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Estado de Minas

Purple Day


postado em 26/03/2019 10:51

Como conheci várias pessoas que sofriam de epilepsia, uma delas, inclusive, morreu durante um ataque, pois morava sozinha, gosto muito de divulgar o problema, principalmente porque pode ser tratado, não tem mais o carma que tinha em outros tempos. Como hoje é o Dia Internacional da Epilepsia, o Purple Day ou Dia Roxo, recebi um texto muito legal da jornalista Liége Camargo, que trabalha em uma agência de comunicação, e acho que suas informações podem ajudar muita gente.

“A epilepsia é uma condição neurológica bastante comum, que acomete aproximadamente uma em cada 100 pessoas. A doença é caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas, que são alterações temporárias e reversíveis do funcionamento normal do cérebro causadas por descargas elétricas anormais e excessivas dos neurônios, de forma recorrente. Essas descargas anormais podem permanecer restritas a uma parte do cérebro, gerando uma crise chamada focal, ou espalhar-se para todo o cérebro, causando uma crise generalizada. As manifestações da crise epiléptica variam de acordo com a região e o tamanho da área do cérebro acometida”, alerta a neurologista Laisse Leite, da equipe multidisciplinar da Clínica Blues, em Belo Horizonte. A estimativa da Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia (Aspe) é que essa condição neurológica atinge cerca de 3 milhões de pessoas no Brasil.

O tipo mais conhecido de crise epiléptica é a crise tônico-clônico generalizada, habitualmente chamada de convulsão. Nesse tipo de crise, a pessoa perde a consciência e cai, apresenta enrijecimento do corpo, seguido por abalos ou tremores generalizados. Muitas vezes pode ocorrer mordedura da língua, salivação excessiva, perda de urina ou fezes durante esse tipo de crise. Outros tipos de crise menos conhecidos incluem as crises de ausência, mais comuns na infância, durante as quais a criança parece “desligada” por alguns segundos, com olhar fixo e vago, muitas vezes com piscamentos repetitivos.

Essas ausências podem ocorrer várias vezes ao longo do dia, e muitas vezes passam despercebidas, podendo causar prejuízo ao rendimento escolar. Segundo a neurologista Laisse Leite, crises focais podem manifestar-se como movimentação involuntária e descontrolada de alguma parte do corpo, alterações da sensibilidade, visão, olfato ou audição. Essas crises podem ou não comprometer a consciência. “Após o término da crise, é comum que, enquanto se recupera, a pessoa sinta-se confusa, agitada ou sonolenta, e com alguma alteração de memória. Esses sintomas geralmente se resolvem após minutos a algumas horas”, destaca a médica.

A epilepsia é uma doença que pode se iniciar em qualquer idade, e tem diversas causas. Muitas vezes a causa é desconhecida, e pode haver predisposição genética. Em crianças, pode ser causada, por exemplo, por falta de oxigenação no cérebro durante o trabalho de parto, prematuridade, erros inatos do metabolismo. “Nos idosos, por outro lado, predominam como causa as doenças degenerativas, tumores cerebrais e as doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral, AVC ou “derrame”). As infecções (como meningite ou encefalite), traumatismo craniano, abuso de álcool e drogas são outros fatores que podem predispor a ocorrência de crises convulsivas”, explica Laisse Leite.

O diagnóstico de epilepsia é feito pelo neurologista por meio da avaliação médica. São avaliados o histórico pessoal e familiar do paciente, além do exame físico. É muito importante uma descrição detalhada da crise apresentada. Por isso, é fundamental que, caso o paciente não se lembre da crise, uma pessoa que presenciou o evento esteja presente durante o consulta. Muitas vezes são necessários exames complementares, como tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética do encéfalo e eletroencefalograma.

O diagnóstico correto da epilepsia, e do tipo de crise apresentado pelo paciente permite a escolha do tratamento mais apropriado. São utilizados diversos medicamentos específicos, conhecidos como drogas antiepilépticas. Esses medicamentos são eficazes no controle de crises na grande maioria dos casos, e as medicações mais modernas apresentam cada vez menos efeitos colaterais. “Com o tratamento medicamentoso, cerca de dois terços dos pacientes têm suas crises controladas. Um número significativo – cerca de um terço – porém, continua tendo crises mesmo com o tratamento clínico”, alerta a neurologista. Para esses pacientes, além do tratamento medicamentoso, outras opções disponíveis de tratamento são a dieta cetogênica, o implante de um estimulador de nervo vago (VNS) e, em casos selecionados, o tratamento cirúrgico.


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