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Estou vacinada. Fui fazer meu papel social de responsabilidade com o país

Enquanto uns se cuidam, há o outro lado que não pensa no vizinho, vai para baile de carnaval, praia e seja o que Deus quiser


20/02/2021 04:00 - atualizado 20/02/2021 07:32


Capitulei às exigências familiares e acabei me vacinando contra a COVID-19. Desde o princípio desse trança-trança da vacina, que chega e não chega, é essa ou aquela, a Anvisa amarra o quanto pode, governo não faz nada direito e a TV não tem outro assunto, tinha resolvido a não me vacinar por nada neste mundo.

Até que um sobrinho que mora no Rio e não pode ficar viajando declarou que se eu não vacinasse ele viria aqui para me obrigar. Não gosto nada de vacina, quando ela era obrigatória, de varíola, para ir para a Europa, conseguia atestado – porque naquela época ela deixava uma marca muito feia no braço ou perna.

Para evitar incômodo familiar, fui receber minha picada, controlando o conteúdo, para evitar a “vacina de ar” que virou truque para fazer dinheiro no Rio. A moça que me vacinou, num posto de saúde sem nenhuma fila – cheguei e fui recebendo a vacina na hora – também é craque, a fincada não doeu nem um pouco, a agulha é mais grossa e mais longa da que eu uso diariamente para minha picada de insulina, reforço para controlar o tratamento com pílulas que faço há anos, contra o diabetes.

Com a vacinação, que espero não ter nenhuma sequela – a que tomei contra gripe, quando foi lançada, quase me matou de pneumonia –, libero família e amigos de uma preocupação que passava longe de mim. Mas como a pandemia já abateu vários da minha família – uns gravemente e outros levemente –, fui fazer meu papel social de responsabilidade com o país. Estou contribuindo assim para evitar aumentar o número de pacientes conhecidos.

Se bem que tirando um sobrinho que passou mal pra burro, e teve que voltar ao hospital para curar um problema pulmonar, outro ficou em casa uma semana, curou-se com isolamento e uns remedinhos, voltou logo a trabalhar, a médica em São Paulo foi pelo mesmo caminho e outro, carioca, passou tantos dias de cama que está tratando com fisioterapeuta para andar com segurança.

Aliás, esse problema muscular, um dos efeitos mais constantes da COVID-19, foi o que me preocupou mais em todo o histórico da doença. Não tinha nenhum medo de ir embora, tinha medo só de ficar com a cabeça zerada e os músculos sem aguentar o peso do corpo.

Continuo acreditando que o excesso de notícias desencontradas sobre a pandemia é que faz com que o povo fique com esse medo danado de ficar doente. Tem gente que até para ler jornal usa luvas de plástico para se proteger dos micróbios. E quando amigos meus chegam em minha casa e ficam sabendo que jamais comprei álcool em gel, que minha proteção é feita com água e sabão, acham sempre que sou meio doida.

Volto a repetir – como não tenho nenhum medo de morrer –, só tenho receio de dar preocupação e desgaste emocional nas pessoas de quem gosto. Então, como capitulei à campanha da vacinação, estou preparada para o que der e vier. Mantendo o mesmo comportamento: só saio de máscara e não deixo de fazer nada que preciso, que seja necessário para o bom funcionamento de minha casa.
 
Penso sempre, e ninguém gosta de saber disso, é que o medo de pegar COVID tem feito uma penação total na humanidade, o excesso massacrante de cuidados é um terror. Quem não cai nessa história é o outro lado que não pensa no vizinho, vai para baile de carnaval, praia e seja o que Deus quiser.

Os casos familiares que escutei ao longo da vida sobre a gripe espanhola é que a parentada que foi se abrigar do mal em Santa Luzia aproveitou mesmo foi para comemorar, beber muito, confraternizar, aproveitar a farra geral para esquecer da doença. Não morreu ninguém...

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