada gay em São Paulo e em Horizonte, são ações que estimulam diversas reflexões sobre cidadania em relação a orientação sexual, travestis, transexuais (homens e mulheres trans) e não-binárias (que não se reconhecem nem como homens nem como mulheres), ou seja, a comunidade representada pela sigla LGBTQIAPN+. 





 

A primeira passeata do orgulho ocorreu em 1970 e, atualmente, é um marco da comemoração, com São Paulo tendo realizado a maior do mundo. A liberdade de expressão expandiu e as pessoas buscam se mostrar e se empoderar. A verdade é que já se registra uma evolução social neste sentido, ainda que pequena, contudo, a comunidade está se movimentando para conquistar mais espaço. Afinal, anteriormente, por exemplo, a homossexualidade chegou a ser considerada uma doença. 

 

Além do convívio social, um dos maiores desafios, considerado por muitos, é quando se descobrem e vão se “assumir “ para as famílias. Nesse momento, é importante que, mesmo sem entender, os pais acolham e aceitem os filhos, afinal, infelizmente, já serão julgados fora de casa. Assim, é imprescindível terem segurança e liberdade em casa para serem quem são. 

 

Já entre as famílias mais tradicionais e conservadoras, é necessária  uma reconstrução de valores, de diálogos e de ressignificação. Reconstruir é essencial e sempre muito desafiador. A recomendação é que os pais pesquisem e estudem para entender que nunca se tratou de “doença” ou um “problema”.





 

A pessoa já nasce e se identifica com o gênero diferente de seu físico. Por isso, mais informações são necessárias para famílias, visando contribuir com uma sociedade mais flexível e abrangente. Afinal, é possível, sim, construir um mundo melhor para todos com respeito. 

A evolução e mudança de pensamento nos últimos anos é, de certa maneira, visível. Porém, a estrada pela busca por cada vez mais direitos ainda é longa e esburacada, de forma que ainda é preciso lidar com a discriminação e, lamentavelmente, outros tipos de violência além da física, como a verbal e psicológica. Uma esperança está na presença cada vez maior de pessoas LGBTQIAPN ocupando cargos políticos e entendendo muito bem quais mudanças precisam ser implementadas, sendo alguns, entre eles, os principais representantes. 

 

A primeira deputada federal trans do Brasil, a mineira Duda Salabert, foi eleita na última eleição, sendo uma representante dessa comunidade. Ela é professora de literatura e ambientalista e teve mais de 200 mil votos. A história de Duda está enraizada de sentimentos e vitórias, ou seja, ela conta o que todos passaram e, nesse “todo”, as pessoas se identificam e se tornam empoderadas também. A educadora é uma mentora, agrega valor aos LGBTQUIAPN e representa uma oportunidade, apesar das dificuldades e do sofrimento que enfrentam diariamente. 





 

A questão da orientação sexual e o amor entre iguais não é, e não deve ser, motivo de vergonha, sendo um sentimento experienciado por todos os seres humanos. Não é determinado com base no sexo de nascimento e não se deve esconder quem realmente é e ama por medo da reação da família e da violência do mundo, promovida pelo pensamento limitado de algumas pessoas. 

 

O que precisa ficar claro é que a real questão está no conflito de geração. Qual a geração e como essa geração encara a orientação sexual? De acordo com cada geração, existe um conflito de geração.
 

Mão direita fechada, com o pulso pintado nas cores da bandeira LGBTQIAPN+, para cima, demonstrando a determinação em lutar por espaço, dignidade e respeito (foto: Freepik )
 

Afinal, para se ter uma ideia, ocorre uma disputa por território. Isso quer dizer que, se eu não concordo, então todo mundo não deve concordar, porque eu faço parte dessa geração que abomina o fato. Dessa forma, quanto mais gerações passadas se posicionam, mais é um “não” e mais é um “não aceito”. 





 

A geração atual é uma geração mais “google”. É mais cibernética, buscando informação rápida. As pessoas não têm nem tempo de permitir ou não. Acontece. Vai acontecendo. Não tem opinião. Não tem crítica, Tudo para ser contra costumes anteriores tá valendo. É uma geração que não aceita frustração e, assim, não cresce, não tem autonomia nem maturidade. A questão não é aceitar ou não. 

 

A questão é respeitar o que os outros querem. É preciso respeitar todas as escolhas em relação à orientação sexual, independentemente do credo e da posição, enquanto ser humano socialmente estruturado. Respeito é essencial. 

 

Agora, a consequência em relação a uma escolha, cada um terá de lidar com a sua e isso é outra situação. A questão não é amor. É a orientação sexual e ponto.