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Já tentei convencer meio mundo da maravilha que é pão com torresmo

Adoro muitas comidas raras e difíceis de encontrar, mas nada no mundo é melhor do que um bom pão com manteiga. Desejo feliz Dia do Pão aos companheiros de minha preferência


postado em 16/10/2019 04:00 / atualizado em 15/10/2019 18:46

Prateleira com baguetes francesas em padaria de Belo Horizonte (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A.Press)
Prateleira com baguetes francesas em padaria de Belo Horizonte (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A.Press)

Data ótima de comemorar é a de hoje – Dia Internacional do Pão. Adoro muitas comidas raras e difíceis de encontrar, mas nada no mundo é melhor do que um bom pão com manteiga. Se estiver quentinho então, não há nada que o substitua. Já contei aqui, mas não custa repetir, que a primeira vez em que fui à França, trouxe de Paris, compradas no aeroporto, duas baguetes maravilhosas. Aqui elas ainda não existiam e, para falar a verdade, as de lá continuam a ser melhores. Como cheguei bem tarde, deixei os pães na mesa da sala e, no dia seguinte, levei o maior susto: minha cozinheira, diligente, vendo aqueles dois pães dormidos, na mesa, transformou-os em delicadas torradinhas.

Guardo de meus tempos de criança, em Santa Luzia, o gosto de um maravilhoso pão que era feito em uma padaria da Ponte (o bairro baixo da cidade), que levava uma camada de torresmos, entre a capa firme e torrada e a polpa. Nunca mais comi nada igual, a não ser uma vez em que, passando por uma padaria italiana em São Paulo, consegui um parecido. Aqui em BH, já tentei convencer meio mundo da maravilha que é esse pão com torresmo, mas não consegui nada. Um ou outro padeiro mais simpático tenta atender à minha paixão – mas está longe de conseguir. Não sei se a memória gustativa da infância comanda o sabor, mas o resultado nunca é igual.

E, apesar de todas as novidades que estão aparecendo nos últimos meses, com os especiais da Seven Boys, as especialidades que levam amêndoas, nozes e outras frutas são muito boas – mas é claro que estão longe dos pães de sal que combinam com tudo – de finos patês de trufas importados até caldinho de galinha roubado na panela que está no fogão. Tenho uma irmã que, quando era criança, media sempre dois palmos de pão para tomar com seu café da manhã. Ele continua a ser sua preferência, só que não dá mais para medir com palmo de adulto.

Na época da guerra, como a farinha de trigo era totalmente importada da Argentina, a massa do pão perdeu na qualidade. O esforço de guerra obrigou as padarias a acrescentar fubá na massa, para diminuir a quantidade de trigo. Mas, como não havia solução, o negócio era levar adiante a ajuda. Na casa da minha avó, em Santa Luzia, as sextas-feiras eram dias destinados à produção de pães e quitandas. Os biscoitinhos eram assados durante o dia, e o resultado colocado para esfriar em longos bancos que ficavam na sala, antes do fogão. Ela guardava tudo em latas hermeticamente fechadas nos armários, e ai do neto que se atrevesse a roubar alguns. Ela ficava uma fera.

O bom do pão é que ele nunca acaba – essa história de pão velho é de quem não entende nada dele. Com pão dormido é possível, por exemplo, fazer um delicioso pudim de pão. Torradas recebem com facilidade cremes variados de hortaliças – o melhor é o de espinafre, que, com um pouco de queijo ralado por cima, transforma-se numa entrada muito boa, ou complemento de pratos que se quer incrementar. Como salgadinho, basta um pouco de maionese, um pedacinho de bacon e um pouco de forno, itens que toda casa tem. E a farinha de rosca? Basta bater o pão velho – e duro – no liquidificador para se conseguir uma farinha bem fina, para empanar tudo que é preciso.

Para companheiros de minha preferência, feliz Dia do Pão.


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