Jornal Estado de Minas

Lembrar de foras antológicos vale a pena e faz rir de nós mesmos

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Semana passada encontrei com minhas amigas Nora e Patrícia Loureiro em um coquetel. Aproveitamos para sentar e colocar o papo em dia. Delícia pura. Encontro agradável em fim de tarde, principalmente neste corre - corre da vida que tem impedido esta convivência com frequência.


Em determinado momento, o garçom passou com uma bandeja de um petisco mexicano com guacamole. Foi o que bastou para Patrícia lembrar imediatamente de um episódio que ocorreu com ela, que não posso deixar de compartilhar. Depois de fazer as compras em um supermercado, ao passar pelo caixa, a atendente viu o pequeno abacate, e se esqueceu como chamava. Porque tem isso, o produto muda de tamanho, vem de uma região diferente, pronto, ganha nome chique, e elas têm que decorar aquilo tudo. Pois bem, a moça não se fez de rogada, levantou a fruta e gritou para sua colega em alto e bom tom: “Fulana, como chama isso mesmo?”, para poder achar o código e pesar o produto. A resposta veio rápido: “Advogado”, e a concordância foi imediata “Ah, é”.
 
Como segurar o riso diante dessa cena onde o avocado passa a se chamar advogado? E como ela conseguiu achar o preço do produto? Não consegui entender, mas com certeza a Patrícia se divertiu muito na hora, foi obrigada a buscar do fundo da alma autocontrole para segurar o riso, o que não ocorreu em nenhuma de nós quando ela contou o caso.
 
Lembrei-me de quando era responsável pelo Show de Fogos da TV Alterosa. Tínhamos que fazer a visita técnica com o responsável por eventos do Corpo de Bombeiros. E ele falou com firmeza os pontos onde teríamos que colocar “tacume”. Eu, de uma maneira muito delicada, repeti a frase dizendo que ele poderia ficar tranquilo que colocaríamos os “tapumes”. Não adiantou, seriamente e mais firme ainda, o bombeiro repetiu: “A senhora coloca os 'tacumes'”. Desisti, segurando o riso.


E minha amiga lembrou outra história. Estava ela em sua fazenda, dizendo para seu caseiro ou capataz, que era para pintar toda a varanda e ele muito compenetrado soltou a pérola: “É para pintar todos os balaúmes?”. Como corrigir? Só restava concordar: “Sim, seu fulano, pinte todos os balaúmes”. E o balaústre sofreu um pouco com a mudança de seu nome.
 
Crianças falando nomes errados é bonitinho, fofo e engraçado. Vários pais chegam a escrever o vocabulário de seus filhos para lembrar e contar a eles quando crescem. “Mainoese”, “genda”, afinal o a é artigo, “troncole” (controle), “laboreu” (lá vou eu), “merrédio” (remédio), “çúcara”, etc. Quando são adultos, geralmente são pessoas mais simples, que falam palavras com as quais não têm muita familiaridade, acho ingênuo e cativante.
 
Enfim, a conversa acabou enveredando para casos constrangedores, que depois se tornam engraçados, que ocorrem com a gente. Uma delas contou de certa vez que estava em um sacolão, comprando uma penca enorme de bananas – a família, que não é pequena, ama a fruta – e, na maior inocência, fala na maior altura no meio da loja chamando a atenção do atendente: “Moço, você tem um saco grande?”, percebendo o que tinha dito, tentou consertar. “É para colocar a banana!”. Piorou bastante. Todo mundo olhou segurando o riso e ela sem saber onde colocar a cara. O jeito foi correr para o caixa e sair depressa dali.
 
Uma arquiteta e decoradora, há vários anos, finalizando um projeto, ficou sem saber onde colocar o teclado do cliente no projeto. Na maior tranquilidade, falou com ele: “Fulano, estou sem saber onde enfio o seu órgão”. Sem comentários.
 
Se cada um de nós parar para pensar, com certeza lembraremos de vários casos parecidos, de foras antológicos que cometemos e que depois se tornaram motivo de muitas risadas. O que vale é ser feliz e rir de nós mesmos.

(Isabela Teixeira da Costa / Interina)