Jornal Estado de Minas

ANNA MARINA

Estudo comprova eficácia de cirurgia para combater enxaqueca

Conteúdo para Assinantes

Continue lendo o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Experimente 15 dias grátis


Quem não conhece ninguém que perde boa parte da vida – em trabalho e alegria – por causa de uma dor de cabeça que não tem fim e que, quando fica imensa, se transforma em enxaqueca? Parece que a novidade para o problema ainda não é muito usada, mas já chegou. Trata-se da cirurgia de enxaqueca, que, além de melhorar os sintomas de dor de cabeça conforme demonstrado em diversos estudos, também está associada a uma redução significativa no uso de medicamentos, principalmente no caso de pacientes que sofrem com dores crônicas e debilitantes. Essa é a conclusão de um estudo recente da Harvard Medical School, publicado em junho no Plastic and Reconstructive Surgery.



-
Pandemia desencadeia crise de enxaqueca


“Pacientes com dores de cabeça crônicas sofrem de dores debilitantes, que frequentemente levam ao uso de vários medicamentos. A cirurgia surgiu como um tratamento eficaz para pacientes com cefaleia. Este estudo comparou o uso de medicamentos no pré e pós-operatório de pacientes submetidos ao procedimento e constatou que mais de 2/3 deles diminuíram o uso de medicamentos prescritos, sendo que do total de pacientes que passaram pelo procedimento, 23% não precisaram mais tomar medicamento algum”, explica o cirurgião plástico Paolo Rubez, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Sociedade de Cirurgia de Enxaqueca (EUA), pioneiro na realização do procedimento no Brasil e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University.

O neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA), explica: “A enxaqueca geralmente começa e fica de um lado da cabeça, atrapalha muito a rotina da pessoa, pode gerar muita náusea, irritabilidade com a luz, sons e cheiros, e pode gerar até mesmo dias perdidos no trabalho ou redução da produtividade de forma geral”.

Na pesquisa, 96% dos pacientes descreveram tomar medicamentos prescritos para a dor de cabeça. O tipo de medicamento variou entre os pacientes, mas incluiu preventivo, de resgate (para aliviar crises), antiemético (para evitar náuseas), além de opioides (com efeito analgésico mais potente). Segundo o neurologista, geralmente a dor crônica pode ser muito incapacitante para o paciente, mesmo que ele não entenda isso, passando a ter uma noção do quanto atrapalhava somente quando sai do período de cronicidade.





“O medicamento de uso diário não serve para tirar a dor naquele dia, mas sim para retirar o mecanismo que faz com que a dor venha todo dia, então o paciente deve entender que também aprenderá a usar remédios para dor do dia, somado ao tratamento diário para dor crônica”, diz Gabriel Novaes. Mas, segundo o estudo, a cirurgia da enxaqueca tem mudado essa realidade. Após 12 meses da operação, 68% dos pacientes relataram diminuição do uso de medicamentos prescritos. “Os pacientes relataram uma redução de 67% no número de dias em que tomaram a medicação. Além disso, metade dos pacientes relataram que a medicação para enxaqueca, após a cirurgia, os ajudou mais em comparação com o período pré-operatório”, destaca Paolo Rubez.

No ano passado, estudo da edição de agosto do Journal of the American Society of Plastic Surgeons, maior revista científica de cirurgia plástica do mundo, afirmou que as crises de enxaqueca podem ter um fim de forma segura por meio da cirurgia. O artigo “A comprehensive review of surgical treatment of migraine surgery safety and efficacy”, feito em conjunto com o Comitê de Segurança do Paciente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, avaliou o procedimento como seguro e eficaz. “A cirurgia de enxaqueca é hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard. Os resultados positivos e semelhantes das publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma o médico.

A cirurgia para enxaqueca, disponível no Brasil e embasada cientificamente por uma série de estudos, promete ser um divisor de águas para quem sofre com o problema, como mostra o estudo recente. A técnica garante segurança e a eficácia ao agir na descompressão operatória dos nervos periféricos na face, cabeça e pescoço para aliviar os sintomas da enxaqueca.

Paolo Rubez enfatiza que as cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral e em alguns casos sob anestesia local. “A duração da cirurgia, para cada nervo, é de cerca de uma a duas horas, e o paciente tem alta no mesmo dia para casa”, finaliza.






audima