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Por que é tão difícil deixar de fumar?

De todas as drogas, é a que provoca mais dependência química. Atinge o cérebro entre sete a nove segundos. Vicia mais do que álcool, cocaína, morfina e crack


postado em 03/03/2020 04:00

Apesar dos efeitos nocivos do cigarro, número de fumantes ainda é alto (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Apesar dos efeitos nocivos do cigarro, número de fumantes ainda é alto (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Graças a Deus nunca fui do time dos fumantes. Certa vez, em uma peça de teatro que fiz, meu personagem entrava em cena fumando. Foi uma peleja. Meus colegas fumavam na coxia e eu entrava com o cigarro aceso, com a cinza grande, dava uma baforada, batia a cinza, jogava ele no chão e apagava com o pé. Mas cresci em uma família de fumantes, meus pais e irmãos fumavam.

Sei que não é fácil largar o cigarro, porque tenho muitos amigos fumantes e vejo de perto a luta de cada um. Mas já presenciei várias pessoas que passaram por um grande problema de saúde e, por conta disso, abandonaram o cigarro. São uns verdadeiros vencedores, porque o principal fator para largar este vício tem de ser a força de vontade, para lutar arduamente contra o desejo de fumar, quando ele vem.

Minha mãe fumou por mais de 50 anos. Começou a tossir muito, ficou preocupada, fomos ao médico. Ele pediu um raio X. Quando viu a imagem, falou para ela que o pulmão estava limpinho, que ela deveria parar de fumar para não vir a ter nenhum problema. Ela saiu de lá e nunca mais acendeu nenhum cigarro, mas deixou um maço de cigarro na gaveta de seu criado-mudo por anos. Fiquei impressionada.

Estou falando disso hoje porque dois amigos meus enfartaram gravemente. Ambos eram fumantes, ficaram um bom tempo no hospital. Um deles parou de fumar, mas depois de uns seis meses voltou. O outro não conseguiu parar e me disse que está diminuindo a quantidade. Acho que isso é uma tapeação e nunca vai parar realmente. Para quem está de fora, a impressão que passa é de que o vício é mais importante que a vida. Será esse o sentimento deles?

Veja o caso da apresentadora Ana Maria Braga. Ela já venceu três cânceres, um deles de pulmão. Já é uma vitoriosa. Quantas pessoas nesta vida conseguem se curar três vezes desta doença tão maligna? Mas, por outro lado, é um alerta enorme para ela, tipo “cuidado, você é suscetível a essa doença, se cuida!”

Ana Maria é fumante, já tentou largar o cigarro várias vezes e voltou a fumar. Infelizmente, seu vício lhe rendeu mais um câncer no pulmão. Desta vez, mais grave que o anterior. Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, em maio de 2019, Ana disse que havia tomado a decisão de parar de fumar e que estava se preparando psicologicamente, porque não adiantava tomar remédio. O mais impressionante é que Ana Maria tem uma vida bastante regrada no que diz respeito a alimentação e exercícios, mas nunca conseguiu para de fumar.

O cigarro é responsável por 25% das mortes por doença coronariana (angina e infarto do miocárdio), 45% das mortes por infarto na faixa etária abaixo de 65 anos, 85% das mortes por bronquite crônica e enfisema pulmonar, 25% das doenças vasculares (entre elas, AVC) e 90% dos casos de câncer no pulmão.

Hoje, está cada vez mais complicado ser fumante, porque não tem muito espaço mais para fumar. Mesmo assim, o número de fumantes é alto, porque a nicotina fumada é absorvida rapidamente nos pulmões, vai para o coração e, através do sangue arterial, se espalha pelo corpo todo e atinge o cérebro. No sistema nervoso central, age em receptores ligados às sensações de prazer. Esses, uma vez estimulados, comunicam-se com os circuitos de neurônios responsáveis pelo comportamento associado à busca do prazer. De todas as drogas conhecidas, é a que provoca mais dependência química. Vicia mais do que álcool, cocaína, morfina e crack. Ela atinge o cérebro entre sete a nove segundos.

É difícil largar este vício, fato. Se fosse fácil, não existiriam mais fumantes. Talvez uma boa estratégia seja passando por uma conscientização e escolha pela vida, principalmente por parte das pessoas que já enfrentaram problemas de saúde e tiveram uma segunda chance.

Tenho um amigo que fuma, e brinco muito com ele falando sobre os problemas que o cigarro pode causar toda vez que ele acende um cigarro. Em nenhuma das vezes o vi sério, pensando nos riscos, sempre dá um risinho, e vai para área externa fumar. É como se os perigos fossem blindados na mente dos fumantes e eles achassem que nunca serão atingidos. (Isabela Teixeira da Costa/Interina) 

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