Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas

Aplicativos e testes on-line identificam problemas de visão na infância

Estudo inédito divulgado na revista Science Advances revela que pais podem usar a câmera fotográfica do smartphone para registrar importantes informações sobre a visão do bebê. Apps têm algoritmos que detectam até a mais sutil leucocoria


postado em 12/10/2019 04:00 / atualizado em 11/10/2019 17:51

No Brasil, 70% dos casos de perda da visão na infância estão relacionados às doenças congênitas desenvolvidas durante a gestação: glaucoma, catarata, alguns casos de estrabismo e retinoblastoma ou câncer ocular. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, estas doenças devem ser identificadas logo após o parto. O diagnóstico é feito pelo "teste do olhinho" ou exame do reflexo vermelho realizado com um oftalmoscópio, espécie de lanterna que joga luz na pupila do bebê.

“Em olhos saudáveis, o reflexo da luz no olho é vermelho e contínuo. Quando aparece uma leucocoria, reflexo esbranquiçado ou descontínuo da retina, indica alguma doença congênita”, explica o oftalmologista. O problema é que a última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que pouco mais da metade dos bebês brasileiros, 51,1%, passaram pelo teste do olhinho antes de completar o primeiro mês de vida. Isso porque o exame só é obrigatório no Distrito Federal e em 16 dos 26 estados brasileiros.

Queiroz Neto ressalta que pode ocorrer de a doença congênita passar despercebida no teste do olhinho. Este foi o caso de Eduardo Rodrigues. A mãe, Ana P. M. Rodrigues, desconfiou que o filho não estava enxergando bem e o levou ao oftalmologista. Queiroz Neto o diagnosticou com catarata congênita nos dois olhos. A do olho esquerdo estava bastante desenvolvida e, por isso, não era possível saber qual o resultado da cirurgia de catarata já que os olhinhos poderiam ter outras doenças que nem sempre podem ser visualizadas pelo médico quando a catarata está avançada. Quando Eduardo acordou da operação, já estava identificando um quadro na parede. “A cirurgia foi um sucesso. Nunca vou me esquecer deste dia”, afirma Ana. O cuidado da mãe salvou a visão da criança, salienta Queiroz Neto. O acompanhamento oftalmológico na primeira infância, mesmo quando o teste do olhinho não apresenta alterações, é muito importante, alerta.

A boa notícia é que, de acordo com estudo inédito divulgado na revista Science Advances, agora os pais podem usar a câmera fotográfica do celular para registrar importantes informações sobre a visão do bebê, além dos melhores momentos da primeira infância. Para isso, quem tem bebês em casa deve baixar gratuitamente o aplicativo americano Cradle ou White Eye Detector, criado por Bryan Shaw, professor da Universidade Baylor (Texas), e começar a tirar fotos da criança com o smartphone, independentemente do resultado do teste do olhinho na maternidade. Os pais podem confundir um leve embranquecimento do reflexo na pupila, mas o aplicativo tem algoritmos que detectam até a mais sutil leucocoria.

Prova disso são os resultados do estudo. O White Eye Detector identificou com 80% de eficiência os casos de leucocoria em mais de 50 mil fotos de 40 crianças tiradas em situações casuais. Para os pesquisadores esta eficácia é maior que a do exame convencional. Isso porque a manipulação do oftalmoscópio demanda colaboração do bebê, distância adequada e controle de muitas outras variáveis. Além disso, o tempo para notar que um bebê não tem boa visão pode significar uma vida inteira sem enxergar. O estudo também revela que a dificuldade em perceber que a visão encontra obstáculos na primeira infância faz com que a identificação pelo aplicativo anteceda em média 15 meses o diagnóstico tradicional.

Queiroz Neto afirma que a primeira consulta oftalmológica geralmente é feita aos 2 anos quando os pais usam óculos e aos 3 anos quando não usam. Para viabilizar o acesso das crianças de todo o país à triagem visual, o hospital disponibiliza no site www.penidoburnier.com.br testes on-line autoexplicativos. O oftalmologista ressalta o aplicativo White Eye Detector e os testes on-line facilitam a identificação dos problemas de visão na infância, mas não substituem a consulta. Crianças de até 3 anos, explica, devem ser submetidas à triagem com a carta de Snellen figuras. Nas de 4 e 5 anos, pode ser utilizada a carta de Snellen de ganchos e, a partir dos 6 anos, a carta com o abecedário. "Nossa integração com o meio ambiente depende em 85% da visão. Estudos mostram que a maior causa de evasão escolar é a dificuldade de enxergar. Proteger a visão das crianças é apostar num futuro melhor", conclui. 


Publicidade