Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas

Médicos explicam reações do corpo à baixa umidade durante voos longos

Especialistas recomendam beber água, hidratar a pele e uso de meias elásticas, além de mastigar chicletes e bocejar para evitar a sensação de nariz entupido


postado em 12/12/2019 04:00 / atualizado em 11/12/2019 17:49

Apesar de as passagens aéreas estarem nas alturas, mesmo compradas muito tempo antes por causa da demanda de fim de ano, os problemas dos passageiros dentro do avião são sempre os mesmos, principalmente em viagens mais longas. Médicos dão explicações sobre o que ocorre com o organismo durante esses voos.

“A baixa umidade do ar provoca uma série de incômodos. Dentro do avião temos a cabine pressurizada, ar-condicionado intenso, e em longos voos não é incomum pessoas reclamarem de pele e garganta secas. Lábios, olhos e nariz secos e até mesmo o efeito frizz nos cabelos são alguns dos efeitos frequentes provocados pela baixa umidade”, alerta a dermatologista Mônica Fialho, da clínica carioca Barra Skin.

“Voos costumam gerar incômodos e desconfortos em razão não apenas dessa falta de umidade, mas pela pressurização da cabine devido à altitude e ao frio do ar-condicionado”, afirma a médica. “Em caso de longas distâncias, pacientes sempre relatam que percebem a pele e a garganta ressecadas, além da sensação de pernas cansadas, olhos lacrimejando, incômodo ao respirar e retenção de líquidos. Há também o ressecamento de mucosas das vias aéreas, tornando a pessoa mais vulnerável a uma crise de asma e a infecções virais e bacterianas. Ocorre, sim, maior desidratação”, reforça.

Mônica Fialho recomenda que a pessoa se hidrate bem antes, durante e após o voo. “Deve-se aplicar soro fisiológico no nariz e nos olhos para evitar o ressecamento, além de usar produtos para hidratar a pele e lábios indicados pelo dermatologista. Levantar e caminhar um pouco no corredor ajuda a melhorar a circulação sanguínea e a evitar retenção de líquidos. Tudo isso ajuda a melhorar a disposição durante e após o voo, com consequências na saúde e beleza da pele”, afirma Mônica.

A dermatologista Mariana Chambarelli Neno diz que a sensação de ressecamento pode ocorrer na região dos olhos, nariz e boca. A retenção de água gera inchaços no rosto e no corpo. “Recomendo que seja aplicado e reaplicado o hidratante indicado pelo médico e borrifar água termal quando se sente desconforto durante o voo. É fundamental beber bastante água. O uso de meia elástica com compressão ajuda a circulação sanguínea, oferecendo conforto”, afirma.

Outro incômodo comum é ouvido entupido durante o voo. “A mudança brusca de pressão atmosférica, apesar das cabines pressurizadas, causa o desequilíbrio entre o ar que está dentro dos ouvidos e o ar do ambiente, gerando a distensão da membrana timpânica, abafamento temporário da audição e desconforto. Nosso organismo precisa de um tempo para equilibrar a pressão. Quem controla a passagem do ar e equilibra a pressão é a tuba auditiva, canal que conecta o nariz ao ouvido. Pessoas com nariz entupido podem ter dificuldade em descomprimir o ouvido, apresentando dor intensa, surdez prolongada e até perfuração do tímpano”, detalha o otorrinolaringologista Gustavo Gosling, da Otoclínica.

De acordo com ele, a queda da umidade afeta as defesas do sistema respiratório. “Há ressecamento das mucosas das vias aéreas, o que compromete a proteção natural do nariz feita pelo muco que reveste a região, favorecendo a intensificação de rinites alérgicas, crises de asma e infecções virais e bacterianas. Também podem ocorrer sangramentos nasais, dor de cabeça e garganta seca.”

O especialista destaca que o único modo de amenizar a surdez e a pressão no ouvido é fazer o ar circular pela tuba auditiva. “A deglutição é a maneira mais natural de deixar o ar entrar, sair e voltar a relaxar o tímpano. Mastigar chicletes e bocejar ajuda a abrir a tuba auditiva. O uso de sprays nasais pode aliviar a obstrução do nariz e diminuir secreções, facilitando a passagem do ar para os ouvidos. Forçar a ventilação interna tapando o nariz, na chamada manobra de Valsalva, usada por mergulhadores, é outra técnica”, conclui. 


Publicidade