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As boas (e belas) lembranças e belas que a água

Além de ser uma atração ver os barquinhos descendo pela enxurrada, tínhamos a desculpa de ficar com os pés no chão para aproveitar a água


25/03/2021 04:00 - atualizado 24/03/2021 19:41


Esta semana o mundo comemorou o Dia Mundial da Água (22/3), bênção da natureza que nos faz viver. Sou da lista dos apaixonados pela água, porque, nascida no interior, passei parte de minha infância esperando a chuva chegar para poder aproveitar as enxurradas que desciam a rua. Não sei como é que as coisas andam em matéria de água correndo rua abaixo. De uma coisa estou mais que certa: a meninada, nem da cidade grande nem do interior, aproveita essa deixa de brincadeira para montar canoas de papel para descer a rua água abaixo. Fui apaixonada pela brincadeira, porque, além de ser uma atração ver os barquinhos descendo pela enxurrada, tínhamos a desculpa de ficar com os pés no chão para aproveitar a água.

No meu tempo de criança em Santa Luzia, o Rio das Velhas era realmente um rio, e não um córrego imundo como é agora. Passeio muito esperado era fazer piquenique nas suas beiradas, com a promessa de não chegar perto da água. Em tempos de muita chuva, era comum o rio subir cobrindo a ponte velha (de madeira), impedindo até a passagem das jardineiras que traziam os luzienses para a capital. E o destemor de alguns primos causou uma tragédia familiar – três irmãos morreram, meninotes ainda, um querendo salvar o outro que se afogava. Não me esqueço das macas feitas com bambus e tecido subindo a Rua Direita, cada uma delas com um dos meninos dentro, e a água que caía dos corpos molhando o caminho.

Mas água não precisa ser só tristeza, pode também espanto, entusiasmo e descoberta. Como colocar, pela primeira vez, os pés dentro do mar, em Copacabana, mocinha ainda. Nunca tive coragem de me aventurar além das ondas, tinha inveja de quem conseguia ultrapassar a força do mar. E essa minha mania de colocar o pé na beira da praia foi repetida na Grécia, onde maré não existe, pelo menos perto da cidade. Meus pés também procuraram todas as águas de Israel, e no Mar Morto fiz questão de ir além do pé dentro da água. O mesmo aconteceu no Mar da Galileia, porque tinha certeza de que estava colocando o pé na mesma pegada de Jesus. E da nascente da Galileia trouxe alguns ramos de plantas locais, encomenda da minha mãe.

Essa mania de molhar o pé em cada país que ia me acompanhou durante o tempo todo em que viajava. Na Espanha, aproveitei as raias de água dos jardins de Sevilha para molhar os pés, desafiando os controladores dos jardins. Na Rússia, em pleno inverno, encontrar uma água sem ser gelada era raridade. Por isso, só encontrei ondas geladas em São Petersburgo, onde saímos à noite para jantar e, na saída do hotel, vimos as ondas geladas do mar criando uma bela barreira nunca sonhada que existisse. Em Portugal, o Algarve é o convite para o sol e o mar, e em Faro foi bom molhar os pés.

Passava muitas férias no Rio e, naquela época em que a água nas torneiras era coisa rara, tomei várias vezes banho de garrafa. Para ajudar, apareceram garrafas maiores com água, mais baratas, que eram usadas para banho e até para lavar cabelo. Não era fácil, mas permitia que fôssemos aproveitar a praia, mesmo sabendo que ao voltar para casa não teríamos água para tomar um belo banho de chuveiro.

Depois de algum tempo onde a água em filtros de barro passou da moda, os filtros nas torneiras eram comuns – como atualmente existem em algumas ligações na cozinha. Mas desde que a água mineral vendida em botijões apareceu, adotei- a integralmente. Só que nas últimas semanas, sem nenhuma razão para explicar, a água dos botijões com água fornecida pela Igarapé mudou de sabor. Estou tentando descobrir a razão – para avaliar se continuo usando-os ou se mudo para garrafas de água mineral.

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