O vice–presidente da República, General Hamilton Mourão, afirmou, ontem, que o Brasil não concorda com a invasão da Rússia à Ucrânia. O presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) ainda não se pronunciou.
“O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade”. A declaração é de Mourão na chegada ao Palácio do Planalto.
No fim da manhã de ontem, o Palácio do Itamaraty publicou nota em que diz que o Brasil apela para o fim das hostilidades na Ucrânia. “O Brasil apela à suspensão imediata das hostilidades e ao início de negociações conducentes a uma solução diplomática para a questão, com base nos Acordos de Minsk e que leve em conta os legítimos interesses de segurança de todas as partes envolvidas e a proteção da população civil”.
Pelo Twitter, usuários se manifestaram ontem pedindo que o presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro (PL) não se pronuncie sobre a questão. Os internautas temem que o presidente dê passos falhos na diplomacia. Pelo menos 500 brasileiros vivem no país. O registro oficial partiu da Embaixada do Brasil em Kiev.
A Embaixada do Brasil em Kiev, capital da Ucrânia, recomendou que os brasileiros que vivem no país “possam deslocar–se por meios próprios para outros países ao Oeste da Ucrânia. E que o façam tão logo possível, depois de se informarem sobre a situação de segurança local”.
Morando há cinco anos em Varsóvia, na capital da Polônia, um mineiro de 40 anos, que evitou se identificar por medo de represálias, destacou não imaginar que um dia ficaria em estado de alerta. O motivo é que ele tem medo da Rússia de ser monitorado, já que trabalha diretamente tanto com russos quanto ucranianos em sua equipe.
O secretário–geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, A invasão da Ucrânia “é um erro, é inadmissível, mas não é irreversível”, repetiu para deixar claro, antes de acrescentar: “reitero meu apelo ao presidente Putin pare a operação militar e mande as tropas voltar para a Rússia”.
Por fim, tem outro secretário–geral e, com ele, fica ainda mais difícil para a Rússia. Trata–se de Jens Stoltenberg, o secretário–geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ele afirmou que a aliança está “trabalhando com a União Europeia, impondo sanções econômicas severas para demonstrar que será um preço muito alto para a Rússia”.
Vale a torcida
Os 20 jogadores de futebol que atuam em times profissionais na Ucrânia e que agora estão recolhidos em um hotel para tentarem se proteger dos bombardeios da Rússia, pediram, ontem, ajuda a outro brasileiro. Eles apelaram para o goleiro do Benfica, em Portugal, Helton Leite, para que pedisse ao pai, deputado João Leite (PSDB) ajuda para deixarem o país. Alguns desses jogadores já atuaram em Portugal. O parlamentar pediu ajuda ao deputado federal, Aécio Neves, presidente da Comissão de Relações Internacional na Câmara Federal, que já está tomando providências. Agora é torcer.
Cadeira na ONU
Presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) pede que o Brasil utilize a cadeira no Conselho de Segurança da ONU para incentivar a resolução da guerra na Ucrânia pela paz. Em nota, a Comissão manifesta repúdio à invasão russa no país do Leste europeu e alerta que o ato deve “ser fortemente condenado pelas instâncias multilaterais e os governos democráticos.” Diz ainda que “Os bombardeios russos contra a Ucrânia, país soberano que conquistou sua Independência em 1991, violam as regras e normas internacionais “
Só destruição
Depois de longa tentativa para mostrar a sua trajetória política, o ex–presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou ser “importante que essas pessoas aprendam que a guerra não leva a nada, a não ser destruição, desemprego, desespero, fome. O ser humano tem que tomar juízo resolver suas divergências em uma mesa de negociação, nunca em um campo de batalha”. E claro não perdeu a caminhada: “parece até uma piada. O Bolsonaro foi lá dizendo que ia resolver a paz e agora eu acho que é importante mandar ele lá para Ucrânia para ver se ele consegue resolver o problema lá”.
Paz é solução
“A magnitude da atual crise e sua rápida deterioração têm potencial de impactos político, econômico e social difíceis de imaginar. Todavia, nossa crença na democracia, na convivência harmoniosa, no respeito aos direitos humanos e no multilateralismo consagrado pelos princípios das Nações Unidas nos leva a renovar nossa melhor expectativa de uma solução pacífica”. O registro é do presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD–MG), Ele expressou em nota oficial sua inquietação diante do “agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia”.
Perto do povo?
Enquanto o mundo parou por causa da Rússia, vale este registro: “Assistimos, ao longo dos últimos dois últimos anos, vimos e sentimos na pele protótipos de ditadores por todo o Brasil. Esses aprendizes de ditadores tomaram medidas, algumas populistas e outras não pensadas, que afetaram diretamente nossas vidas. Ser líder não é estar ao lado do politicamente correto. É decidir por gestos, e por exemplo, estar ao lado do povo”. Entendeu? Nem eu, mas o registro partiu do presidente, Jair Messias Bolsonaro (PL). Ele inaugurou um trecho da duplicação da BR–153.
Pinga-fogo
Sabe aquele jingle “Lula Lá”, da campanha de 1989, que resultou em um vídeo famoso, que reuniu a nata dos artistas mais importantes do Brasil, cantando em coro, e que representou um apoio precioso para o candidato petista?
O arranjo original, assinado pelo virtuose maestro Wagner Tiso, um dos fundadores do Clube da Esquina e também um dos fundadores do PT. Ele vai ganhar a segunda versão, adaptada aos novos tempos. A ideia partiu do próprio Tiso, que já combinou com o partido.
A partir das 18 horas desta sexta-feira, a fachada do Palácio da Inconfidência, sede da Assembleia Legislativa (ALMG), recebe iluminação especial com as cores lilás, azul, verde e rosa, pelo Dia Mundial das Doenças Raras que é 29 de fevereiro. Ele foi antecipado por este ano ser bissexto.
Estima–se que 13 milhões de pessoas vivam no país com doenças raras. Existem de seis a oito mil tipos de doenças raras, e 30% dos pacientes acometidos por elas morrem antes dos cinco anos de idade: 75% delas afetam crianças e 80% têm origem genética.
Sendo assim, é chegada a hora de encerrar, a semana está terminando. FIM!