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Novas teorias tentam explicar por que o câncer se tornou epidemia

O filósofo Fabiano de Abreu e a arqueóloga Joana Freitas buscam entender a proliferação da doença com base no processo evolutivo da humanidade


postado em 30/01/2020 04:00


A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que, em 2019, registraram-se cerca de 18 milhões de novos casos de câncer. Cerca de 9,6 milhões de pessoas ainda devem morrer por causa dele. As estatísticas trazem uma projeção alarmante: duas em três pessoas nascidas hoje podem vir a desenvolver a doença, segundo cientistas britânicos do Câncer Research UK. Como chegamos a este ponto? O que fazer para reduzir a incidência do câncer? Especialistas acreditam que ele já se trata de uma epidemia mundial.

Projetos multidisciplinares têm unido esforços em busca de respostas para essas questões. O filósofo Fabiano de Abreu e a arqueóloga Joana Freitas buscam entender a proliferação da doença com base no processo evolutivo da humanidade, já que a escalada de casos da doença é recente. Há pouco tempo, o câncer era pouco documentado. Havia poucas referências na literatura médica sobre a quantidade de pacientes que morreram devido à doença.

“Hoje, o câncer faz parte do nosso cotidiano. Durante o almoço, ele é comentado à mesa, quando comemos ou cozinhamos, devido a tantos casos de pessoas conhecidas que enfrentam ou enfrentaram a doença. Aprofundando minhas concepções sobre o câncer e seus motivos, levei em frente a pesquisa baseada em dados já confirmados, em estudos em sites confiáveis na internet e também com o apoio da arqueóloga Joana Freitas para que chegássemos à teoria de que, embora pareça um pouco óbvia, necessitava de aprofundamento”, revela Fabiano de Abreu.

De acordo com a teoria formulada por Fabiano e Joana, o câncer se deve à defasagem entre a evolução material, vivencial, e a adaptação genética. “O ser humano está a mudar seus comportamentos, com especial foco nos hábitos alimentares e na rotina de vida. Isso ocorre de forma tão repentina que, se comparado com o tempo que ele necessita para evoluir geneticamente e fazer face a uma mudança, não há uma sintonia evolutiva. Nossa adaptação genética não alcança a acelerada evolução que proporcionamos em nossa vida. O organismo precisa de um tempo para se adaptar às mudanças. E essa adaptação, transmitida geneticamente através das gerações, não teve tempo hábil para adquirir algumas dessas nuances. Por isso sofremos suas consequências”, pondera o estudo da dupla.

Ao analisar o processo evolutivo sob a ótica da arqueologia e da biologia, os estudiosos traçaram uma linha do tempo em que há descompasso entre mudanças comportamentais e o tempo cronológico decorrido. “Nos últimos 10 mil anos, o ser humano evoluiu e desenvolveu novos costumes de forma repentina, se comparado ao panorama evolutivo geral. Precisamos de milhares de anos para evoluir e nos adaptar às novas situações como consequência dos costumes. Contudo, em 10 mil anos, criamos tantas mudanças, tantas situações em que a adaptação seria necessária que isso causa confusão em nosso organismo. Não podemos esquecer que 10 mil anos são como segundos no panorama global da história evolutiva humana. Para cada alteração é necessário mais tempo do que isso”, explica o especialista.

Como explicar o aumento mundial estrondoso dos casos de câncer? Fabiano de Abreu e Joana Freitas formularam uma teoria que procura explicar a causa não apenas da proliferação da doença como epidemia global, mas também em especificidade do indivíduo, considerando o órgão ou a parte do corpo afetada. Para os estudiosos, o câncer está ligado não só à questão da adaptação genética alimentar, mas também às mudanças do mundo devido à evolução tecnológica acelerada.

“O câncer, em âmbito geral, é consequência da não adaptação temporal às mudanças. Tudo está relacionado ao fato de estarmos tentando mudar muito rapidamente a natureza evolutiva. Assim, também a cura se torna mais difícil, pois a doença não é ocasionada por vírus, bactéria ou por um ser hospedeiro. Não é uma influência externa, mas interna”, comenta o pesquisador.

De acordo com a teoria dos dois estudiosos, a resposta para a cura pode estar em tentar seguir padrões alimentares e comportamentais baseados no exemplo de civilizações anteriores à epidemia da doença. Adotar hábitos que remetem a períodos que precederam a Revolução Industrial pode ajudar a reduzir a incidência da doença.

“O câncer se propaga com a modernidade. Nossos hábitos, que se estabeleceram gradualmente desde que nos tornamos populações sedentárias, tiveram grande impacto no crescimento da doença. Nosso modo de vida fez com que vivêssemos mais tempo, o que também é um fator que contribui para o aumento de casos”, afirma o especialista.


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