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Estado de Minas

Quando o amor vira sofrimento

Jogamos constantemente nos nossos relacionamentos e isso produz, evidentemente, muita dor, angústia e tristeza


postado em 08/12/2019 04:00

“Tenho fortes recaídas com um caso que tive há algum tempo, e que me tratava com indiferença. Ele nunca me levou a sério e sempre me esnobou, fazendo joguinho... me procura quando quer e depois some. Não quero mais sofrer com isso! Por que será que ele tem essas atitudes?”

 
Josiane, de Caeté
 
 
Existem duas maneiras de estruturarmos nosso tempo e nossos relacionamentos. Por meio de brincadeira ou de “jogo”. A diferença entre os dois é que, quando me relaciono por meio da brincadeira, não há quem ganha ou quem perde. Todos ganham em alegria, prazer e paz. E quando nos relacionamos por meio do “jogo”, sempre existe quem ganha e quem perde. Como fomos treinados para a competição, a disputa, a posse, a dominação e o controle do outro, jogamos constantemente nos nossos relacionamentos e isso produz, evidentemente, muita dor, angústia e tristeza.

Construir uma relação afetivo-sexual significativa, capaz de nos impulsionar para uma vida cada vez mais feliz, mais rica e mais abundante é aumentar nossa consciência dos jogos que fazemos nas nossas relações e inibir essa forma desastrosa de nos relacionar. Existem inúmeros jogos nas transações amorosas. O mais cruel e destrutivo deles é um jogo a que tenho chamado de o jogo do abandono. O medo nuclear de cada um de nós é o medo do desprezo, do abandono, da perda do amor do outro. Essa é a nossa ferida principal do ponto de vista psicológico.

Nesse jogo, aumenta-se no parceiro o medo de ser abandonado por meio de ameaças, indiferenças, términos, silêncios torturadores e traições, provocando intensa dor, insegurança e ciúme no parceiro. E para quê? Para controlar. Para ter o outro sob domínio. Para ter o outro nas mãos. O amor só ocorre na brincadeira. Aliás, o objetivo do relacionamento amoroso é o prazer e a felicidade. Se há luta, há destrutividade, há hostilidade e, por consequência, não existe amor.

Relacionamentos dolorosos, em que um dos parceiros provoca sofrimento no outro por meio de grosserias, traições, desprezos e indiferenças são bem frequentes. E o que sofre a consequência disso não consegue se livrar do relacionamento, muito embora racionalmente veja a necessidade disso. E se submete e sofre em nome do amor. Existem pessoas que amam e há pessoas incapazes de amar. Pessoas amorosas não querem o sofrimento das outras pessoas, não provocam a dor nos outros e são extremamente cuidadosas com as feridas emocionais do outro.

Pessoas incapazes de amar, em geral, têm na vida uma história de abandonos infantis, de maus-tratos e abusos por parte dos adultos. São pessoas com acentuado grau de inferioridade, autoestima baixa e são insensíveis ao sofrimento alheio, sendo por isso capazes de provocar dor naqueles a quem dizem amar. E o que nos confunde, nesse caso, é que essas pessoas, apesar de lhes faltar amor no coração, gostam de estar com as outras pelo prazer que obtêm disso. Aí achamos que elas nos amam, porque nos procuram, nos elogiam, mantêm relacionamento sexual, beijam, dão presentes etc.

No amor você deseja a felicidade do outro, se empenha nisso, se interessa por tudo o que possa ajudá-lo a estar bem consigo mesmo. E por que nos submetemos a pessoas cruéis? Por que a dificuldade em nos separar de pessoas que adquirem segurança por meio da nossa insegurança? Há dois motivos psicológicos para querermos estar com alguém. Primeiramente, o amor. É bom estar com pessoas que nos fazem sentir bem, com quem sentimos prazer, alegria, felicidade. Pessoas com as quais nos sentimos “folgados” interiormente e nutridos. É bom brincar com elas.

O outro motivo que nos faz apegar a alguém é o medo: medo da solidão, de não termos alguém, medo de perder o amor dele, medo do abandono, medo de não nos casar. É quando não toleramos a ideia da separação. E aí, quanto mais nos atemorizam mais lutamos por elas, mais nos submetemos e mais sofremos. Dessa forma, com nossa submissão e subserviência, alimentamos o jogo do desprezo.

Meu lado sadio quer terminar o relacionamento e meu lado adoecido quer permanecer em um relacionamento que jamais me levará à felicidade. Sofrer a perda para ressuscitar depois é melhor que sofrer, sem fim, a falta de amor do outro. Às vezes, a separação é a única forma de me amar e, por consequência, ser feliz. Namorar, casar, estar junto, mas nunca a qualquer preço.


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