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Estado de Minas

Doença de mulher


postado em 02/04/2019 04:00 / atualizado em 05/04/2019 10:59

Doença de mulher A endometriose afeta muito a vida das mulheres e todas as atividades relacionadas à prevenção da doença são da maior importância, como o Março Amarelo, mês mundial de conscientização da endometriose, comemorado com esclarecimentos dirigidos ao público feminino de todo o Brasil e de países do exterior. De acordo com dados oficiais, entre 7 milhões e 10 milhões de mulheres sofrem da enfermidade no Brasil, que é a principal causa de infertilidade no sexo feminino. A doença acomete de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva e, aproximadamente, de 35% a 50% das inférteis. 


“Por isso mesmo, não é à toa que a endometriose é uma das doenças que mais preocupa as mulheres brasileiras, inclusive porque causa muita dor. E lidar com esse sofrimento ao mesmo tempo em que têm que trabalhar, cuidar da família e das tarefas domésticas, não deve ser fácil”, ressalta o ginecologista Walter Pace, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e titular da Academia Mineira de Medicina. Segundo ele, o principal sintoma da endometriose é a dor, principalmente quando associada à menstruação


Ele informa também que a associação da doença com a fertilidade tem sido alvo de discussão há anos, lembrando que todos os tipos e graus da enfermidade podem influenciar a fertilidade. Porém, frequentemente, o diagnóstico não é tão evidente e fica como última opção na pesquisa, entre outras causas. 

De acordo com o especialista, até hoje não se sabe, com exatidão, a causa da endometriose, mas uma das causas consideradas é a passagem do sangue da menstruação pela trompa. “Sabemos também que se trata de uma doença estrógeno-dependente, que consiste na invasão pelas células do endométrio (tecido que reveste a parede interna do útero e descama durante a menstruação) no músculo do útero ou para fora dele, atingindo órgãos como, o ovário, o intestino, a bexiga, entre outros. Além de se caracterizar por cólicas intensas e progressivas, a doença pode afetar a relação dos casais”, alerta o médico.

Os primeiros sintomas da endometriose são cólicas progressivas, muitas vezes intensas e até mesmo incapacitantes, ou seja, cada vez piores a cada menstruação. A dor ocorre, em geral, na parte inferior do abdome e pode causar desconforto nas relações sexuais. Se a endometriose estiver localizada na bexiga ou no intestino, pode causar sintomas urinários ou intestinais durante a menstruação como, por exemplo, dor ao urinar ou diarreia, enfatiza o especialista, alertando para o fato de que dores mais intensas podem levar a problemas como cansaço, perda do sono, alterações de humor, depressão, tensão pré-menstrual e dor lombar. Como forma de diagnóstico, Walter Pace informa que ele pode ser feito por meio de exame clínico, ultrassom, laparoscopia, ressonância magnética e histeroscopia.

O tratamento clínico normalmente é hormonal, que dispõe de novas alternativas, seguras e mais eficazes, como o uso de implantes hormonais. Com relação aos avanços no tratamento cirúrgico, ele aponta a cirurgia em três dimensões e a robótica, cuja tecnologia permite a melhor visualização da profundidade e das estruturas anatômicas críticas e maior precisão e segurança do que os procedimentos convencionais. 

O especialista destaca também a importância da prevenção da endometriose, “pois é fundamental para o êxito do tratamento”, afirma. Segundo o médico, ela se faz com a atenção aos sintomas da doença, possibilitando, dessa forma, o diagnóstico precoce. Nesse sentido, ele chama a atenção para o fato de a endometriose ser, em geral, evolutiva e o retardo no diagnóstico pode levar a estados graves de infertilidade e quadros de dores extremamente acentuadas. “Portanto, é muito importante a conscientização das mulheres sobre a endometriose e os problemas causados pela doença”, conclui.

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