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Pesquisa alerta para novos casos de câncer colorretal no Brasil

Inca aponta que são esperados 20.540 novos casos da neoplasia em homens e 20.470 mulheres neste ano


postado em 23/06/2020 04:00 / atualizado em 22/06/2020 20:48

Pesquisa do Inca alerta para novos casos de câncer colorretal no Brasil neste ano: 20.540 em homens e 20.470 em mulheres (foto: Sociedade Brasileira de Cancerologia/Divulgação)
Pesquisa do Inca alerta para novos casos de câncer colorretal no Brasil neste ano: 20.540 em homens e 20.470 em mulheres (foto: Sociedade Brasileira de Cancerologia/Divulgação)
Abordar assuntos que conhecemos de perto não é muito comum. Aprendi com minha mania de falar sobre todos os problemas de saúde que tenho ou tive que a maioria das pessoas não é assim. O normal é não tocar em doenças, principalmente se são graves. Acredito que isso é muito pior, quanto mais se fala nelas, mais nos livramos de seu carma psicológico. Outro lance é que a experiência pessoal muitas vezes tromba com a científica, tradicional. Como, por exemplo, acontece com o câncer colorretal, que tive e já comentei aqui muitas e muitas vezes. Isso porque, ao ser constado o problema, pedi ao chefe do Departamento de Cirurgia Geral do Hospital Mater Dei, Marcus Martins da Costa, que se não desse para tirar o câncer sem ter que colocar uma colostomia preferiria ficar com o tumor, não tinha cabeça para aguentar aquela bolsa por fora do intestino. É claro que ele conseguiu fazer o que eu queria, e porque sobrevivi, entendo bem do assunto.

Como não concordo muito com as informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), mesmo sabendo que cada caso é um caso e que a informação do órgão é sobre pesquisa ampla. Para eles, os problemas nascem com histórico familiar positivo, história prévia de doenças intestinais inflamatórias, dieta rica em carnes vermelhas, carnes processadas (tais como presunto, salsicha, linguiça e mortadela), obesidade, consumo excessivo de álcool e tabagismo estão entre os principais fatores de risco. Por outro lado, a prática de atividade física e dieta rica em fibras são fatores protetores contra a doença. A recomendação para um adulto saudável é ingerir entre 25 e 30 gramas de fibras por dia.

De acordo com a pesquisa que o Inca faz, são esperados no Brasil neste ano 20.540 novos casos de câncer colorretal em homens e 20.470 casos em mulheres. Esta neoplasia representa o segundo tipo mais comum na população brasileira, com exceção do câncer de pele não melanoma. Nos homens, o tipo mais comum é o de próstata e nas mulheres a neoplasia de mama tem a maior in- cidência. Os principais sintomas do câncer de reto são: mudança no hábito intestinal, sangramento ao evacuar ou associado às fezes, perda de peso não intencional, dor pélvica e abdominal. Infelizmente, os sintomas são mínimos ou inexistem quando o tumor está em fase inicial. Por esse motivo é muito importante a adoção de estilo de vida saudável e que se busque orientação médica sobre as formas de rastreamento, especialmente para aqueles que possuem os fatores de risco citados anteriormente e indivíduos acima de 50 anos. O rastreamento pode se dar com exame físico, pesquisa de sangue oculto nas fezes, retossigmoidoscopia e colonoscopia.

Especificamente sobre o câncer de reto, uma vez feito o diagnóstico, o tratamento varia da ressecção da lesão por meio de colonoscopia em casos mais iniciais até cirurgias mais extensas. Uma modalidade de tratamento comumente chamada de “estratégia de preservação de órgão” começou a ser estudada no Brasil na década de 1990 e vem ganhando mais espaço e notoriedade no mundo. Tal possibilidade terapêutica se tornou possível, pois aproximadamente 30% dos pacientes tratados com quimioterapia e radioterapia apresentam resposta completa ao tratamento, isto é, sem evidência de neoplasia viável ao final da quimioirradiação, o que permite que a cirurgia seja omitida, sem prejuízo à cura e sem necessidade de ressecção de parte ou todo o reto. O grande benefício dessa estratégia é diminuir o risco de complicações cirúrgicas, como disfunções urinárias e sexuais, além de incontinência fecal e uso provisório ou permanente de colostomia.

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