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Ginástica faz bem para todo mundo, inclusive para as grávidas

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Viver é realmente aprender, a cada dia, com as novidades que nosso corpo apresenta com o correr da idade. Na semana passada, procurei meu médico de sempre, Humberto Guimarães, para tratar a labirintite. Depois de vários exames, ele informou que estou tonta não por causa do labirinto, mas devido à postura das pernas para baixo. Preciso, então, de um fisioterapeuta especializado nessa área de exercício. Estou procurando, porque o profissional deve ir à minha casa.




 
Essa informação chegou exatamente quando vamos comemorar o Dia Mundial da Atividade Física, depois de amanhã, 6 de abril. A proposta da campanha é conscientizar a população sobre a importância dessa prática, que, ao contrário do que muitos pensam, é benéfica para gestantes.

“Realizar atividades físicas durante a gravidez reduz o risco de complicações obstétricas, auxilia o controle do peso e aumenta o bem-estar da mulher, diminuindo o estresse e a tensão emocional que marcam esse período”, explica Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Mater Prime, em São Paulo.
 
Estudo publicado na revista médica Diabetes Care aponta que exercícios são especialmente benéficos durante os primeiros três meses de gravidez, pois ajudam a reduzir o risco de diabetes gestacional.



“Enquadra-se como diabetes gestacional todo quadro diabético diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez, o que pode trazer complicações durante a gestação, parto e até mesmo após o nascimento da criança, pois tanto a mãe quanto o bebê passam a ter maior predisposição a sofrer com diabetes futuramente”, destaca o médico.
 
Para chegar à conclusão de que exercícios são importantes na prevenção do problema, pesquisadores observaram dados levantados por um estudo anterior, envolvendo questionário sobre a prática de atividades físicas por 2.246 gestantes de diversas idades e etnias.
 
A realização de exercícios por 38 minutos diários é capaz de reduzir o risco de diabetes gestacional para 2,1 casos/100 gestantes. “De seis a 10 mulheres/100 gestantes sofrem com diabetes gestacional. Logo, a informação de que ser mais ativa pode reduzir esse número para duas/100 gestantes é realmente valiosa”, ressalta Rodrigo Rosa.




 
É claro que não basta sair se exercitando como se não houvesse amanhã. Afinal, se realizados de forma incorreta durante a gestação, os exercícios podem, sim, colocar a saúde da mãe e do bebê em risco, causando até abortos e partos prematuros.
 
O primeiro cuidado é conversar com o médico. “No geral, toda mulher saudável que não apresente sangramento durante a gestação e cujo feto esteja evoluindo normalmente pode praticar exercícios físicos”, explica o especialista.
 
“É importante tomar alguns cuidados, como se manter hidratada, usar roupas leves e apostar em exercícios menos intensos, como hidroginástica, natação e ioga. Caso sinta qualquer desconforto, interrompa a prática e consulte o médico”, diz Rodrigo Rosa.




 
Vale ressaltar que exercícios não devem ser realizados apenas no primeiro trimestre, podendo ser praticados tranquilamente até as últimas semanas de gestação, desde que aprovados pelo médico.

Essa prática é especialmente importante para mulheres que têm maior predisposição à diabetes gestacional devido a fatores de risco como idade avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, obesidade, síndrome dos ovários policísticos, hipertensão, gestação múltipla e histórico familiar da doença.
 
“A prevenção da diabetes gestacional vai além da prática de exercícios, sendo necessário perder os extras antes de engravidar. É preciso manter o peso sob controle durante a gestação e adotar alimentação balanceada, rica principalmente em fibras”, aconselha Rodrigo Rosa. Acompanhamento pré-natal é indispensável, pois, na maioria das vezes, a diabetes gestacional é assintomática.

“Cabe ao médico solicitar exames para avaliar a glicemia da gestante e, se necessário, dar continuidade ao tratamento do quadro diabético, que geralmente inclui acompanhamento nutrológico e físico, além do uso de medicamentos para controlar os níveis de glicose”, finaliza o médico.