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Estado de Minas PADECENDO

Quarentena e saúde mental

'Não estou dizendo que vai ser fácil, mas digo que precisamos nos adaptar e deixar as coisas mais leves no ambiente doméstico e no trabalho'


postado em 05/04/2020 04:00

 

Passar vários dias sem sair de casa, convivendo com a família o tempo todo. Dividir-se entre trabalho, tarefas da casa, filhos, se preocupar com as contas a pagar e ainda acompanhar as notícias sobre a pandemia no Brasil e no mundo.

 

Algumas pessoas preferem se alienar, outras entram em desespero. Nenhuma das alternativas é a ideal. Medo paralisa, alienação nos deixam desprotegidos. Como bem disse uma amiga, Joana Farnezi, a quarentena se parece com o puerpério: “A gente dá à luz e volta pra casa, sente uma angústia parecida com essa. Vem uma sensação de medo indescritível de perder algo muito importante, talvez seja o bebê, ou será aquela que a gente já foi e não voltará a ser nunca mais? Permanecemos no resguardo, recuperando em meio ao 'blue', cabeça à mil, insones na madrugada, sonolentas de dia. Mesclando pijamas e roupas confortáveis, buscando comidas que nos acalentem. Dá uma vontade enorme de sair pra rua, ver gente, mas permanecemos entre sala, cozinha e quarto. Exaustas. Até ensandecidas. Cada dia tem seu peso. Vamos conhecendo coisas incríveis sobre nós mesmas”.

 

O que não tem remédio, remediado está. Procure ver as coisas boas que também estão acontecendo em meio ao caos. Não estou dizendo que vai ser fácil, mas digo que precisamos nos adaptar e deixar as coisas mais leves no ambiente doméstico e no trabalho.

 

Já trabalho em casa há seis anos, e há três anos não tenho empregada doméstica nem faxineira. Comprei um robô que aspira o chão há dois anos e meio, o que me economiza o trabalho de varrer a casa, e até de passar o mop com frequência. O mop também ajuda muito, bem mais prático que rodo e pano de chão.

 

Não usamos sapato em casa, tem uma sapateira e uma cadeira na entrada, quem chega senta e tira o sapato na área suja e guarda.

 

Aprendi a cozinhar e não gasto muito tempo na cozinha. As louças o marido lava, ele também cuida das plantas, põe roupa para lavar, faz supermercado e o entretenimento kids noturno também é dele.

 

Ficar de pijama o dia todo não ajuda, não precisa ficar toda arrumada, mas colocar uma roupa bonita e confortável faz bem. Dá aquela sensação de que você se arrumou para começar um dia de trabalho. Básica, mas apresentável.

 

Defina os horários para as crianças assistirem à TV, desenhar, fazer tarefas que a escola esteja enviando. Estou bancando a professora. Mas tem que rebolar porque eles chamam “mein mein” toda hora mesmo. Especialmente quando você se senta na frente do computador para trabalhar.

 

Para quem não tem tempo de cozinhar, vale pedir delivery, tem muito restaurante fazendo entrega e eles estão tomando os cuidados necessários com a higiene.

 

Eu trato depressão, tomo remédios e estou conseguindo me manter equilibrada. Medito duas vezes por dia. Faço aula de hatha yoga pelo YouTube. Chego na janela e vejo o céu mais limpo, a poluição se foi. Falo com a família por vídeo. Assisto a um filme, a uma série. Leio um livro.

 

Para quem não está trabalhando, quem é empreendedora e precisou parar, tente aproveitar o ócio, pode ser produtivo. Tem vários cursos on-line gratuitos disponíveis. Você pode gerar conteúdo para seus clientes e pensar em alternativas para o seu negócio durante esse tempo. Só não pode deixar a peteca cair.

 

Conversei com a Cecília Caetano, gerente de marketing e consultora na área formada em comunicação com MBA em Marketing Estratégico e ela afirmou:

 

“Não vai adiantar abrir comércio agora. O consumidor não vai comprar produto que não seja de primeira necessidade. Além do medo de sair de casa e ficar circulando por aí, tem a questão econômica. Ele está com medo de gastar. Além do medo de morrer e de gastar, ele não está com espírito de consumo. E daqui a algumas semanas, a tendência é que esse psicológico esteja ainda pior, diante do aumento exponencial de doentes e mortos. Então, para quem está aí desesperado vendo sua receita ir a zero, pense duas coisas: 1. No que você pode fazer para ter algum fôlego daqui a uns 60 dias.

 

2. Trabalhar sua empresa, seja pelo Instagram, Facebook, ou WhatsApp, por exemplo, gerando valor para os seus clientes neste momento. Para que eles guardem uma consciência de marca positiva sobre seu negócio.

 

E quando tudo isso passar, esteja preparado, porque haverá uma explosão de consumo. As pessoas vão querer retomar a normalidade o quanto antes, e isso inclui consumir. Estamos trabalhando com uma demanda represada, que romperá ao final da crise de saúde.”

 

Aqui onde moro, um grupo de mulheres se juntou para fazer marmitas para os moradores de rua, eles estão passando fome porque não têm a quem recorrer agora que está tudo fechado.

 

Eu vivi o Plano Collor, vi muita gente em desespero. Passamos muito aperto, muito mesmo. Sobrevivemos à crise. Agora, vamos sobreviver ao coronavírus. Só precisamos ser resilientes. A economia a gente recupera, a vida, não!


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