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Catarata está entre as cirurgias eletivas mais procuradas do SUS

No Brasil, ela responde por 49% dos casos de cegueira tratável. Confira dicas sobre os sintomas da doença


postado em 21/01/2020 04:00 / atualizado em 20/01/2020 22:12


A catarata, doença que torna opaco o nosso cristalino, a lente interna do olho, é a maior causa de perda da visão no mundo. No Brasil, responde por 49% dos casos de cegueira tratável. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier, sua principal causa é o envelhecimento natural dos olhos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que o problema atinge 17% das pessoas entre 55 e 65 anos, 47% entre 65 e 75 anos e 73% após 75 anos.

De acordo com o oftalmologista, o rápido envelhecimento da população e as longas filas de espera por cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS) explicam por que a catarata responde pela perda da visão de praticamente metade dos brasileiros. Para se ter ideia, a estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), baseada nos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de que, entre 2010 e 2019, o número de cegos no Brasil triplicou, saltando de 506,3 mil para 1,577 milhão. Não é para menos. Pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que as maiores demandas por cirurgias eletivas no SUS são, respectivamente, a catarata, a correção de hérnia, varizes e a retirada da vesícula e das amígdalas.

Pior: na fundação vinculada ao hospital que realiza cirurgias pelo SUS, conta Queiroz Neto, é comum pacientes não aparecerem para operar na data marcada ou não apresentar exames necessários para passar pelo procedimento. “A segunda marcação, muitas vezes, demora mais que o esperado e quanto mais madura é a catarata, maiores são os riscos de complicações durante a cirurgia”, adverte. Na opinião do especialista, a lista de espera do SUS deveria priorizar o procedimento entre portadores de glaucoma. Isso porque a catarata aumenta a espessura do cristalino e pode dificultar o controle da pressão intraocular entre glaucomatosos.

A boa notícia é que o Ministério da Saúde acaba de anunciar o aporte adicional de R$ 250 milhões para 53 cirurgias eletivas de média complexidade, como é o caso da catarata. Por isso, comenta o oftalmologista, quem está na fila pode voltar a enxergar antes do esperado.

Queiroz Neto explica que os principais sinais da catarata são a troca frequente dos óculos, ofuscamento em locais ensolarados e no trânsito, enxergar halos ao redor da luz, perda da visão de contraste e a necessidade de mais iluminação para ler. Como ocorre com a maioria das doenças oculares, as alterações visuais são progressivas e passam despercebidas na fase inicial.

O único tratamento para catarata é a cirurgia. Feita com anestesia local, consiste na substituição do cristalino opaco pelo implante de uma lente intraocular, injetada no olho por meio de um corte de 2mm na borda da íris. O procedimento é realizado em um olho e depois no outro. A recuperação é rápida e depende da aplicação correta de três colírios: lubrificante, anti-inflamatório e antibiótico.

“Ninguém escapa da catarata, pois, na maioria dos casos, trata-se do processo de envelhecimento do cristalino, embora ela também possa ser causada por traumas ou doenças congênitas”, esclarece Queiroz Neto. Mas a degeneração do cristalino pode ser adiada. As dicas elencadas pelo oftalmologista são: durante o dia, usar óculos com lentes que filtrem 100% da radiação ultravioleta (UV) nas atividades externas; dormir de seis a oito horas por dia; e jamais abrir mão da proteção solar – a falta desse último cuidado aumenta em 60% o risco de catarata. É preciso também controlar a glicemia e o diabetes dobra o risco da doença. Devem ser evitados o excesso de sal na dieta e o tabagismo.

Para completar: pacientes que não contam com seguro saúde ou recursos para operações na rede particular têm usado o SUS, com ótimos resultados.


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