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Cuidando dos olhos

Poucos sabem que catarata pode provocar quedas


postado em 08/04/2019 05:09 / atualizado em 08/04/2019 08:39

Na minha interminável lista de problemas de saúde que contei com a mão de Deus, uma das mais significativas foi,  sem dúvida, a queda dentro de casa. Caí escada abaixo, mais de 15 degraus, alta madrugada e o milagre começou quando o meu cara-metade, que dormia a sono solto, acordou e começou a me procurar casa adentro. Com o rosto coberto de sangue, escada escura, porque não tinha acendido a luz, ele conseguiu me enxergar e, com o maior esforço, escada acima, fomos parar no Hospital Mater Dei. Eu segurando o pescoço, que teve a segunda vértebra quebrada, felizmente na vertical e não na horizontal, o que significaria morte ou aleijão para sempre.

Fiquei no CTI por vários dias, até a fratura se firmar e usei coleira durante muitas semanas, até ficar livre de problemas mais sérios. Mas uma crença popular sobrevive: sempre que chuvas são anunciadas, a fratura dá sinal com uma pequena dor. Não sou exceção nesse problema. Estimativa do Mistério da Saúde aponta que três em cada 10 brasileiros com mais de 60 anos sofrem, pelo menos, uma queda anualmente. O problema é que o país tem uma população de 29,4 milhões nesta faixa etária. Dos que caem, 20% ou 5,88 milhões buscam internação nos hospitais do SUS. Os outros 10% ou 2,94 milhões fazem tratamento ambulatorial.

O que não é muito divulgado é que essas quedas podem ser provocadas por catarata. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier de São Paulo, muitas quedas acabam provocando sérios casos de traumas oculares. Pior, os anuários estatísticos do Datasus revelam que, quando o assunto é acidente nos olhos, as perfurações que podem levar à perda definitiva da visão foram causadas por queda, que predominam. Somaram 4,3 mil casos em 2015 e 3,5 mil em 2017, último levantamento da pasta.

“Acidentes ocorrem quando você menos espera”, avalia um acidentado. Há alguns meses, já preparado para dormir, levantou-se e, quando retornou ao quarto, tropeçou no tapete ao lado da cama, conta. “No tombo, consegui perfurar o olho direito bem próximo do centro e desmaiei. Ao acordar, não enxergava nada. Fiquei muito angustiado. Dá para imaginar o que é ficar sem enxergar?” pergunta. Na mesma noite, saiu com a esposa em busca de atendimento médico.

“No primeiro hospital, um clínico geral de plantão examinou meu olho, disse que era grave e me encaminhou para um hospital público para ser atendido por um oftalmologista” conta. No segundo, depois de um bom tempo, uma oftalmologista o examinou. “A médica me disse que não poderia sair dali porque tinha de tomar um antibiótico imediatamente e passar por cirurgia. Aguardei por mais de duas horas, apesar do desconforto. Jamais imaginei que pudesse passar por tamanho estresse. Como não recebi o medicamento e a médica desapareceu, resolvi ir para casa. A visão estava escura e a dor no olho indescritível”, desabafa.

Só na manhã seguinte foi atendido por Queiroz Neto. O oftalmologista afirma que o acidente do personagem causou uma perfuração na córnea, que levou ao deslocamento ou prolapso da íris, parte colorida do olho. ”A lesão é uma emergência porque a laceração da córnea pode provocar uma infecção generalizada no globo ocular”, salienta. A cirurgia, explica, consiste em remover a saliência da íris e suturar a córnea. O tratamento é iniciado com antibiótico e anti-inflamatório sistêmicos. Após o procedimento, são utilizados colírios anti-inflamatórios e antibiótico. O acompanhamento com higienização subpalpebral reforça o tratamento tópico e dura meses. Queiroz Neto afirma que a queda entre idosos é um problema de saúde pública multifatorial relacionado à redução do equilíbrio, enfraquecimento muscular, diminuição da percepção de distância e profundidade, dificuldade de adaptação ao escuro, queda na audição e visão.

A boa notícia é que a cirurgia da catarata elimina vários desses fatores e, por isso, reduz em 40% o risco de quedas. Isso porque, explica, a visão responde por 85% e nossa integração com o meio ambiente e a opacificação do cristalino não ocorre na mesma intensidade nos dois olhos. “Esta diferença de grau entre os olhos provoca um desequilíbrio que desaparece após a cirurgia que substitui o cristalino opaco por uma lente intraocular transparente. Esta lente também melhora a adaptação ao escuro, a visão de contraste e de profundidade”, afirma o médico. As recomendações preventivas do oftalmologista são: dar preferência aos tapetes antiderrapantes; manter a iluminação dos ambientes difusa; durante a noite, manter uma lâmpada acesa em pontos estratégicos; adaptar corrimãos de apoio nos corredores e banheiros; e passar por checkup ocular anualmente para diagnosticar doenças no início.


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