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Aprenda a lidar com a 'fome emocional' causada pelo estresse da pandemia

Pesquisa internacional aponta que o brasileiro acredita ter engordado 6,5kg desde a chegada da COVID-19 ao país, em março de 2020


31/05/2021 04:00 - atualizado 01/06/2021 15:20


 
A pesquisa Diet & Health Under COVID-19, realizada em 30 países, colocou os brasileiros em primeiro lugar entre os que mais acreditam ter engordado na pandemia – 52% declararam ter aumentado de peso desde o início da disseminação do novo coronavírus no Brasil. Foram 6,5kg a mais.
 
O aumento de peso se deve, em grande parte, ao estresse provocado por este momento, pois o comer emocional está associado a hábitos condicionados pelo humor. Ou seja, a pessoa não come por fome ou por necessidade fisiológica, mas para satisfazer as necessidades emocionais.
 
“Quando uma pessoa está se sentindo ansiosa e devora um pote de sorvete sozinha, o prazer é instantâneo. Ou seja, a recompensa e a sensação imediata de bem-estar ajudam a reduzir a ansiedade”, explica a psicóloga Flávia Teixeira, mestre em saúde coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em transtornos alimentares pela USP e pós-graduada em psicossomática contemporânea.
 
Comer sem estar com fome e sem prestar atenção no alimento é hábito muito comum nos estados de ansiedade. Funciona como mecanismo de enfrentamento, que pode diminuir temporariamente as emoções indesejadas.
 
Há uma série de razões por trás desse comportamento. Muitas pessoas não conseguem lidar sozinhas com suas emoções. Não podemos culpá-las, pois não é fácil mesmo. Há várias formas de resolver a questão: fazer terapia, conversar com amigos ou familiares.
 
“É essencial entrar em contato com o que sentimos, entender o que desencadeia e o que fazer com esse sentimento. Há alguns sinais internos de que há algo em nossa vida que precisamos mudar ou melhorar. Um bom manejo emocional, no qual encontramos saída satisfatória para as emoções, diminuirá os níveis de angústia e tensão e, portanto, a necessidade de comer”, afirma Flávia Teixeira.
Passar o dia todo tentando controlar a vontade de comer pode ser um tiro no pé, levando à compulsão. Em determinado momento, a pessoa cede e acaba ingerindo grandes quantidades de comida em espaço muito pequeno de tempo. Pior: não consegue parar de comer, mesmo com a sensação de saciedade e desconforto abdominal pela ingestão exagerada. Geralmente, prefere alimentos ricos em açúcar e carboidratos, pois eles oferecem a sensação rápida de prazer.
 
Experimentar novas iguarias e se deliciar é totalmente natural, faz parte do nosso processo alimentar. “Entretanto, se a pessoa descobre naquele alimento uma fonte exclusiva de satisfação a ponto de estocar o item em casa e comê-lo em grande quantidade todos os dias para se sentir bem, isso só levará a uma série de problemas”, pontua a psicóloga.
 
Flávia Teixeira adverte que a fome emocional tende a surgir de repente e com intensidade tão alta que, na maioria dos casos, é difícil resistir e diferenciá-la da fome física. “Comer, muitas vezes, serve como mecanismo de distração para escapar da realidade, como se fosse uma forma de aliviar as dores momentâneas”, observa.
 
A psicóloga reforça alguns sinais para identificar a fome emocional: ela surge inesperadamente; a pessoa come automaticamente, sem estar ciente do tempo ou das quantidades; geralmente, deseja-se um tipo específico de comida ou refeição, quase sempre alimentos gordurosos ou com açúcar; não nos sentimos saciados. Além de tudo isso, depois de comer sentimos culpa, arrependimento ou vergonha.
 
“Ao perceber que a sensação de fome não é física, mas emocional, e a ansiedade está favorecendo a não resistir ao ataque compulsivo à comida, é hora de procurar ajuda. É preciso entender o significado do que sentimos e compreender como lidar com a emoção. Afinal, somos todos comedores emocionais, pois não temos como dissociar o nosso emocional do biológico”, finaliza Flávia Teixeira.

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