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Estado de Minas SAÚDE

Fique atento: Parkinson dá vários sinais antes da chegada dos tremores

Lentificação dos movimentos, distúrbios do sono, depressão e retenção urinária também são sintomas da doença, que atinge 700 mil brasileiros


18/10/2021 04:00 - atualizado 18/10/2021 08:02

Paulo José sentado ao piano, quando interpretou Benjamin, personagem da novela 'Em família' que tinha Parkinson, assim como ele
Paulo José como Benjamin, personagem da novela 'Em família' que tinha doença de Parkinson, assim como ele (foto: Alex Carvalho/divulgação)
Um amigo muito querido teve Parkinson, se tratou e foi operado por Francisco Cardoso, que, entre outras coisas, é uma das figuras mais importantes do International and Parkinson Movement Disorder Society. Ele dá aulas e faz conferências em todas as capitais importantes do mundo, inclusive no Japão.

A doença não tem cura. Um dos brasileiros queridos que a tiveram foi o ator e diretor Paulo José, que morreu de pneumonia em agosto, aos 84 anos, e conviveu com o Parkinson por quase três décadas.

Workaholic confesso, apaixonado pela profissão, Paulo não parou de trabalhar. Aprendeu a lidar com a doença, que chamava de sua “coadjuvante de peso, nunca protagonista”. A busca pelo melhor tratamento para cada momento do Parkinson, a rede de apoio e o otimismo foram as armas dele na batalha contra a enfermidade. Em 2014, o ator chegou a interpretar um parkinsoniano na novela “Em família”, da Globo.

A doença é causada pela degeneração progressiva dos neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor que ajuda na comunicação entre as células nervosas e é essencial para o controle dos movimentos dos músculos.

A ausência da dopamina causa movimentos involuntários de braços, pernas e cabeça, os chamados tremores, que nem sempre são o primeiro sintoma de Parkinson. Na maioria das vezes, antes desses tremores, a pessoa desenvolve bradicinesia. “É a lentificação dos movimentos, quase sempre de um lado só do corpo, geralmente nas extremidades, como mãos e pés. Já é um sinal motor”, explica Hélio Osmo, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica.

Osmo observa que o tremor não é exclusividade da doença de Parkinson. “Inúmeras doenças neurológicas provocam tremor, então é preciso que o neurologista especializado em distúrbio do movimento analise o caso para fechar o diagnóstico”, recomenda.

Mesmo antes da lentificação dos movimentos, o paciente pode apresentar outros sintomas dificilmente relacionados ao Parkinson. “Neurologistas costumam chamar esse período de ‘lua de mel da doença de Parkinson’. São sinais como depressão, ansiedade, distúrbios do sono e até problemas de retenção urinária”, detalha o especialista.

Como o diagnóstico é essencialmente clínico, feito após o descarte de outras patologias, o conselho é procurar o neurologista sempre que surgirem tremores involuntários (mesmo em repouso), rigidez muscular, andar mais lento e arrastado, perda de expressão facial, depressão, ansiedade, dores musculares e constipação.

A doença de Parkinson atinge 1% da população mundial acima dos 65 anos, o que representa cerca de 8 milhões de pessoas. No Brasil, as estimativas registram cerca de 700 mil portadores da doença, que é crônica e progressiva. Ela atinge principalmente a terceira idade – em geral, surge a partir dos 60/65 anos.

Quando o Parkinson se manifesta precocemente, a progressão é mais lenta. Quando surge a partir dos 75/80 anos, evolui mais rapidamente para estágios mais avançados

Terapias ajudam a controlar os sintomas, permitindo ao indivíduo continuar exercendo suas atividades. O tratamento com medicamentos estimula a oferta de dopamina, aumentando sua presença ou evitando sua degradação, além da deterioração das funções cerebrais.

Os remédios não curam, mas melhoram a qualidade do tempo do paciente ao lado de amigos e familiares, além de sua capacidade produtiva. Recomendam-se também outros recursos terapêuticos, como fisioterapia, cirurgia e até o implante de um dispositivo cerebral que reduz os tremores e a rigidez muscular.

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