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Pesquisa da Universidade do Vale do Itajaí avalia o que fazemos com as roupas


postado em 18/11/2019 04:00 / atualizado em 16/11/2019 18:01

“Para onde vão as roupas que são jogadas fora?”. Esse questionamento originou um estudo feito pela acadêmica Julia Eduarda Riboli e pela professora Graziela Morelli, do curso de design de moda da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Consciência de moda sustentável, perfil de compra, uso, manutenção e descarte das vestimentas são algumas das questões analisadas no trabalho.

Em abordagem quantitativa, a coleta de dados ocorreu com foco na comunidade acadêmica do Campus Balneário Camboriú. O local foi escolhido para amostragem por reunir vários segmentos de público – alunos, professores e funcionários – de diversas idades, com realidades e situação econômica diferentes. Responderam aos questionários 608 pessoas, sendo 463 mulheres e 145 homens; havia estudantes, funcionários e professores. Eram 447 pessoas com idade entre 15 e 25 anos e 92 pessoas entre 26 e 35 anos. O restante situa-se nas faixas etárias superiores, a partir de 36 anos, totalizando uma quantidade menor de respondentes.

O estudo revela que 69,7% dos pesquisados ainda preferem comprar suas roupas em lojas físicas. Em relação ao estilo das roupas compradas, 87,3% afirmaram adquirir peças básicas. Apenas 37 pessoas afirmaram comprar a maioria de suas roupas em lojas on-line e 4,3% disseram optar por adquirir roupas de segunda mão, ou seja, em feiras, brechós ou com o aluguel de peças. Dos respondentes, 39,1% compram roupas a cada três meses; 27,8% a cada seis meses; e 18,8% todo mês. Sobre o conhecimento da origem das marcas que compra, a maioria (79,8%) diz não saber e demonstra não estar interessada em valorizar marcas locais ou regionais. A pesquisa mostrou ainda que 49% dos participantes lavam a roupa depois de usá-la duas vezes, 23,7% uma vez e 23,4% após utilizá-la três vezes. A maior parte (81%) acredita que compra roupas por necessidade. Entre os principais critérios de escolha para compra destacam-se o preço (87,5%), a qualidade (82,2%) e o estilo (60,9%).

A sustentabilidade e a valorização do trabalhador local por trás de uma peça de roupa não são preocupações significativas para as pessoas que participaram da pesquisa. Apenas uma disse considerá-las como fator de decisão. Em contrapartida, respostas a outra pergunta indicam que 42,8% das pessoas se interessam, mas admitem não pesquisar sobre o assunto. A customização e a manutenção das peças não foram indicadas como alternativas adotadas: 56,5% afirmaram que nunca ou raramente o fazem. Sobre o tempo de uso, os grupos mais representativos foram: 35,9% usam as peças durante três anos antes de se desfazer delas; 29,9% durante cinco anos ou mais; e 24,8% durante dois anos.

Sobre o destino dado às roupas depois que elas não são mais úteis para o usuário, os respondentes podiam assinalar mais de uma resposta. A maioria (82,9%) alegou doar para pessoas próximas; em seguida vem a doação para instituições de caridade, com 65,1%. Em contradição com a questão da customização, 23% falam que transformam em outra coisa e reutilizam; 15,3% vendem; 10% trocam e uma única pessoa respondeu que queima suas roupas. As duas razões predominantes que motivam o descarte foram o desgaste da peça (78,1%) e por ela não servir mais (69,1%). Estar fora de moda (17,6%) e arrependimento da compra (20,2%) também apareceram com resultados relativamente altos. A última questão perguntou se o público já contribuiu com algum projeto que dá continuidade a peças de roupa. Quase metade do público (48,2%) afirmou já ter participado de campanhas do agasalho ou de igrejas, 23% das pessoas dizem já ter colaborado com eventos de doação, mas 25,7% dos questionados admitem nunca ter contribuído com nenhum desses projetos.

“Queríamos entender a fase em que a roupa está na mão do consumidor, que é uma etapa importante do ciclo de vida do produto no que diz respeito à sustentabilidade", comenta a professora. Em linhas gerais, segundo Graziela, o estudo demonstra que, apesar de as pessoas terem conhecimento das questões de sustentabilidade, na hora da compra, do uso e do descarte, as ações ainda são muito frágeis, porque poucos observam de forma mais aprofundada a origem das suas compras e o impacto de suas ações.

A acadêmica Julia reforça que, mesmo com o discurso polarizado e campanhas constantes nas mídias a respeito de resíduo, consumo, preservação e consumo consciente, na prática, a pesquisa comprovou o que a literatura também vem indicando: “Infelizmente, o que constatamos é que essas ações não se revelam tão efetivas pelos consumidores. Esses dados permitirão o aprofundamento das análises e a ampliação da pesquisa, para que sejam propostas soluções e estratégias que possam reverter ao menos uma porcentagem desse quadro preocupante”, pondera a aluna.

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