Jornal Estado de Minas

ANTÔNIO ROBERTO

Todo sentimento negativo nos faz sofrer

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“Sou o executivo principal de uma grande empresa e me deparo, com frequência, com muita intriga e hostilidade entre os gerentes. Será inveja? Como lidar com isso?”
 Tomas Viotti, Belo Horizonte

“Como lidar com uma irmã que me ataca e me critica constantemente? Ela sempre me puxa para baixo.”
Marin, Sabará

“Trabalho com dedicação nas atividades sociais e religiosas de minha paróquia. Sofro muito com algumas pessoas que querem sempre aparecer, brilhar e passar na frente das outras. Será inveja?”
Luíza, Belo Horizonte
 
Todo sentimento negativo nos faz sofrer. Daí a importância do entendimento e elaboração do sentimento de INVEJA. Compreender esse sentimento pode ser a chave para a resolução de diversos conflitos no trabalho, em casa, na sociedade. Não há sentimento mais destrutivo para o clima organizacional ou familiar que a inveja.





Mas, o que é a inveja? Para entendermos a inveja temos de descobrir a estrutura básica que a antecede. O mecanismo que cria a inveja é a COMPARAÇÃO.

A inveja é a vivência de um sentimento interior sob a forma de frustração, de tristeza, de mal-estar, de acanhamento, por nos sentirmos menos do que o outro, por não termos o que o outro tem, por não sermos o que o outro é.

É um desequilíbrio íntimo, oriundo de um sentimento de inferioridade, fruto da COMPARAÇÃO que fizemos entre nós e o outro, seja nas posses materiais, na casa, no carro, na roupa, no dinheiro ou nas suas qualidades psicológicas, morais, físicas, sociais ou espi- rituais.



E como a inveja é um desequilíbrio entre nós e os outros em um processo comparativo, desde cedo nos foram ensinados alguns mecanismos de defesa para esse desequilíbrio.

Um dos mecanismos é nos aumentarmos, nos vangloriarmos, nos enaltecermos para evitar o mal-estar da inveja. Falamos excessivamente bem das nossas próprias coisas e, ao mesmo tempo, procuramos diminuir a outra pessoa através da crítica.

Quando criticamos alguém, quando temos necessidade de diminuir alguém, quando ofendemos alguém, quando temos necessidade de falar mal de alguém, provavelmente estamos nos sentindo inferiores a essa pessoa.

A inveja é a incapacidade de ver a luz das outras pessoas, a alegria, o brilho, a luminosidade de alguém, seja em que aspecto for. A inveja é o sentimento daqueles que não aceitam a diversidade do mundo e das pessoas. E essa incapacidade de aceitar que as coisas e as pessoas sejam diferentes é uma rejeição de sua própria pessoa como sendo diferente das demais.

A inveja é a autoaversão por não sermos como os outros são. O que há de negativo e pior é essa autorrejeição em algum aspecto. Daí a relação direta entre inveja e autoestima baixa. Quem não se ama é invejoso.





Muitas pessoas pensam que inveja é quando vemos algo em alguém e queremos ter ou ser iguais ao outro. Isso é apenas um desejo de aprendizado, de crescimento. O que caracteriza a inveja é a frustração conosco mesmos, é a tristeza conosco mesmos, é a intolerância com nós próprios por nos sentirmos menores do que os outros. Por outro lado, toda a nossa sociedade é baseada na comparação.

Nossa cultura é uma cultura da comparação. Como tudo é relativo, como tudo está em relação, nós perdemos a capacidade de ver as coisas em si mesmas e só conseguimos entender as pessoas e coisas na comparação umas com as outras.

Toda propaganda é baseada no processo comparativo, entre nós e os modelos que nos são apresentados. A trama-base de qualquer propaganda consiste em que olhemos alguém no vídeo, por exemplo, nas suas qualidades de riqueza, poder, prestígio, inteligência, dinamismo, beleza, força e magnetismo pessoal; que nos comparemos com os ambientes e pessoas apresentadas, que nos sintamos inferiores, magoados e diminuídos subliminarmente.



Em seguida, nos é apresentada a solução para resolver aquele mal-estar: a compra de alguns produtos que nos farão iguais aos padrões apresentados.

A sociedade em que vivemos é baseada na comparação, na competição e, portanto, na INVEJA.

E as organizações empresariais, com seus instrumentos comparativos, alimentam e disseminam a inveja entre os seus empregados, sem se aperceber disso.

As organizações familiares, de igual forma, comparam seus membros, gerando um clima de disputa e hostilidade entre eles.

Uma pergunta muito comum dos pais é:

– Por que os irmãos brigam tanto?

– Porque sempre foram comparados entre si. Porque eles se invejam.

Outra pergunta que muitos fazem é por que tanta maledicência, fofoca nas relações de grupo, até em ambientes religiosos ou educacionais? Por causa da competição gerada pela inveja, alimentada pelas comparações.

audima