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Estamos estimulando um novo tipo de censura?

BH tinha vários blocos caricatos que saíam com as caras pintadas de preto e bocas brancas ou vermelhas. Sumiram, porque ficaram politicamente incorretos


postado em 09/03/2020 04:00 / atualizado em 09/03/2020 08:22

Estamos vivendo um período de democracia. Que bom! Só quem viveu em época de ditadura sabe dar valor à democracia. Eu era muito nova, não ligava para política. As coisas já estavam mudando, mesmo assim peguei a época da censura.
 
Sempre gostei de fazer teatro. Comecei no Colégio Izabela Hendrix – hoje Instituto e Centro Universitário, cresceu bastante. Fazíamos muitas peças lá, todas apresentadas dentro do colégio para os alunos. Marly Ferraz de Andrade, professora de história, era a diretora do teatro. Fui eu quem deu nome ao grupo: Grupo Izabela de Teatro Experimental (Grite).
 
Depois do colégio, participei de um grupo de teatro evangélico, o Verbenas. Fazíamos apresentações abertas ao público, no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Naquela época, tínhamos de fazer um ensaio para os censores. Isso mesmo, funcionários da Polícia Federal, que entravam na maior seriedade, assistiam à peça e depois falavam com o diretor, Marco Antônio Gualter Rosas, o que ele teria de cortar ou modificar no texto ou em alguma cena.
 
Em 1982, participei pela primeira vez do Showçaite, teatro de revista amador produzido pelo saudoso colunista social Eduardo Couri em benefício da Jornada Solidária Estado de Minas – que na época se chama Jornada pelo Natal do Menor. Como o espetáculo era aberto ao público, era obrigatório o ensaio para os censores.
 
Com a democracia, isso acabou. O mundo foi mudando. Liberdade de expressão, maravilha pura. Vieram o avanço tecnológico, o surgimento da internet e a globalização. Muitas coisas que até então eram brincadeiras passaram a ser consideradas politicamente incorretas. Concordo com muitas delas, mas outras acho um tanto exageradas.
 
Democracia não é cada um escolher o que quer e respeitar a opinião do outro? Se é isso, porque tanta gente está brigando por causa de política? Querer impor a sua opinião não é democracia. Não importa se é de direita ou de esquerda, se algum dos lados quer se impor na força, isso é ditadura. Na democracia têm de valer o respeito e a tolerância.
 
Quando surgiram as redes sociais, as pessoas começaram a se expor, a falar para um público incontável tudo o que querem, o que fazem, onde estão. Abrem suas vidas a tudo e a todos. E as pessoas comentam, são implacáveis. Se gostam, curtem e elogiam; se não gostam, descem a lenha. Criticam e julgam com rigidez, sem dó nem piedade. A pessoas passaram a patrulhar a vida umas das outras. E criticam tudo. Não seria isso uma nova forma de censura? Censura diferente daquela que citei no início deste artigo, mas não deixa de ser cerceamento da fala do outro. “Tenho que tomar cuidado com o que falo, porque alguém pode interpretar errado e aí começa a chuva de críticas.”
 
Rede social é uma espada de dois gumes. Se souber usá-la, será útil, proveitosa e até benéfica. Se não souber, ela se transforma em arma. Se colocamos nossa vida em público, estamos dando direito às pessoas de entrar nela e comentar. Ficamos à mercê do que elas acham e de como se manifestarão. E entram os excessos. Atualmente, fantasia de índio ou de animal pode ser ofensa a alguém. Belo Horizonte tinha vários blocos caricatos que saíam com as caras pintadas de preto e bocas brancas ou vermelhas. Sumiram, porque ficaram politicamente incorretos.
 
Temos de aprender a ter um pouco mais de equilíbrio e bom senso antes de sair apedrejando tudo e todos. Deveríamos pensar um pouco mais antes de postar tudo o que vem à mente. O nosso direito acaba quando começa o direito do outro, e todos temos deveres. Respeito é muito importante. Todos gostamos de ser respeitados e deveríamos também respeitar o outro, sempre. É a velha máxima: faça com o outro apenas o que gostaria que fizessem com você.

(Isabela Teixeira da Costa/Interina)

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