Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas Coluna

No Dia Nacional do Luto é preciso refletir sobre os sentimentos de perda

Com tantas mortes por causa da pandemia, fica a sensação de ter acontecido um "corte", uma "edição" no filme da vida


19/06/2021 04:00


Isso para mim é novidade, não sei se é para os leitores da coluna, mas, para falar a verdade, achei bem interessante. Existe o Dia Nacional do Luto, é hoje, 10 de junho, e a data é dedicada à reflexão e aos sentimentos de perda. A única certeza que temos na vida é de que ninguém vai ficar para semente, todo mundo um dia vai morrer, mas não conseguimos nos preparar para perder pessoas queridas. Esse tema deveria ser muito falado, até que se encontre uma maneira de amenizarmos a dor e a tristeza da ausência.

Lidar com a perda de um ente querido não é nada fácil. Requer uma mistura de sentimentos e atitudes que são tabus para muita gente. A neuropsicóloga Leninha Wagner revela como ajudar uma pessoa enlutada a superar este momento tão difícil. E nada melhor que falar sobre isso no Dia Nacional do Luto.

Talvez a data esteja sendo mais divulgada por causa do momento atual, com tantas perdas por causa da pandemia. Para os familiares e amigos de quem se foi, fica a sensação de ter acontecido um “corte”, uma “edição” no filme da vida. Pois muitos nem sequer tiveram o consolo de um rito de passagem, uma despedida, honrando a vida e a memória de quem partiu.

Segundo Leninha, o luto é vivenciado de maneira singular, sem um padrão de reação. Há variações em intensidade e duração, influenciadas por fatores como o contexto da morte e as características do enlutado. É importante dar tempo e espaço para a expressão de emoções e sentimentos negativos, para não considerar como patológicas aquelas reações que são necessárias e naturais. Temos que permitir a manifestação da dor da perda para que este momento seja devidamente elaborado.

O apoio ao indivíduo enlutado deve ser efetivo, e para tanto, alguns equívocos devem ser evitados, orienta a neuropsicóloga. “Devem-se considerar as culturas, as crenças, os contextos e as dinâmicas dos relacionamentos familiares, bem como identificar fatores que possam prejudicar o enfrentamento do luto, como a não manifestação dos sentimentos, o adiamento do processo ou a negação da perda. A elaboração do luto pode ser compreendida como a fase em que há diminuição do sofrimento frente às lembranças do falecido, havendo a retomada do interesse pela vida por parte dos familiares.”

Mesmo quando o processo de luto é considerado normal, isso não significa que não exista sofrimento ou necessidade de adaptação à nova estrutura familiar. Encontrar espaços onde seja possível expressar-se livremente, compartilhar a dor e se deparar com outras pessoas que experimentam sentimentos e dificuldades semelhantes ameniza o sofrimento e favorece a busca pelas soluções dos problemas enfrentados.

“Todo luto precisa ser olhado, apesar de nem todos os enlutados necessitarem de cuidado, o que ressalta a necessidade da existência de espaço a ser utilizado por aqueles que demandarem atenção. Oferecer cuidado ao enlutado auxilia no processo de elaboração das famílias, no resgate de prazer e continuidade da vida de quem permaneceu”, completa Leninha.

Diante de um luto patológico, em que a pessoa não se sente capaz de retomar a vida e suas atividades, é importante buscar um profissional da saúde mental. Um psicólogo será de grande valia neste momento tão devastador, em que tantas vidas têm sido perdidas.

Certa vez, entrevistei uma mãe que perdeu, de um dia para o outro, sua filha de 13 anos. Jamais poderia imaginar isso, já que ela era uma mulher alegre, feliz. Nosso encontro foi mais de 10 anos depois da perda, mas tive que perguntar como ela havia superado aquilo. A resposta foi linda: “Poderia escolher em mal sofrer ou bem sofrer, porque sofreria de qualquer maneira. Escolhi bem sofrer, porque tinha um filho que precisava de mim, e um marido.” Ela nunca esqueceu sua filha, mas soube lidar bem com o luto, com a perda.

(Isabela Teixeira da Costa/Interina)

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade