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Lider Interiores: de Minas para o Brasil

Criada em 1945 por João da Mata, em Carmo do Cajuru, empresa mineira é um dos destaques do setor de decoração no país


26/10/2020 04:00

João da Mata abriu a Mobiliadora Lider em 1945(foto: Acervo pessoal)
João da Mata abriu a Mobiliadora Lider em 1945 (foto: Acervo pessoal)

 
A história de sucesso da Lider Interiores começou há 75 anos, na pequena Carmo do Cajuru, a pouco mais de 112 quilômetros de Belo Horizonte. Em 1945, logo após o fim da Segunda Grande Guerra, o jovem João da Mata convenceu um marceneiro a admiti-lo como lustrador de móveis, sem ônus algum para o proprietário do negócio. Ele buscava o know-how na produção de móveis. Em pouco tempo, João era responsável pela fabricação de sofisticados produtos que tomaram fama cidade afora.
 
A ampliação do negócio se fez necessária e João inaugurou a primeira Mobiliadora Lider na cidade. Em 1976, foi a vez de a empresa se instalar em Belo Horizonte. Desde então, são 21 lojas em Minas, Espírito Santo, São Paulo e Distrito Federal. Nessa trajetória, houve mudança de nome. Em 2006, a Mobiliadora Lider foi rebatizada de Lider Interiores, já que mobiliadora é uma expressão tipicamente mineira.
 
A pacata Carmo do Cajuru nunca mais foi a mesma desde que seu João da Mata decidiu aprender a lustrar. Hoje, o município sustenta o título de Cidade dos Móveis e tem 70% de sua economia voltada para a produção moveleira. João, mesmo sem ocupar cargo operacional, continua visitando cada uma das seis lojas na capital mineira. Orgulha-se de ter criado uma linhagem de competentes sucessores, que se dividem entre diversas funções na empresa por ele fundada.
 
Da filha mais velha ao neto mais novo, os membros da família de seu João fazem de alguma unidade da Lider Interiores seu destino diário.
 
Neto mais velho de João da Mata, Tiago Nogueira viveu em Carmo do Cajuru até os 20 anos, quando se mudou para a capital para fazer faculdade. A princípio, optou por cursar administração, influenciado pelo pai contador. Entretanto, em pouco tempo resolveu rumar para a empresa do avô. “Meu pai era muito rigoroso e não me dava dinheiro com facilidade. Foi aí que meu tio me propôs ser promotor de vendas de tapetes na Lider, onde fiquei durante 11anos”, conta.
 
A proposta do tio parecia um convite ao fracasso, pois o setor de tapeçaria da empresa dava bastante prejuízo. Disposto a mudar esse quadro, ele reconfigurou a área. “O quadro de faturamento saltou muito. Isso, para mim, era um supernegócio e para a Lider também”, orgulha-se Tiago, que atualmente é vice-diretor comercial e de marketing da empresa.
 
Vários integrantes da família trabalham na Lider, que mantém cinco fábricas próprias, 21 lojas em cinco estados e 1,3 mil funcionários. Tiago diz que a empresa aposta em uma administração mesclada – e por isso democrática.
 
“Atingimos a maturidade profissional com o tempo. No início, é comum o empresário misturar vida e renda pessoal com o profissional. Hoje, sabemos que o preparo do funcionário vale muito mais do que ser ou não da família. Há um bom tempo, deixamos bem claras as funções de cada um na Lider, qual o bônus ganho por cada um. Acima de tudo, todos sabemos que somos funcionários com CLT e carteira assinada”, reforça.
 
O desafio de ser um dos pilares de uma das maiores empresas de decoração do país impõe obstáculos diários a Tiago. “Procuro, com minha formação e estudos, acabar com essa coisa de filho do dono. Apesar de não ligar para esses rótulos, procuro removê-los com a minha competência e o bom resultado do meu trabalho. Aqui, essa coisa de herdeiro não existe”, garante.
 
Tiago comemora a harmônica convivência de todos os filhos e netos de seu João da Mata, sem brigas entre núcleos familiares. Entretanto, frisa que divergências acontecem a todo momento.

“Ainda bem que não concordamos em tudo, pois um de nossos pontos fortes é a diferença de perfis.
Minha mãe (Célia Nogueira) é da administração financeira e compras, supercontida. Alguns são mais conservadores do ponto de vista de estilo, outros querem apostar em coisas novas. Se não fosse meu tio Célio, por exemplo, talvez a Lider nunca tivesse saído de Minas Gerais”, exemplifica. “O importante é ter maturidade e não usar a empresa para benefício da família. Isso já conseguimos”, orgulha-se.

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