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Estado de Minas MERCADO S/A

Saída de Mandetta do Ministério da Saúde divide opinião de empresários

Os mais próximos ao presidente Bolsonaro comemoraram a notícia, enquanto outros temem o efeito da decisão


postado em 17/04/2020 04:00 / atualizado em 17/04/2020 09:40

(foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

 
A escolha do oncologista Nelson Teich para o lugar de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde dividiu empresários. No fim da tarde de ontem, depois do anúncio da troca, um grupo de WhatsApp formado por executivos de diversos setores ferveu com a notícia. Os mais próximos de Bolsonaro, obviamente, defenderam e comemoraram a mudança. “O Mandetta agiu contra o governo e qualquer subordinado que atua contra o chefe precisa ser demitido”, justificou um executivo do mercado fitness, que prega o fim imediato da quarentena. “Discordo totalmente”, respondeu uma das principais lideranças da área de tecnologia da informação, crítico das posições belicosas do governo. “O Mandetta era a racionalidade e o equilíbrio que o Brasil precisava. A demissão só vai dificultar o combate ao coronavírus, que ainda está longe de atingir o seu pico”. Os empresários são um retrato da sociedade, que parece cada vez mais disposta ao confronto.
 
(foto: Randon/Divulgação)
(foto: Randon/Divulgação)
 

Nas crises, as grandes empresas ficam mais fortes

Henrique Bredda, sócio da gestora Alaska, faz uma análise interessante sobre as empresas que sobreviverão à crise. Ele diz que muitas pequenas e médias, de fato, ficarão pelo caminho, enquanto as líderes de mercado tendem não só a resistir como, no longo prazo, se tornarem mais fortes. Bredda usa o exemplo da Randon. Nas crises de 2015 e 2016, 40 concorrentes da gigante de peças e sistemas automotivos faliram. Com o ambiente competitivo menor, a Randon ampliou seus domínios.

Baixa concorrência pode ser prejudicial ao consumidor

A crise certamente acelerará o processo de consolidação de muitos setores. As grandes empresas, afinal, não vão perder a oportunidade de ocupar o espaço deixado pelos rivais que desaparecem. Mas isso pode ser prejudicial para os consumidores. Uma regra infalível do mercado diz que, quanto menor a concorrência em um determinado segmento, mais caros são os produtos fabricados ou vendidos por ele. Estudos também mostram que a baixa concorrência reduz a produtividade.
 
(foto: Mandel Ngan/AFP)
(foto: Mandel Ngan/AFP)

Amazon quer testar funcionários para o coronavírus

A Amazon vai adotar uma estratégia ambiciosa para voltar à rotina normal de trabalho: testar todos os seus 600 mil funcionários para detectar o coronavírus. A empresa reuniu uma equipe de cientistas, engenheiros de software e gestores para desenvolver os testes. Além disso, pretende construir um laboratório próprio. “Testes regulares em escala global, em todos os setores, ajudariam a manter as pessoas seguras e a colocar a economia em funcionamento novamente”, disse o fundador Jeff Bezos.
 

"Estamos muito mais preocupados com o lado fiscal do Brasil agora"

Lisa Schineller, analista para a América Latina da agência de classificação de risco S&P, sobre os gastos do governo brasileiro para combater o coronavírus

 
RAPIDINHAS

  • Os funcionários da Embraer aceitaram o plano de proteção de empregos oferecido pela empresa. Em negociação encerrada ontem, ficou decidida a suspensão temporária de contratos de trabalho e a redução de jornadas em troca da garantia de empregos. As ações emergenciais terão duração de 60 a 90 dias.

  • A FIA (Fundação Instituto de Administração) substituiu todos os seminários que tinha programado por webinars gratuitos abertos ao público. Entre os títulos disponíveis estão “O novo futuro das finanças” e “Como manter o engajamento e o equilíbrio da equipe no trabalho remoto”. A programação está disponível no link https://fia.com.br/eventos/.

  • Algumas empresas estão nadando contra a maré da crise. A Netflix, maior plataforma de streaming do mundo, ganhou US$ 34,6 bilhões em valor de mercado nos últimos quatro dias. É fácil entender o interesse dos investidores: com boa parte da população mundial em casa, a demanda por filmes e séries só cresce.

  • Nenhum empresário tem sido tão ativo no combate ao coronavírus quanto Bill Gates. O fundador da Microsoft financiará a construção de sete fábricas para a produção de eventual vacina contra a COVID-19, doou US$ 120 milhões a hospitais e, agora, reforçará suas remessas à Organização Mundial de Saúde. Gates prometeu US$ 250 milhões à entidade.

6,8 milhões

de barris por dia será a queda na demanda global por petróleo em função das restrições de circulação, segundo projeções da Opep
 
 


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