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Endometriose pode levar a estados graves de infertilidade

Diagnóstico tardio pode agravar doença que, em geral, é evolutiva e levar a quadros de dores extremamente acentuadas


postado em 19/03/2020 04:00 / atualizado em 18/03/2020 18:13


Em março, comemora-se o Mês Mundial de Conscientização da Endometriose, o Março Amarelo. Trata-se de ótima oportunidade para debates sobre essa doença, que afeta o dia a dia de muitas mulheres devido à dor. Também acomete de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva e 35% a 50% das inférteis, sendo a maior causa de infertilidade no sexo feminino.

Dados oficiais estimam que entre 7 milhões e 10 milhões de mulheres sofrem de endometriose no Brasil. Por isso mesmo, destaca o ginecologista Walter Pace, professor de ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e titular da Academia Mineira de Medicina, “não é à toa que a endometriose é uma das doenças que mais preocupam as mulheres brasileiras, inclusive porque causa dor durante ou após relações sexuais, cólicas menstruais intensas, sangramento menstrual intenso e alterações intestinais, entre outros sintomas. E lidar com esse sofrimento ao mesmo tempo em que têm que trabalhar, cuidar da família e das tarefas domésticas, não deve ser fácil”.

Segundo o especialista, a associação da endometriose com a fertilidade tem sido alvo de discussão há anos. “Todos os tipos e graus da doença podem influenciar a fertilidade. Porém, frequentemente, o diagnóstico não é tão evidente e fica como última opção na pesquisa, entre outras causas, a dor e infertilidade”. Conforme explica: “Ainda não sabemos, claramente, a causa da endometriose, mas uma das probabilidades é a da passagem do sangue da menstruação pela trompa. Sabemos também que se trata de uma doença estrógeno-dependente, que consiste na invasão pelas células do endométrio (tecido que reveste a parede interna do útero e descama durante a menstruação) no músculo do útero ou para fora dele, atingindo órgãos como o ovário, o intestino e a bexiga, entre outros”.

Os primeiros sintomas da endometriose são cólicas progressivas, muitas vezes intensas e até mesmo incapacitantes, ou seja, cada vez piores a cada menstruação. “A dor ocorre, em geral, na parte inferior do abdome e pode causar desconforto nas relações sexuais. Se a endometriose estiver localizada na bexiga ou no intestino, pode causar sintomas urinários ou intestinais durante a menstruação como, por exemplo, dor ao urinar ou diarreia. Dores mais intensas podem levar a problemas como cansaço, perda do sono, alterações de humor, depressão, tensão pré-menstrual e dor lombar. Com essa sintomatologia, fica claro o sofrimento das pacientes”, relata o ginecologista.

Walter Pace explica que o diagnóstico pode ser feito por meio de exame clínico, ultrassom, laparoscopia, ressonância magnética e histeroscopia. “O tratamento clínico, normalmente, é hormonal, que dispõe de novas alternativas, seguras e mais eficazes”, afirma. O tratamento avançou muito nos últimos anos. “Entre esses avanços podemos citar a cirurgia em três dimensões e a cirurgia robótica, cujas tecnologias permitem melhor visualização das estruturas anatômicas críticas e maior precisão e segurança que os procedimentos convencionais”, afirma o médico.

No mês de conscientização da endometriose, é importante aproveitar a oportunidade para, repetidamente, salientar a importância da prevenção da doença, pois é fundamental para o êxito do tratamento. “A prevenção se faz com a atenção aos sintomas, possibilitando, dessa forma, o seu diagnóstico precoce. A doença é, em geral, evolutiva e o retardo no diagnóstico pode levar a estados graves de infertilidade e quadros de dores extremamente acentuadas”, finaliza.

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