Publicidade

Estado de Minas EM DIA COM A POLÍTICA

Muita confusão e nenhuma definição


postado em 25/08/2019 04:00 / atualizado em 24/08/2019 23:24

Os incêndios na Amazônia foram protagonistas em vários momentos do encontro de ontem do G7(foto: Carl de Souza/AFP)
Os incêndios na Amazônia foram protagonistas em vários momentos do encontro de ontem do G7 (foto: Carl de Souza/AFP)

Os incêndios na Amazônia foram protagonistas no encontro do G7. O acordo da União Europeia e o Mercosul acabou praticamente deixado para lá

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) falou ontem com os jornalistas na saída da residência oficial do Palácio da Alvorada, para um almoço com o general Hamilton Mourão, no Palácio do Jaburu, residência oficial dos vice-presidentes. Disse que “está indo pra normalidade essa questão”. Claro que ele falava da Amazônia.

“Apoiamos o acordo UE-Mercosul, que implica a proteção do clima, mas é difícil imaginar uma ratificação harmoniosa enquanto o presidente brasileiro permite a destruição dos espaços verdes do planeta”, declarou Donald Tusk, que preside o Conselho Europeu, uma instituição da União Europeia de caráter eminentemente político e composto pelos chefes de Estado ou de Governo.

“Forest fires exist in the whole world and this cannot serve as a pretext for possible international sanctions,” Bolsonaro said in his brieffing. Em cadeia nacional foi a declaração do presidente da República.

O pretexto de sofrer sanções que rejeitou saiu pela culatra. “A floresta não está pegando fogo como o pessoal está dizendo. O fogo é onde o pessoal desmata”, ressaltou Bolsonaro. E alegou que incêndios florestais existem no mundo inteiro e não pode servir como pretexto para sanções internacionais.

O detalhe é que em plena crise internacional envolvendo queimadas na Amazônia, o presidente decidiu terminar a noite de sexta-feira em um show de “stand up” do humorista Jonathan Nemer, que com muita alegria anunciou: “Sejam muito bem-vindos, Sr. presidente Jair Messias Bolsonaro e primeira-dama Michelle Bolsonaro”.

Mas não conseguiu impedir as notícias que levantaram voo mundo afora. E muito menos os panelaços em diversos lugares durante o seu pronunciamento em cadeia de rádio e TV e isso sem contar uma coleção de tuítes publicados na rede.

Faltou falar do G7. E os incêndios na Amazônia foram protagonistas no encontro de ontem em vários momentos. O acordo da União Europeia e o Mercosul, por exemplo, acabou praticamente deixado pra lá, à espera de um momento com menos confusão. Se interesses de cá e de lá já eram complicados, com o fogo ardente, a desculpa veio a calhar para adiar qualquer decisão que pudesse ser duradoura. E assim aconteceu.


Mais um pouco...

“É preciso levar em conta que outra parte dessa campanha contra o Brasil vem de entidades ambientalistas, de ONGs descontentes com o fim dos recursos fartos que elas recebiam, porque estamos fechando a torneira”, garante o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Antes, também o ministro da Educação, Abraham Weintraub, já tinha declarado.“A crise Amazônica é falsa…  Isso, combinado com ONGs, esquerda e ‘artistas’, revoltados com o fim da mamata e que podem prejudicar os brasileiros.”


O ministério do...

...Turismo informa: “O rally promove ainda um dos maiores programas de responsabilidade socioambiental entre competições do gênero no mundo. Por meio do projeto Saúde e Alegria nos Sertões, médicos voluntários realizam atendimentos dermatológicos, ginecológicos, oftalmológicos e odontológicos a moradores do percurso, com o auxílio de duas carretas adaptadas e o posterior acompanhamento de pacientes. A preservação ambiental também é uma das preocupações, com o recolhimento de todo o lixo gerado pela competição”. Deve ser saudável.

Dilma em BH

Ao participar do lançamento da candidatura à reeleição da presidente do PT, Gleisi Hoffman (PR), em Belo Horizonte, quem reapareceu em cena foi a ex-presidente Dilma Rousseff (PT)e não perdeu a caminhada. Partiu com armas e palavras para cima de Bolsonaro, tratando como uma “ameaça à soberania nacional”. Entre os ataques, citou que “a Petrobras e a Eletrobras estão ameaçadas”. O encontro petista foi em uma escola de samba, só que faltou um tamborim. O ex-governador Fernando Pimentel, seu amigo desde a guerrilha na época da ditadura militar, não esteve no evento.

Dia do Soldado

As corporações que serão condecoradas são as seguintes: 10º Batalhão de Infantaria de Juiz de Fora (Zona da Mata), 12º Batalhão de Infantaria de Belo Horizonte, Cavalaria dos Dragões Reais de Minas, 11º Batalhão de Infantaria de Montanha de São João del-Rei (Região Central), Comando Militar do Leste, 4ª Brigada de Infantaria Leve Montanha de Juiz de Fora, Força Aérea Brasileira, Marinha do Brasil, Escola de Sargentos das Armas (ESA) de Três Corações, no Sul de Minas. Tudo isso para comemorar amanhã à noite o Dia do Soldado em Reunião Especial de Plenário na Assembleia Legislativa (ALMG). O requerimento é do deputado Coronel Henrique (PSL).

Dia do Maçom

A maçonaria esteve em peso, em plena sexta-feira, na sessão em homenagem ao Dia do Maçom Brasileiro. E teve personagem ilustre presente. “No Dia do Maçom, a maior homenagem que podemos fazer é resgatar a memória de sua luta pela liberdade, conhecimento e fraternidade. A contribuição do maçom à vida pública, política e social vem de longa data e distintas geografias.” A frase é do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), que esteve presente. Além dele e de uma coleção de maçons, vários parlamentares militares também prestigiaram o evento.

Pinga-fogo

A Força Aérea Brasileira (FAB) fez o seu papel. Não perdeu tempo e fez o seu comercial. Levantou logo voos e correu para divulgar em seu perfil @portalfab imagens de aviões no combate a focos de incêndio na Amazônia.

Ele nasceu “há 10 mil anos atrás”, quando era o pai do rock brasileiro. Então, deve ser fake news que seus fãs prestam suas homenagens por Raul Seixas ter completado 30 anos de sua morte em seu apartamento em São Paulo, em 21 de agosto de 1989.

“Estivemos em Londres e, antes mesmo das queimadas nessa intensidade das últimas semanas, já se ouviam ameaças de investidores de redução de potencial de negócios no agro brasileiro.” A frase é do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Uai, teve inside information e nada fez? “Perder o acordo com a União Europeia e grandes parceiros comerciais, num momento em que o País precisa ampliar as exportações e preservar empregos, já é mais uma notícia ruim para o Brasil”, disse Doria, sem nada defender ao país.

Se tem reuniões em caráter de urgência, o jeito é encerrar por aqui. Haja urgência com o fato consumado. As chamas lá estavam e só agora as providências serão feitas? Então, já que é domingo, é melhor ir à missa, ajoelhar e rezar.
 


Publicidade