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Estado de Minas

Depressão está na moda


postado em 29/06/2019 04:00






Quem conhece a vida do médico e psiquiatra sueco Axel Munthe sabe que ele foi um dos precursores dos tratamentos psiquiátricos contra doenças que, na sua época, não tinham cura garantida. Sua Villa San Michele na Ilha de Capri, na Itália, é um museu onde deixou marcados sua cultura e seu amor pelas memórias gregas e romanas. Munthe tem um livro muito interessante sobre sua vida – O livro de San Michele. Já naquela época, era  adepto da eutanásia e conseguia curar hemorragias pós-parto. Tratamento contra depressão em seu tempo era praticamente desconhecido e foi um dos traços mais importantes de sua carreira, nos anos 1930. Lembrei-me do médico e escritor porque a depressão está no auge.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é uma das doenças mais comuns da atualidade, afetando mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. De acordo com um trabalho publicado no Journal of the American College of Cardiology, a depressão se relaciona a muitas doenças cardiovasculares e pode aumentar o risco de infarto se não for tratada adequadamente. De acordo com o Abrão Cury, cardiologista do HCor, é muito comum termos a associação entre depressão e várias doenças cardiovasculares e, somados os dois problemas, englobamos as principais doenças do mundo moderno. Pacientes com doenças cardíacas podem chegar a ter uma taxa de depressão entre 20% a 36%. E por que tal associação ocorre tão frequentemente?

Pessoas com doença coronariana, por exemplo, possuem um agravamento da doença quando estão deprimidas. "Muitos justificam isso ao fato de que praticam menos atividades físicas e se alimentem mal, com pouca aderência ao tratamento cardiológico devido à falta de motivação e energia típicas de quadros depressivos. O entupimento das artérias pode ocorrer devido a um mal funcionamento do sistema nervoso em pessoas deprimidas, pois a doença é capaz de modificar o funcionamento de glândulas e alterar o funcionamento de células responsáveis pela coagulação sanguínea", esclarece o profissional. Essa questão é tão importante que pessoas deprimidas têm um risco de mortalidade quatro vezes maior após seis a 18 meses do evento de infarto agudo do miocárdio. A Associação Americana de Cardiologia recomenda, como uma de suas principais diretrizes na atualidade, o tratamento antidepressivo obrigatório dos pacientes cardíacos deprimidos para melhorar o prognóstico da doença cardíaca.

Diversos fatores podem explicar esse elo entre depressão e doenças do coração, sendo os mais estudados as alterações nas plaquetas, inflamação e o aumento da atividade do sistema nervoso simpático. "Depressão é uma doença multissistêmica, não é uma doença apenas cerebral, sendo que um dos aspectos mais estudados atualmente é seu caráter inflamatório. Substâncias pró-inflamatórias aumentam sua concentração sanguínea durante a depressão e isso, somado ao aumento do tônus simpático, piora o prognóstico das doenças cardiovasculares", explica o psiquiatra Fernando Fernandes.

A depressão aumenta também o risco de aparecimento da diabetes por mecanismos diversos, como o aumento de níveis de cortisol, além de levar a um pior controle metabólico no doente que já é diabético. "Desta forma, é importante que tanto o paciente quanto os seus familiares estejam atentos aos sinais de alarme, como as alterações no apetite, no peso, no sono e a perda de interesse pelas atividades que antes eram prazerosas. A depressão tem tratamento eficaz quando devidamente reconhecida e medicada", explica Fernando Fernandes. Para cuidar da mente e evitar problemas no coração, deve-se manter um estado emocional positivo e combater a depressão, atitudes fundamentais na prevenção de doenças. Diversos estudos científicos já comprovaram que as boas emoções são um excelente reforço contra gripes, resfriados, alergias, obesidade, problemas de pele, hormonais, cardíacos e gástricos. Essa maneira de agir também vale para quem passa por dificuldades emocionais.

"Independentemente do tamanho e do tipo de problema de cada um, é preciso ter domínio sobre os próprios pensamentos e aprender a enxergar a luz no fim do túnel. Esperança é um sentimento a ser cultivado. A depressão deve ser encarada como uma doença, semelhante ao diabetes e às doenças do coração. Ou seja, tem controle e tratamento", alerta Fernando Fernandes, psiquiatra do Hcor. Dicas para combater o estresse e fugir da depressão: pare de se culpar; perca o medo de envelhecer; desabafe de vez em quando; pratique exercícios; se atenha à rotina normal; evite álcool e drogas; alimente-se e durma bem.


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