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Pandemia fez número de cirurgias de catarata no Brasil cair 38% em um ano

Especialista alerta que dado é preocupante, pois, por ano, surgem cerca de 120 mil novos casos doença no país


27/04/2021 04:00

Pandemia fez número de cirurgias de catarata no Brasil cair cerca de 38% em um ano(foto: Sérgio Eduardo/Divulgação)
Pandemia fez número de cirurgias de catarata no Brasil cair cerca de 38% em um ano (foto: Sérgio Eduardo/Divulgação)

A pandemia de coronavírus está agravando doenças que podem levar à perda da visão. Levantamento do Datasus mostra que de 2019 para 2020 o número anual de cirurgias de catarata no Brasil caiu cerca de 38%, passando respectivamente de 576 mil para 357,8 mil operações.

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier (IPB), essa redução é bastante preocupante. Primeiro, porque surgem no país cerca de 120 mil novos casos de catarata ao ano. O último levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) mostra que hoje a catarata rouba a visão de 769 mil brasileiros. São 49% dos 1,57 milhão que não enxergam. Por aqui, a perda da visão decorrente da catarata está acima dos 45% que ocorre no restante do mundo, conforme pesquisa publicada na revista científica The Lancet.

Queiroz Neto afirma que muitos pacientes são diagnosticados durante uma consulta de rotina quando ainda não percebem a doença. “Por isso, nem sempre é necessário passar pela cirurgia, único tratamento logo após o diagnóstico”, salienta. O ideal é operar quando os óculos já não oferecem correção satisfatória e, por isso, a visão começa atrapalhar atividades rotineiras como ler, dirigir, acompanhar aulas, palestras ou reuniões on-line.

A catarata senil, explica, é caracterizada pela perda progressiva da flexibilidade e transparência do cristalino, lente transparente que fica atrás da íris, parte colorida do olho. O embaço dificulta a penetração da luz e a visão nítida conforme envelhecemos.

Os sinais que indicam a catarata são: mudança frequente do grau dos óculos, perda da visão de contraste, dificuldade para dirigir à noite ou enxergar em ambientes escuros, visão dupla em um dos olhos, enxergar halos ao redor da luz, ofuscamento (fotofobia) em ambientes ensolarados ou bem iluminados.

Ao contrário do que muitos imaginam, a catarata não é uma exclusividade do envelhecimento, embora essa seja a maior causa. Para se ter ideia, a relação entre a doença e a faixa etária é de 17% dos 55 aos 65 anos; 47% dos 65 aos 75 anos; 73% aos 75 anos ou mais. Embora menos frequente, também pode surgir entre jovens que têm alta miopia, casos na família ou que sofrem algum trauma na região da cabeça.

A catarata congênita responde por 40% dos casos de cegueira na infância e surge logo que o bebê nasce. O especialista afirma que as causas mais comuns são as doenças infecciosas contraídas pela mãe durante a gestação. As principais são sarampo, rubéola, citomegalovírus e toxoplasmose. Por controverso que possa parecer, a doença também pode ser do tipo idiopática, ou seja, de causa desconhecida, simplesmente aparece.

Por isso, o especialista recomenda aos pais que chequem se o recém-nascido passou pelo teste do olhinho na maternidade após o nascimento. “Na dúvida, recomenda tirar fotos com flash da criança. Isso porque, se não aparecer um reflexo vermelho nos olhinhos, indica a presença de alguma doença congênita”, ensina.

O oftalmologista afirma que de acordo com diversos estudos a evolução da catarata aumenta a chance de quedas, fraturas ósseas, isolamento, depressão e insônia. “Olhos com catarata dificultam a penetração no globo ocular da luz azul durante o dia. Este comprimento de luz orienta a secreção de hormônios que regulam nosso estado de vigília e a produção de melanopsina, responsável pelo controle de nosso relógio biológico. Por isso, mais da metade das pessoas com catarata perdem o sono, ganho de peso, aumento da glicemia e colesterol”, pontua.

Juntos, esses efeitos funcionam como uma verdadeira bomba em nosso organismo. O oftalmologista ressalta que, nos recém-nascidos, o sistema nervoso central e o sistema visual são pouco desenvolvidos – o que explica por que um bebê precisa dormir até 17 horas por dia. “Por isso, a catarata congênita não influi no sono tanto quanto os tipos juvenil ou senil”, explica.

O único tratamento para catarata é a cirurgia, que hoje pode recuperar a visão para todas as distâncias, mesmo em pessoas que já estavam cegas pela doença. Consiste em substituir o cristalino opaco pelo implante de uma lente intraocular. O procedimento é realizado com anestesia local e o paciente é liberado no mesmo dia. As atividades podem ser retomadas no dia seguinte. Colírio lubrificante, antibiótico e anti-inflamatório são recomendados pelo cirurgião para evitar complicações.


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