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Oktoberfest, em Munique, traz boas lembranças

Parada do festival de cerveja, em praça pública, com arquibancada a céu aberto, promove grande confraternização entre plateia e quem está desfilando. Eles oferecem vinhos, cervejas, comidinhas, cantam e dançam na maior descontração


postado em 02/10/2019 04:00

Grupo folclórico participa da Oktoberfest, em Munique, no Sul da Alemanha: maior festival de cerveja do mundo segue até 6 de outubro (foto: Tobias SCHWARZ/AFP)
Grupo folclórico participa da Oktoberfest, em Munique, no Sul da Alemanha: maior festival de cerveja do mundo segue até 6 de outubro (foto: Tobias SCHWARZ/AFP)

Nas andanças de minhas férias anuais que sempre eram em setembro, fui parar por uma rara coincidência em Munique e exatamente na véspera da Oktoberfest. De manhã, foi uma luta abandonar o confortável leito do hotel, com seu maravilhoso edredom de plumas, para assistir à parada do festival de cerveja, em praça pública, com arquibancada a céu aberto e desfile correndo no leito da rua. O desfile é diferente dos nossos, porque existe grande confraternização entre plateia e quem está desfilando. Eles oferecem vinhos, cervejas, comidinhas, cantam e dançam na maior descontração. Comunicam-se com quem está na arquibancada, numa boa. Muitos dos participantes já estão com dificuldade de andar, mas isso já faz parte da comemoração.

Terminado o desfile, fui cumprir o ritual de quem sabe do assunto, e fui ao Hofbräuhaus para almoçar e enfrentar os canecões de cerveja. O restaurante é o máximo. Para começar, as mesas são de madeira, comunitárias e conservam, como atração, os regos por baixo dos bancos. Como podia ser frequentado só por homens, ninguém tinha que se levantar para ir ao banheiro se aliviar da cervejada. Quem queria, fazia xixi ali mesmo. Um conforto só.

A casa tem tradição, foi fundada em 1589 pelo duque William V da Baviera, para evitar ter que comprar cerveja da Saxônia e só foi aberta ao público em 1828. Antes disso, tornou-se referência mundial porque, em fevereiro de 1920, ali foi realizado o primeiro evento político do Partido dos Trabalhadores Alemães, durante o qual Hitler apresentou o “Programa de 25 pontos” do partido, aprovado por 2 mil pessoas. E em agosto do mesmo ano, o nome do partido foi mudado para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Mas, durante a guerra, a cervejaria foi totalmente destruída por um bombardeio, sendo reconstruída em 1959.

E foi lá que estivemos para um demorado almoço, com pratos típicos da Baviera, como um delicioso joelho de porco. A cerveja Helles é servida em caneco conhecido como mass, que os garçons não deixam ficar vazio. E a casa é linda, a reconstrução obedeceu ao projeto original, com os batentes das portas e o teto pintados delicadamente, lustres lindos e um clima totalmente informal, que leva ao consumo da cerveja. Curiosidade: a primeira filial da Hofbräuhaus alemã está aqui, em BH, na Avenida do Contorno, entre a Rua Conde Linhares e a Avenida Prudente de Morais.

Adorei a cervejaria, porque sempre gostei de beber cerveja, buscando conferir seu sabor pelos diversos países por onde passei. Aqui, houve tempo em que a cerveja era bebida proibida para mulheres, não podia ser bebida em público. O ideal eram coquetéis insossos ou gim tônica, que voltou a ser moda. Só que não abri mão de minha preferência e, para isso, criei truques trabalhosos. Como, por exemplo, na boate Príncipe de Gales do Automóvel Clube, onde se dançava e apreciava shows. Minha cervejota chegava à mesa disfarçada em jarro de prata, era considerada bebida de botequim, não no ambiente que era o suprassumo da sociedade belo-horizontina.



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