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Olho seco e dor podem indicar contaminação pelo coronavírus

Pesquisa revela que até três semanas antes de os primeiros sintomas da COVID-19 aparecerem, os olhos podem sinalizar o risco da doença


08/01/2021 04:00


Pesquisa publicada na revista BMJ Open Ophthalmology revela que até três semanas antes de os primeiros sintomas da COVID-19 aparecerem, os olhos podem sinalizar o risco de contaminação. Olho seco e dor nos olhos são as alterações mais frequentes. Realizado por pesquisadores da Anglia Ruskin University (Reino Unido), com 83 participantes, o estudo revela que o olho seco atingiu 23% dos participantes na pré-covid, prevalência que caiu para 14% durante a infecção. Já a prevalência da dor nos olhos foi de 16% durante a contaminação pelo coronavírus, bem maior que na pré-covid.

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, a prevalência de olho seco apontada no estudo é quase o dobro dos 12% que atingem a população brasileira, na proporção de três mulheres para cada homem. Não por acaso, nas últimas semanas em que os casos de COVID-19 explodiram no país, o atendimento no hospital de pacientes com queixa de ressecamento nos olhos também aumentou.

Os principais sintomas do olho seco são coceira, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e visão embaçada. Claro que nem todos com esses sintomas vão contrair a COVID-19, afirma. Mas a lágrima é essencial para evitar que o coronavírus e outros micro-organismos penetrem nos olhos, salienta. “Correr à farmácia para comprar lágrima artificial nem sempre resolve o problema. Isso porque a lágrima tem três camadas – aquosa, oleosa e proteica – e os colírios têm diferentes substâncias que atuam em uma dessas camadas”, explica.

Queiroz Neto chama a atenção para o uso abusivo do ar-condicionado nesta época do ano. Isso porque, além de facilitar a evaporação do filme lacrimal, o confinamento em ambiente climatizado por equipamentos domésticos que não trocam o ar ambiente facilita proliferação do coronavírus. “Portanto, durante a pandemia, a regra para usar climatizadores domésticos que não trocam o ar do ambiente é manter janelas e portas abertas para evitar a COVID-19”, salienta.

Outro gatilho do aumento do olho seco na pandemia é o maior uso do computador, tablet ou celular, salienta. Portanto, atinge da infância à terceira idade, mas é maior conforme a idade avança. Levantamento conduzido por Queiroz Neto mostra que entre adultos com até 40 anos o uso das telas digitais por mais de duas horas provoca o ressecamento da lágrima em 75% dos brasileiros. Acima dessa idade, chega a 90%. Já dos 6 aos 9 anos, atingiu 30% de 360 crianças que chegavam a ficar até seis horas olhando para uma tela.

O oftalmologista diz que na infância o maior problema com as telas digitais é o aumento da miopia. Nesse grupo, saltou dos 12% apontados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) para 21%. Queiroz Neto explica que isso acontece porque até os 8 anos o olho está em desenvolvimento e o excesso de esforço visual para perto causa uma contração dos músculos do olho, que perdem a capacidade de relaxar para enxergar a distância.

“É uma miopia transitória que pode ser corrigida com pausas a cada meia hora de tela e pelo menos duas horas/dia de atividades ao ar livre. Isso porque o sol aumenta a produção da dopamina, hormônio do bem-estar que inibe o crescimento do eixo visual, maior em pessoas míopes. Em 2021, deve chegar ao Brasil uma lente que tem como proposta reduzir a progressão da miopia em crianças”, detalha.

Queiroz Neto afirma que a última palavra em tratamento de olho seco é a luz pulsada. O tratamento é indolor, reduz o desconforto nos olhos e o uso de colírio lubrificante. Isso porque tem efeito duradouro que pode ser sentido desde a primeira aplicação. A luz pulsada, explica, desobstrui uma pequena glândula na borda da pálpebra. A desobstrução melhora a produção da camada gordurosa da lágrima, que evita sua evaporação. “O estudo publicado no Reino Unido sugere que manter a boa lubrificação dos olhos é o primeiro passo para prevenir a COVID-19”, conclui.

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