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Estado de Minas

Não é bem assim


postado em 25/07/2019 04:00


Usadas por 2 milhões de brasileiros para corrigir a refração, as lentes de contato são práticas e têm a preferência das mulheres, mas nem sempre são a melhor opção para quem precisa de correção visual. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, os prontuários do hospital mostram que 20% das pessoas compram lentes com a receita dos óculos de grau e chegam aos consultórios sentindo desconforto nos olhos. Não é para menos. A estimativa é de que 16% da população não deve usá-las. As principais contraindicações elencadas pelo médico são a deficiência de lágrima, alergia ou outra doença ocular externa.

“Para evitar lesões na córnea, é necessário analisar sua curvatura e relevo, o filme lacrimal, fazer exame de refração, fundo de olho e antes da prescrição adaptar uma lente teste, inclusive para as estéticas que mudam a cor dos olhos”, afirma. No inverno, ressalta, o risco de desconforto é ainda maior. Isso porque o ar seco e o aumento da poluição predispõem à alergia ocular e à conjuntivite viral, que é desencadeada pela permanência em ambientes fechados. Ao primeiro sinal de desconforto – olhos vermelhos, dor, sensibilidade à luz, visão embaçada e sensação de corpo estranho –, o especialista indica interrupção do uso e passar por consulta com oftalmologista.

Queiroz Neto diz que usar lentes vencidas ou durante o sono, quando a produção lacrimal tem redução de até 50%, são as causas mais frequentes de úlcera de córnea. Essas duas condições aumentam o risco de contaminação em 10 vezes por reduzir a oxigenação da córnea. Esse foi o caso de uma paciente com alta miopia que usou lente vencida e teve uma lesão bastante dolorida na córnea. “Mesmo as indicadas para usar à noite devem ser retiradas durante o sono”, adverte. O especialista ressalta que entre mulheres é comum a lente vencer antes do previsto na embalagem pela formação de depósitos de maquiagem que alteram a coloração e formato. No frio, o risco pode ser ainda maior em quem tem diminuição da lágrima.

O erro mais comum na manutenção de lentes, ressalta, é comprar um litro de soro fisiológico para fazer a limpeza. Isso porque soro não contém conservante e depois de aberto se torna um campo fértil para a multiplicação de bactérias e fungos. Por isso, o uso de soro só está liberado se for comprado em embalagens de dose única. Há quem acredite que se a lente cair depois de higienizada é só passar na água e colocar no olho. Ledo engano. O oftalmologista alerta que a água é o principal veículo de contaminação por Acanthamoeba, um parasita que pode cegar e até causar a perda do globo ocular.

As recomendações do médico para prevenir a contaminação da córnea são: lavar cuidadosamente as mãos antes de manipular as lentes; utilizar solução higienizadora tanto na limpeza quanto no enxágue das lentes e estojo; friccionar as lentes para eliminar completamente os depósitos; não usar soro fisiológico ou água na higienização; retirar as lentes antes de remover a maquiagem e quando usar spray no cabelo; colocar as lentes sempre antes da maquiagem; guardar o estojo em ambiente seco e limpo; trocar o estojo a cada quatro meses; respeitar o prazo de validade das lentes; jamais dormir com lentes, mesmo as liberadas para uso noturno; interromper o uso a qualquer desconforto ocular e procurar o oftalmologista; retirar as lentes durante viagens aéreas por mais de três horas; e não entrar no mar ou piscina usando lentes.

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