Lucros em queda e dívidas em alta. Em linhas gerais, esse é o retrato do desempenho em 2022 das empresas brasileiras de capital aberto. No ano passado, o lucro líquido de 295 companhias listadas na B3, a bolsa de valores de São Paulo, caiu 17,8% em relação a 2021. Por sua vez, a dívida líquida subiu 27,9%. Há uma razão para isso: os juros altos, que comprimem as margens operacionais e geram resultados financeiros piores. O levantamento realizado por Einar Rivero, diretor comercial da plataforma de investimentos TradeMap, também indicou os maiores lucros e prejuízos da temporada. No primeiro quesito, a Petrobras lidera com folga – a linha azul do balanço totalizou R$ 188,3 bilhões, uma variação positiva de 76% diante de 2021 –, seguida por Vale (lucro de R$ 95,9 bilhões) e Banco do Brasil (31 bilhões). No campo oposto, o das perdas, estão a Light (prejuízo de R$ 5,6 bilhões), BRF (R$ 3,1 bilhões) e Natura (R$ 2,8 bilhões).
Vendas de veículos surpreendem em março
Foi com certa dose de surpresa que o mercado automotivo recebeu os números de vendas de veículos em março. Apesar da percepção generalizada de que o cenário havia melhorado, não se esperava uma arrancada tão veloz. No mês passado, 199 mil unidades foram emplacadas, considerando carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. É um resultado ótimo, que corresponde a um avanço de 35,5% sobre o mesmo período do ano passado, quando a falta de componentes eletrônicos estava no auge.
E-mails da Americanas entram na mira da Justiça
O caso Americanas, que ocultou rombo bilionário em seu balanço, terá novos – e provavelmente polêmicos – desdobramentos. Isso porque o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acatou recurso do Bradesco e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para busca e apreensão de e-mails da empresa. O objetivo é investigar e eventualmente comprovar a suposta fraude contábil. Lembre-se que o Bradesco é um dos maiores credores da varejista, com um total de R$ 4,7 bilhões a receber.
Em correção de rota, Marisa fechará 92 lojas físicas
A varejista de moda Marisa começa a colocar em prática um plano de reestruturação que objetiva salvar as suas finanças. Em teleconferência com analistas de bancos e corretoras, João Pinheiro Batista, presidente da empresa, revelou que ao menos 92 lojas físicas, o equivalente a 30% do total de unidades, serão fechadas. A situação é delicada. No quarto trimestre do ano passado, o prejuízo da Marisa disparou 670%, chegando a R$ 188,6 milhões. Em todo o ano, as perdas totalizaram R$ 391 milhões.
Rapidinhas
- A estiagem severa provoca estragos na atividade agrícola do Rio Grande do Sul, um dos estados mais relevantes para o agronegócio brasileiro. Segundo a Emater, o serviço de extensão rural do estado, a chamada safra de verão sofrerá uma queda 27%. A produção de soja deverá encolher 30%. No caso do milho, o tombo será maior – 40%
- A Latam manteve em fevereiro a liderança do mercado aéreo brasileiro. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a empresa respondeu no mês por 38% do mercado doméstico e 21% do internacional, de acordo com o tráfego consolidado de passageiros (RPK). Desde 2021 a Latam comanda o setor aéreo brasileiro.
- A Caixa Econômica Federal passará a oferecer até o final do mês uma linha de crédito destinada a pessoas com deficiência. A linha será subsidiada pelo governo federal e terá taxas de juros convidativas de 6% ao ano para clientes com renda de até cinco salários mínimos e de 75% para os que ganham entre cinco e dez.
- Todos os funcionários dos escritórios corporativos do McDonald’s nos Estados Unidos deverão trabalhar em casa nesta semana. O motivo, contudo, é incômodo: a empresa se prepara para anunciar um programa de demissões em massa. Segundo dados recentes, a maior rede de lanchonetes do mundo emprega globalmente cerca de 150 mil pessoas.
R$ 170 bilhões
é a previsão do volume de investimentos privados no setor ferroviário brasileiro nos próximos anos, conforme cálculos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)