Seu emprego e seu currículo estão na mira da nova lei que avança na Câmara
Aprovado no Senado, projeto que regulamenta a IA no país está próximo da votação final na Câmara; entenda os principais pontos da proposta
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Um projeto de lei que pode alterar as relações de trabalho e o uso da tecnologia no dia a dia está entre as prioridades legislativas no Congresso Nacional. A proposta busca criar regras claras para o uso da inteligência artificial (IA) no Brasil e promete impactar desde processos seletivos de emprego até a moderação de conteúdo em redes sociais.
De autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), o Projeto de Lei 2.338/2023, foi aprovado pelo Senado Federal em dezembro de 2024 e tramita na Câmara dos Deputados desde março de 2025.
A discussão ganhou força com a popularização de ferramentas de IA generativa, e a proposta visa estabelecer direitos e deveres para desenvolvedores e usuários, com o objetivo de proteger os cidadãos de decisões automatizadas que possam ser discriminatórias ou prejudiciais.
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O que a nova lei propõe?
A legislação em debate, conhecida como o Marco Legal da Inteligência Artificial, não busca proibir a tecnologia, mas sim criar um ambiente de uso mais seguro e transparente. Entre os pontos principais, destacam-se a necessidade de supervisão humana para sistemas de alto risco e a garantia de que as pessoas sejam informadas quando estiverem interagindo com uma IA.
Para entender melhor o que pode mudar, veja os pilares da proposta:
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Transparência: as empresas deverão informar de maneira clara quando um sistema de IA está em uso e qual a sua finalidade. Por exemplo, um candidato a uma vaga de emprego terá o direito de saber se seu currículo foi analisado por um algoritmo.
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Responsabilização: o projeto define quem será responsabilizado por danos causados por uma inteligência artificial. A ideia é que tanto o desenvolvedor quanto a empresa que utiliza a ferramenta possam ser acionados na justiça.
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Direito à explicação: qualquer pessoa afetada por uma decisão tomada por um sistema de IA, como a negação de um crédito bancário, terá o direito de solicitar uma explicação sobre os critérios utilizados.
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Supervisão humana: sistemas considerados de "alto risco", como os usados em diagnósticos médicos ou na segurança pública, deverão obrigatoriamente contar com a supervisão de uma pessoa para validar suas decisões.
O avanço do projeto reflete uma preocupação global em equilibrar a inovação tecnológica com a proteção dos direitos fundamentais. A proposta estabelece que decisões automatizadas não podem se basear em dados sensíveis, como origem racial, convicção religiosa ou opinião política, para evitar a perpetuação de preconceitos.
Se aprovada, a legislação exigirá que muitas empresas revisem seus processos internos e a forma como utilizam algoritmos para tomar decisões. Com votação prevista para o primeiro semestre de 2026, o texto está em análise na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, e empresas do setor já se preparam para adaptar seus processos caso a legislação entre em vigor.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.