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Tenho o maior arrependimento de ter votado em Bolsonaro

Ás vezes tenho a impressão que tanto o presidente quanto o ministro da Saúde querem matar a brasileirada toda


01/03/2021 04:00 - atualizado 28/02/2021 19:38


 
 
Não consigo avaliar o que é pior para nós brasileiros: a pandemia ou o governo. Às vezes, tenho a impressão de que tanto o presidente quanto o ministro da Saúde querem matar a brasileirada toda, para diminuir seu trabalho ou sua obrigação de cumprir um programa racional, inteligente, lúcido e objetivo na compra e aplicação de vacinas. O trabalho dos dois, que trombam o tempo todo com a realidade e a necessidade do país, compromete sem dúvida a formação que têm como membros do Exército Nacio- nal. Se fosse em tempo de guerra, estaríamos todos no brejo. Credo. Tenho o maior arrependimento de ter votado no Bolsonoro para não votar no PT. Podia ter votado em Ciro Gomes, perdia meu voto, mas não teria culpa da situação que estamos enfrentando.
 
Estamos completando um ano de prisão domiciliar. Confesso que, quando nos mandaram para casa, todos aplicados no desesperador home office, pensei que ficaria em casa alguns poucos meses. Comparei com a gripe espanhola, que matou muita gente, mas não se eternizou no mundo. Então, neste ano que estou em casa, adotei algumas práticas que nem sei mais se irei levar até o fim da vida. Nunca mais fiz uma maquilagem, nunca mais usei batom, nunca mais saí com amigos, nunca mais visitei amigos, nunca mais viajei e, reparando bem, até a bolsa de uso diário é a mesma – e apesar de ser de ótima qualidade, já está pedindo desconto, e até o cabelo é preso num amarrado em cima da cabeça, sem nenhuma preocupação com o resultado.
 
No começo, usava um spray para colorir os cabelos brancos que iam aparecendo, até que, entre uma abertura e outra do meu salão – de Laura Nunes, vou pintar os cabelos, fazer pé, mão, esses cuidados pequenos aos quais nos acostumamos e dos quais sentimos falta quando não existem. Em compensação, nunca mais entrei em um restaurante e, eventualmente, peço um delivery dominical. Mas sinto falta e, agora que os meus restaurantes costumeiros fecharam, só me resta para matar a saudade o Dona Derna.
 
Mesmo trancada em casa, não me submeti ao suplício de muita gente. Como sempre passei os dias inteiros no trabalho, aproveitei esses dias dentro de casa para entrar num período de obras. Começaram no jardim e, aos poucos, foram entrando para o interior, tipo mudar sistema elétrico, mudar telhado, consertar mais isso e mais aquilo. Alguns pensam que estou louca varrida, ninguém bota trabalhadores dentro de casa, sem controle e correndo risco. Felizmente, todos usam máscaras, não ficavam além do tempo necessário e o serviço doméstico vai bem, com minhas duas funcionárias fazendo suas obrigações a contento.
 
Isso não quer dizer que não tomo os cuidados necessários: uso máscara, que nosso presidente despreza, só vou à rua para fazer minhas tarefas de dona de casa, como mercearias, supermercados, farmácia e uma ou outra obrigação indispensável. Lavo as mãos o tempo todo, para não usar álcool, que resseca a pele, mantenho as janelas sempre abertas, o ar correndo o quanto pode. É claro que, numa família grande como a minha, os casos de COVID aparecem aqui e ali, muito poucos, absolutamente controláveis. Mesmo assim, deixam uma fraqueza muscular que considero muito mais controlável que uma fraqueza mental. E como minha casa é a casa matriz da família, recebo sobrinhos e familiares nos fins de semana sem a menor preocupação. Alguns, mais queridos, chegam até do Rio, para não perder a convivência familiar. Ninguém merece sofrer com a pandemia e com a ausência dos queridos.

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