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Estado de Minas

Leitor relembra casos antigos sobre a Turma do Bodão e a bela Ângela Diniz

Rapaziada agitou o Bairro de Lourdes nos anos 1950/60, lançando revista e até candidato para disputar a Presidência da República com JK


28/01/2021 04:00

A bela Ângela Diniz, que aqui posou para O Cruzeiro, participou da revista mineira Chic(foto: Arquivo EM/O Cruzeiro)
A bela Ângela Diniz, que aqui posou para O Cruzeiro, participou da revista mineira Chic (foto: Arquivo EM/O Cruzeiro)

Gosto demais quando recebo e-mail dos leitores, principalmente quando os textos relembram coisas que aconteceram nesta cidade. Por mais que a memória seja boa, a cabeça não consegue arquivar tantos fatos, depois de 62 anos de trabalhos praticamente diários neste jornal. Vez por outra, alguns e-mails me lembram de parte da história de Belo Horizonte, da qual indiretamente participei.

O texto que se segue, de Tarcísio Pinto Ferreira, recordou um tempo em que, como sócia de Maria Diniz, eu me encontrava diariamente com ela – que morava no quarteirão acima do caso que o leitor relata. E eu acabava sabendo de tudo que acontecia. Vamos ao e-mail:

“Sou leitor assíduo do EM, jornal que assinei por longos anos e continuo lendo porque o compro todos os dias da semana.

Na verdade, é por um fato lamentável que deixei de ser assinante, mas isso é assunto para outro dia.

Pois bem, como leitor no caderno EM Cultura, jamais deixo de ler a sua coluna.

Sem o objetivo de ser apenas agradável, quero lhe dizer que admiro muito a maneira objetiva, clara, escorreita com que vc escreve. E mais: como vc aborda assuntos dos mais diversos temas e matizes com propriedade e informações valiosas e esclarecedoras.

Como eu, acho que os seus leitores devem ser absolutamente fiéis!

Mas, hoje, quero exercitar a memória e satisfazer uma curiosidade.

Sou nascido e fui morador por mais de 50 anos do bairro de Lourdes.

Isso, dos anos 1940 até praticamente a virada do século.

Lá pelos fins da década de 1950 e/ou meados da de 1960, jovem irrequieto, fiz parte de uma turma de jovens do bairro, famosa pelas travessuras sem maldades e, especialmente, pela criatividade.

Éramos conhecidos como Turma do Bodão, porque nos reuníamos, todas as noites, por volta das 22h, no Bar do Bodão, personagem folclórico, uma das pessoas mais simpáticas e humanas que já conheci em minha já longeva vida.

O horário coincidia com aquele em que éramos obrigados a nos despedir das namoradas naqueles tempos!

Velhos tempos!

Como eu disse, era uma turma divertida e criativa.

Entre algumas “travessuras”, na época em que o Juscelino foi candidato a presidente da República, lançamos Bodão também como candidato ao cargo.

A brincadeira ganhou repercussão e foi noticiário, na época, nos jornais de quase todo o país. O próprio EM chegou a dar notas a respeito.

A “campanha” foi sempre jocosa, mas sem ofensas aos “demais” candidatos.

Entre os slogans do nosso candidato, incluía-se: “Bodão, com seu nariz, para salvar o país!”.

E multidões se reuniam no largo formado pelo cruzamento da Av. Bias Fortes com São Paulo e Aimorés para assistir aos comícios do Bodão, que chegava ao local em carro aberto, sob aplausos da multidão.

Um parêntesis: o quanto tinha de simpatia, o Bodão primava pela prejudicada aparência física: alto, magérrimo, enorme nariz e nenhum dente na boca!

Mas o seu bar, modesto, reunia pelo menos um terço do PIB de Minas, em possíveis heranças, porque ali se reuniam jovens das mais tradicionais e abastadas famílias mineiras.

Nesse último aspecto, eu era um estranho no ninho!!!

Liderando a turma – como em toda comunidade há líderes! – lá estavam o Loy (Ronaldo Picorelli Lima), o Tibé (Alberto Carlos Amorim), o Caio Cachimbinho (Caio César de Melo Moura Costa), o Antônio Américo de Magalhães Góes, todos esses de saudosas memórias, os Bolognani, o Agêo Lúcio e, sem falsa modéstia, eu próprio.

Na mesma época, ou próxima, o Loy, eu e Reynaldo Ramos Ferreira lançamos uma revista denominada revista Chic.

Nela, tivemos o privilégio de lançar o cronista social Edu- ardo Couri e, com um baile à beira de uma piscina, para as colunas sociais, a bela e saudosa Ângela Diniz.

Se não me falha a memória, entre outras pessoas que alcançaram sucesso no mundo jornalístico, creio que tivemos também o privilégio de tê- la como uma das primeiras colaboradoras.

Estarei certo?

Com a mente e o coração cheios de gratidão e saudade, aceite o meu afetuoso abraço!

Tarcísio Pinto Ferreira”

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