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Malandragem e golpes continuam em época de coronavírus

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A reclusão tem aumentado a vontade de lesar o próximo que existe na humanidade, qualquer que seja a época ou o tempo. Já contei aqui nesta coluna minha burrice ao mergulhar com toda ignorância num lance de clonagem de cartão de crédito. Não perdi muito, o Bradesco repõe a perda, mas a trabalheira que deu para substituir os cartões clonados por outros limpos não está no gibi. E logo comigo, que tenho verdadeira aversão a esse tipo de ocupação, só na sede central do banco, que ocupou o antigo Cinema Metrópole, passei mais de uma hora. Apenas para o número do cartão novo, uma canseira só. Sem falar que não existe banheiro no andar, é preciso ir ao térreo. Cheguei lá, o das mulheres estava hermeticamente fechado – encarei o dos homens, numa boa.



Nesses dias de reclusão doméstica, quando trabalho em casa, onde foi montado meu computador do jornal, tenho recebido alguns e-mails absolutamente falsos, cobrando coisas que não devo, pedindo reposição de pagamentos que não tenho que fazer, com a maior insistência do mundo. Quem tenta esse tipo de golpe não sabe a quem está se dirigindo. No meu caso, por exemplo, é perder tempo. Tenho um princípio antigo, que sigo com todo cuidado. Não compro nada a prazo, não compro nada pela internet, não compro nada para pagar depois. Então, esse tipo de e-mail ameaçador, quando me chega, não provoca mais do que o trabalho de deletar o malfeito alheio.

Tenho verdadeiro respeito por quem tem dívidas e deve enfrentar essas ameaças que os bandidos não cansam de colocar nos e-mails. Mas eles não estão atacando só aí. Uma das ajudas que o governo deu aos funcionários públicos foi o empréstimo consignado, que adianta ao “apertado” uma grana para ser paga mensalmente, retirada da aposentadoria. O controle, que parece não ser muito legal, está aparecendo agora, quando estão sendo descobertos centenas de empréstimos feitos com CPF alheio. Apertado pela falta de opção nesse tempo de pandemia, com perda de renda mensal familiar já bastante noticiada, o aposentado, que não tem recebido em dia por falta de dinheiro do governo estadual corre em busca do tal empréstimo consignado. Quando consegue ser atendido, fica sabendo que um espertinho já passou na sua frente. O que fazer? Realmente, não sei dizer.

Mas esse tal de empréstimo tem também um outro lado, o do funcionário que quer levar vantagem . Pelo que sei, ele é requisitado e liberado no dia do pagamento mensal de cada um. Cada banco só pode liberar um empréstimo por pessoa. Mas existem os espertinhos que conseguem passar no dia de pagamento em vários bancos e fazer a requisição do empréstimo. Quando o golpe é descoberto – e sempre é – quem deu o golpe tem que se virar para se livrar da cobrança sem grana para repor o dinheiro que tentou antecipar.



A vontade de consumir para se libertar de vários traumas e vários complexos não é apenas dos brasileiros. Faz parte da humanidade, só que em alguns países esse tipo de gastar mais do que pode comprar ou pagar é um tipo de dívida bem mais complicado de resolver. Em alguns países dá até cadeia. Por aqui, depois das fortunas que apareceram depois da Lava-Jato, nós sabemos que o governo consegue recuperar um pouco da roubalheira, mas o ladrão fica sempre com algum. Essa verdade é antiga no governo brasileiro, onde não foram poucos os políticos que entram com as calças na mão e saíram morando em luxuosas coberturas.