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Estilista mineiro Francisco Costa volta a flertar com o mundo da moda

Em entrevista à revista Elle, o mineiro falou sobre a intenção de voltar, os planos da Costa Brazil e as iniciativas para ajudar a população da Amazônia


10/10/2020 04:00

O estilista mineiro saiu de Guarani para Nova York, em 1985(foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS )
O estilista mineiro saiu de Guarani para Nova York, em 1985 (foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS )

Em 1985, sem saber falar inglês, o jovem Francisco Costa decidiu trocar a pacata cidade mineira de Guarani pela efervescente Nova York, ainda incerto do que iria fazer na megalópole. Matriculou-se, então, em um curso de moda no Fashion Institute of Technology (FIT) e começou a descobrir que tinha talento para a coisa. Conforme Costa foi florescendo como estilista, os trabalhos passaram a surgir. Ele integrou o time da Oscar de la Renta, viveu os tempos áureos da Gucci, de Tom Ford, e recusou um cargo na Balmain para, finalmente, fazer história na Calvin Klein ao se tornar o diretor criativo da marca de luxo global.

Costa reinventou a imagem da grife para as suas clientes, atualizou os códigos minimalistas criados pelo fundador da casa, mergulhou em pesquisas surpreendentes na área de tecnologia têxtil e colocou a Calvin Klein de volta ao mapa das marcas mais relevantes do circuito da moda internacional.

Em dezembro de 2018, surgia a Costa Brazil, sua marca de skincare. Com base em ingredientes como o breu e o cacau são feitos óleos, velas e cremes para o rosto e o corpo. Para dar consistência aos produtos, ele fez uma série de viagens à Amazônia e chegou a passar uma temporada vivendo com o povo yawanawá, que ele promete proteger com a visibilidade da nova empreitada.

Uma das iniciativas nas quais está trabalhando chama-se Amazônia Sempre. Trata-se de um fundo criado pela BrazilFoundation em parceria com a Conservação Internacional, que tem a meta de angariar US$ 1 milhão. O dinheiro será utilizado para ajudar as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, que estão sendo profundamente impactadas pela pandemia da COVID-19 na Amazônia. “O Brasil é um país resiliente, e nós vamos conseguir sair dessa, como já saímos muitas outras vezes.”

Em entrevista a Pedro Camargo, da ELLE Brasil, o mineiro conta os próximos passos da Costa Brazil e deixa escapar que um retorno para o mundo da moda pode estar mais próximo do que imaginamos.

Quando eu ainda trabalhava na Calvin Klein, muito antes de viajar para a Amazônia, a marca já estava sendo criada. Mas essa viagem deu um contexto ao que seria o produto. Todas as minhas visitas aos estados do Amazonas e do Acre foram muito importantes, principalmente a experiência com o povo yawanawá. Foi aí que entendi o que gostaria de desenvolver. Lá conheci o breu, por exemplo. Quando estava com eles, sentia um cheiro maravilhoso. Só no último dia percebi que queimavam o breu, essa resina cheia de propriedades curativas. Quando ele sai da árvore, parece uma goma-arábica, é mole. Depois, oxida e vira uma pedra, que é o que a gente queima. Aprendi demais com o povo yawanawá. A Amazônia foi importante para a minha descoberta desse novo espaço, que não é só físico, mas também emocional.

Atualmente, quando se fala de skincare, subentende-se um ritual particular de autoconhecimento que vai além de uma sequência rígida de cuidados com a pele. Você já era adepto dessa corrente? 
Antes, não tinha nenhuma ligação com esse mundo. Claro, tinha um lado espiritualizado, pois cresci na igreja. Mas costumo dizer que eu não escolhi esses óleos, foram eles que me escolheram. Eles foram surgindo, e eu não tive como segurar. É essa busca que mostra a qualidade da nossa marca: a combinação entre uma pesquisa incansável e a preocupação com a preservação ambiental. Nosso intuito é mostrar para o mundo as maravilhas naturais que temos e a sabedoria milenar por trás delas.

Qual é o Brasil que a sua marca quer mostrar para o mundo? 
A ideia é colocar a cultura brasileira no patamar mais elevado que existe. A arte brasileira é incrível e fundamental no panorama global. O talento que temos é indescritível. Nossa arquitetura quebrou todos os padrões. A visão que tenho do Brasil é positiva, real, passa longe do clichê. Levo em consideração tudo o que a gente gosta, mas também o que a gente não gosta. Nosso país é uma realidade que ri e que chora, que ama e que sofre. Ele está cheio de dualidades.

Você pretende matar a saudade de fazer moda? 
Eu adoraria! Já recebi propostas de algumas marcas, mas não foram tão interessantes. A intenção de voltar existe. O mais rápido possível, por sinal.

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